Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007
Generosidade
Já aqui escrevi sobre isto mas nunca é demais lembrar: a generosidade é das melhores qualidades do ser humano. Uns têm, outros gostavam de ter e há uns tantos que não fazem a mais pálida ideia do que isso seja. A boa notícia é que, salvo esta última casta, todos nós, em querendo conseguimos lá chegar.
Claro que não é como quem bebe um iogurte líquido de morango com chilli e pepitas de chocolate com quase 100 calorias. Não. Ser-se generoso implica trabalho e, sobretudo, maturidade, vontade de se sentir bem com o bem estar dos outros e permitir que esse facto, por si só, o faça alcançar outros patamares da existência humana. Mas cuidado com os generosos patológicos. Não que sejam perigosos, pelo contrário. São até bastante inócuos. Mas tornam-se chatinhos porque procuram dar aos outros para que os outros preencham lacunas de amor próprio cheias de eco. Ou seja, ao dar sem barreiras e desenfreadamente encontram substracto e gratidão no outros para que os possam manter por perto. E isso, não sendo uma cabala nem uma conspiração, pode ser um presente envenenado.
E falo disto porquê?. Porque de há uns meses a esta parte que recebo, via mail, todos os dias sem excepção, uma música que me é enviada por um súbdito deste palácio. Esta relação nem sequer é epistolar porque o mail traz apenas notas de música. Não vêm palavras, teorias, conceitos. É uma missiva electrónica que traz uma pauta, impregnada de bom gosto e generosidade. Damos na medida em que isso nos faz sentir felizes. E isso basta-me.
A si, muy Estimado, muito obrigada.
De Horizonte Vertical a 30 de Janeiro de 2007 às 13:15
Eu não dou nada a ninguém.........era o que me faltava PORRAAAA
De Menhir a 30 de Janeiro de 2007 às 13:18
Acho que o Nelson identifica muito bem o que é ser-se alturísta, (uma foram encapotada, consciente ou inconsciente de egoísmo).
Exemplos:
O maior altruísta conhecido "liquido", o Sr. Bill Gates, provavelmente pesa-lhe a consciência da forma como aniquila a concorrência e domina informáticamente o mundo;
Os países ricos chamados Ocidentais do Hemisfério Norte, esmagam e espremem os países pobres do Hemisfério Sul ao abrigo da Politica Agricula Comum, Organicação Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e outras organizações afins,depois perdoam muito altruísticamente umas dividazinhas e uns jurozecos num gesto de "ajuda" que nos fica muito bem.
Mesmo aqui o melómano da princesa, buscará servir concerteza um propósito mais lato, na senda do CCM.
Bjs p/elas e Cmpr p/eles.
De
Lulu a 30 de Janeiro de 2007 às 11:51
Bons dias V. E.xa e fieis subditos...
Ajudo porque ajudo; ajudo e não quero nada em troca; ajudo mais em a nivel de gestos e palavras porque financeiramente bem isto nem sempre corre bem... ajudo quem me ajuda, quem me conhece, quem não me conhece e até quem diz mal de mim...
presente envenenados também dou alguns...mas só para dizer eu não sou como tu ( e ficas fodido?) porque eu ajudei...
sou assim... admito pouco inteligente... mas que hei-de eu fazer, não sei ser de outra forma...
bacci
De
River a 30 de Janeiro de 2007 às 11:40
(Tu sabes) que sou generosa. Aliás dizem os que melhor me conhecem, bem como os que comigo trabalham todos os dias, que é das minhas principais caracteristicas...
Mas, não sei se isso é necessáriamente bom...
beijinhos
Em princípio tanto altruismo do dador é de desconfiar, no entanto, a Princesa melhor do que ninguém sabe como agir. Será que o que ele quer é música. Se é vais ter que te decidir, não é?
É um tema muito complexo. Muitas vezes quem dá dá com a única intenção de aliviar a consciência pela merda que faz.
Por exemplo será que é aceitável receber dinheiro para uma qualquer obra de caridade quando se sabe que esse dinheiro vem de fortunas conseguidas por meios menos licitos? ou mesmo em alguns casos dinheiro que vem dos traficantes de droga?
Eu quando ajudo ajudo porque acho que esse deve ser o papel de todos, ajudar quemn precisa, ajudo porque me dá prazer ver a felicidade na cara daqueles a quem ajudo, mas também eu sou um bocado egoista poiso mais fácil ser generoso em termos materiais do que em termos de gestos e atitudes pois esta generosidade custa mais e dá mais trabalho e eu confesso que quando ajudo o faço em termos materiais.
De maria.pekena a 30 de Janeiro de 2007 às 11:33
bom dia
Princesa, fica a dúvida, afinal o seu presente, considera-o envenenado ou nem por isso?
Mas k é um bonito presente, isso é....
bom trab
De nelson anjos a 30 de Janeiro de 2007 às 11:23
Embora o texto refira de forma explícita e sem equívocos todas as nuances possíveis no acto de dar, ainda assim a ideia de generosidade arrasta sempre consigo a ideia do "dar desinteressado".
Ora, a tese - admito que pouco edificante e ainda menos poética - que defendo sobre a matéria, é a de que somos todos interesseiros. Ninguém dá a outrem o que quer que seja sem esperar em troca uma retribuição. Nem que seja apenas um sorriso que queira dizer: "recebi". Ou um "muito obrigado".
O acto de dar consubstancia sempre uma forma de relação com o outro, em que o canal que a implementa tem sempre dois sentidos: o de dar e o de reconhecer. Claro que existe uma enorme diferença entre o dar obsceno, que Sissi tão bem tipifica no seu texto, e o dar discreto e elegante que mal se faz notado.
O dar cristão conta sempre com a recompensa interesseira de Deus. Mesmo aquele dar ateu e anónimo, em que a fonte é totalmente desconhecida de quem recebe, e em que não existe plateia para ver e aplaudir, credita-se sempre sob a forma de um acréscimo de satisfação na conta - não bancária - mas da auto-estima de quem dá.
cumps.
nelson
De Matie a 31 de Janeiro de 2007 às 10:28
Discordo: Não é saudável ser um "generoso compulsivo", para ter amigos. É bom sermos generosos, mas é preciso conhecer os limites para não desacreditar qualidades.
As coisas são boas em conta peso e medida. Tudo o que é demais enjoa!
cumps
De Xena a 31 de Janeiro de 2007 às 10:28
Bom dia a todos :)
Confesso que quando ajudo algumas associações de solidariedade (e faço-o apenas por transferência bancária pois sou demasiado egoísta e acho que tenho uma vida demasiado ocupada para ir fisicamente ajudar os outros) imprimo logo o comprovativo e entrego-o ao meu contabilista para beneficiar das compensações fiscais. No entanto poderia nem sequer ajudar... E ninguém sabe quem eu sou.
Depois vêm os amigos e familía, a quem dá prazer ajudar e sim, existe sempre a vantagem de saber que podemos sempre contar com eles. Mas afinal não é assim que funcionam as relações humanas?
Creio que os "presentes envenenados" a que a nossa Princesa se refere são demasiado óbvios e deveremos ser nós próprios a ajudar a pessoa que nos quer "ajudar", começando por levantar a sua auto-estima.
Beijos & vénias
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