Terça-feira, 13 de Março de 2007
Cenas da Vida na Colina #1
Anda a pessoa a limpar o pó ao palácio novo, a colocar as pratas no lugar, os chás em posição e as sopas de Miso a verter, quando começa a ouvir uns gemidos vindos do andar de baixo. Eliminei logo os gatos com cio e o bicho da madeira e fiquei com a hipótese C: era foda e da boa.
Mudei há pouco e ainda não estou familiarizada com os vizinhos mas lembro-me do dia em que vinha de baú de sedas indianas na mão e quem me abriu a porta foi um simpático septuagenário que me informou ser o vizinho do rés-do-chão. E eu pensei: «Espera minha Sissi, princesa da colina mais bonita de Lisboa, que quem anda no esmifranço ainda antes das dez da manhã é o avô lá de baixo.» Olaré! Temos festa.
Entrei logo em animal recolector mode e consegui de imediato uma quantidade assinalável de lixo que me permitiu ter a desculpa perfeita para descer as escadas e pôr-me à escuta. Vivam os prédios de tabique!
Ora o garanhão do vizinho eram ais e uis que Zeus o dava, sons que pareciam cabeçadas na parede e outros que eram uma mistura de Darth Vader com asmático em último grau.
Estava eu agarrada à barriga à rir, quando entra a vizinha do rés-do-chão. Ou seja, a mulher do machão em causa.
«Cof, cof, ai tanto pó ando aqui em limpezas ia agora mesmo meter o lixo na rua.»
«Se precisar ajuda diga.»
Lembrei-me das cabeçadas na parede e tratei logo ali de fazer manobras de diversão para evitar o crime passional que a minha vizinha, mocetona para o seus 85 kilos bem pesados, trataria de efectuar sem delongas assim que visse o seu pisco a catrapiscar e fodengar coxa alheia.
«Olhe, por acaso, sabe como é que se faz uma Chanfana de Cabrito?»
«Oh minha amiga, isso não tem nada que saber. Mete o cabrito e blá, blá, blá...»
Por esta altura já eu rezava para que o D.Juan da Travessa se despachasse, até porque detesto Chanfana de Cabrito. Finalmente, o dito cujo vem à porta. E com ele a senhora da limpeza.
E foi assim que conheci a primeira família Poliamor.
To be continued...
De Poppy a 13 de Março de 2007 às 11:26
Eu era mais "Ó vizinha, olhe que estou a ouvir uns barulhos estranhos em sua casa, é melhor ir ver não vá o seu marido estar com algum problema!"
O que eu gosto de dramas de faca e alguidar...
De
florence a 13 de Março de 2007 às 11:35
a faca e alguidar esta na moda vamos la
mas que a historia esta gira estabeijo beijo
De
coisas a 13 de Março de 2007 às 11:35
Porque estas 'cenas' já me acompanham há tanto tempo, achei que podia aqui vir dizer-te que o "Coisas" nasceu ontem.
Não sei bem o que isto vai dar, nem por quanto tempo.
Por agora, convido-te a passar por lá quando puderes (não é preciso ires a correr porque ainda tem apenas um post... há tempo)
Uma coisa para ti!
De Alfredo a 13 de Março de 2007 às 11:38
Senhora da limpeza, concerteza tipo bundão brasileiro, e competente nos afazeres, de tal forma que levanta o simpático septuagenário.
A devida Vénia a Vossa Alteza, e felicidades no seu novo Palácio
De
sissi a 13 de Março de 2007 às 11:40
Estimado Alf,
por acaso era brasileira era...:-)
Cumps
De
florence a 13 de Março de 2007 às 11:43
o caro alfredo mostra conhecimento de causa
será que ja possou pelo mesmo
pergunto me eu
beijo
beijo
De cElso Raposa a 13 de Março de 2007 às 11:48
Hilariante, cara Princesa.
No seu lugar usaria os poderes que lhe reconhecemos para proporcionar à enganada igual gozo com jovem macho.
Cumps
De Alfredo a 13 de Março de 2007 às 12:05
Bem,
Vejo por aqui agumas subditas enciumadas e ressentidas.
Há que respeitar a idade, eu até propunha que Sua Alteza tirasse a limpo e pergunta-se á vizinha se recomenda a moçoila da limpeza, até porque se calhar, por amor, foi ela que a contratou, para evitar obviamente que o Sr. andasse pelas ruas a fazer disparates.
Com a devida Vénia a Vossa Alteza,
PS: Não, não sou conhecedor de causa e ainda me faltam 30 para lá chegar.
De
sissi a 13 de Março de 2007 às 12:06
Estimado cElso,
ora agora é que me deu uma boa ideia. Voto na igualdade dos sexos! Vou esgrimir plano a propósito e depois venho cá contar.
cumps
De nelson anjos a 13 de Março de 2007 às 12:40
Afinal está encontrada a explicação para todo este estado de profundo abandono do Palácio: pura e simplesmente já não há Palácio. Apenas um terceiro andar em avançado estado de degradação, na Rua das Flores. Com alguns restos de veludos puídos, manchas de humidade nas paredes e, aqui e ali, água a pingar dos tetos em dias mais chuvosos. O processo de irreversível decadência encontra-se num estádio muito mais avançado do que eu supunha
Um ou outro retrato amarelecido, esquecido nas paredes, meia dúzia de trastes velhos, uns cadeirões desengonçados e um velho piano a que faltam já muitas teclas, foi tudo o que sobrou da última hasta pública feita para pagar as dívidas que se foram acumulado nos últimos tempos. É actualmente este o cenário habitado pelo espectro de uma velha princesa, em cujo rosto, carcomido pelos anos e pelas privações, sobram ainda alguns vestígios de uma beleza antiga. (Estou a ser generoso Princesa ! ... :-))
Os rumos novos que a história tomou apanharam a nobreza desprevenida. Em pouco tempo a canalha sem nome começou a enrricar e, com o ouro, o negócio da borracha e da cana, nos Brasis, vá de comprar os bens das casas nobres, vendidos agora ao desbarato para ir matando a fome e iludindo os últimos dias de preguiça dos antigos senhores. Incultos mas com muito dinheiro, foi a oportunidade para os “Zés” começaram também eles a construir palácios para satisfazer velhas ambições recalcadas.
Mas... a propósito de “Zés”: amanhã volto para vos dizer quem encontrei em Lisboa ... :-)
Princesa,
A esperança é a última coisa a morrer. Um dia destes trarei aqui uma proposta de negócio que, embora já não salve a honra do Palácio, poderá ainda salvar a honra da casa :-)
nelson
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