Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007
Domingos
Os domingos são os domingos são os domingos. Para além de antecederem as segundas feiras, os domingos servem para uma coisa, e uma apenas: ver televisão. E foder, claro, but that goes without saying.
Ora, estava eu ontem no zapping costumeiro, entre o Sexy Hot e o Canal Odisseia, quando faço uma paragem pelo Fox Life e principio a assistir ao reality show mais estúpido do mundo. Constava em colocar à prova quatro casais azucrinando-os ao limite de se colocarem debaixo da primeira ou primeiro que aparecer. E digo isto porquê? Porque as mulheres são colocadas numa ilha com 30 marmanjões dispostos a roubarem a dignidade dos princípio feministas, e 30 marmanjonas, prontinhas a abanar o quadril e desencaminhar o mais fervoroso adepto da monogamia. Ao longo de duas semanas, a produção do programa coloca os participantes em situações passíveis de infedilidade, com muito álcool à mistura, e manipula imagens que prontamente mostra às suas caras-metade.
Claro que depois temos situações bonitas como esta:
«Janine, você acha que Leonardo a vai trair?»
«Não, eu acredito profundamente nele, tem um carácter maravilhoso e me ama muito»E enquanto a Janine alude às virtudes do seu companheiro, essas palavras são ilustradas pelos amassos do dito a uma das «sedutoras» de serviço.
Lindo.
E eu pergunto: será que a ocasião faz o ladrão? Ou a infidelidade faz parte de nós?
De sb a 30 de Janeiro de 2007 às 13:01
Li uma vez que no Tibete, creio, a androgamia é permitida (mulher com vários homens) - isso fez-me ter vontade de viver lá ou nalgum lugar com "lei" identica ;)
Mas quanto `a infidelidade, creio que só é infiel quem nao está satisfeito com a relacao que tem.
bjs a tds
De Sandra a 30 de Janeiro de 2007 às 10:08
A infidelidade pressupõe mais gente satisfeita que insatisfeita uma vez que envolve sempre mais do que 3 entidades: 2 que fodem, felizes, e 1 que fica agarrada (ao par de cornos), caso venha a descobrir.
De nelson anjos a 30 de Janeiro de 2007 às 09:20
Sim.Sim-oh.Sim ficou-se apenas pela referência ao enunciado de Engels. Mas penso que uma discussão mais aprofundada da questão não poderia deixar de fora esta outra perspectiva.
Recusando-me a uma interpretação simplista do "marxismo", segundo a qual, em última instância, a economia determinaria tudo, penso que, num sentido alargado do conceito - de economia - determina muita coisa.
cumps
nelson
De
JAP a 30 de Janeiro de 2007 às 00:33
A questão levantada pela nossa Sissi neste post tem gerado uma discussão muito interessante. A questão da infidelidade (ou da predisposição para a infidelidade) é também das que mais coloca em evidência uma coisa que procuramos evitar a todo o momento: a diferença incontornável entre o comportamento dos dois sexos. E essa está gravada na nossa matriz biológica. Sem querer colocar a conversa num plano demasiado académico, gostaria de recordar uma obra dum autor britânico – Simon Andreae, sexólogo e produtor de televisão (uma espécie de Marta Crawford da BBC) chamada na tradução portuguesa (Anatomia do Desejo (http://loja.campo-letras.pt/prod_details.php?categid=95&productid=748)) (edição da Campo das Letras). Neste livro, Andreae argumenta (numa base biológica e genética) que homens e mulheres não procuram as mesmas coisas: o homem produz cerca de três biliões de espermatozóides por dia (o que teoricamente seria suficiente para fertilizar hoje todas as mulheres do mundo) e a mulher, por seu turno, gera apenas um único óvulo por mês. Sendo certo que ambos procuram reproduzir-se (já se disse isso por aqui), a tarefa está muito mais dificultada para a fêmea. Durante milhões de anos comportámo-nos como os nossos parentes chegados (chimpazés e outros primatas): fecundámos fêmeas a perder de vista, deixando-as a tratar da descendência, como de resto a maior parte dos macacos ainda faz. O problema foi que começámos a evoluir, a cabeça do feto começou a crescer e começou a assumir a dimensão desproporcionada que hoje tem, provocando com isso o aumento da mortalidade da mãe e das crias. Nessa altura o macho teve que decidir: ou continuava a comportar-se como até essa altura e via a sobrevivência da sua descendência comprometida, ou auxiliava a fêmea, ajudando à sua função maternal, e assegurando com isso que os seus genes se transmitiam. Nesse instante nasceu para a espécie Homo Sapiens a família monogâmica, compromisso que contraria a programação cromossómica deste animal. Em termos de tempo biológico, estamos ainda no período de adaptação a este novo registo comportamental, por mais que nos inspirem os valores morais, educacionais e civilizacionais do tempo que vivemos. Não é pois de espantar que a maioria dos comentários aponte o homem como o mais predisposto para a infidelidade. Os cromossomas não (se) enganam...
Your highness (vénia).
De sim.sim-oh.sim a 29 de Janeiro de 2007 às 23:34
Boa noite Princesa e "fieis" subditos.
Segundo Engels, a monogamia surgiu quando surgiu a propriedade privada.
Gabriel Garcia Marques diz que o coração humano é como uma casa de prostitutas, tem muitos quartos, cabe lá muita gente!!
A poligamia é inata ao ser humano e a monogamia é um comportamento adquirido. Portanto o melhor é termos cuidado com o nosso frontespício... nunca está a salvo.
A quem interessar, deixo uma rezinha (recomenda-se ao levantar e ao deitar):
"Meu Deus, fazei com que eu nunca o seja,
Se fôr, com que nunca o saiba,
Se souber... que não me importe!!"
Kisses
De
clea a 29 de Janeiro de 2007 às 23:27
Acho que há pessoas que são naturalmente fiéis ao parceiro.
Acho que há outras pessoas que com algum exercício conseguem ser fiéis.
Há outros que não são fiéis mas gostariam de ser e sofrem com isso.
E, ainda há os que curtem ser infiéis.
Então não será mais lógico que quem não é capaz de ser fiel não assuma com outra pessoa esse compromisso?
O que me parece incrível é que pessoas que não acreditam na fidelidade assumam compromissos com outros assegurando fidelidade, quando o que esperam na realidade é que o outro lhes seja fiel.
Não vale a pena mandar as culpas todas para cima da religião ou a da sociedade hipócrita. Cada um que assuma o que quer da relação e diga-o frontalmente ao parceiro. Ele aceitará ou não. Que se corram os riscos, mas que se actue em consciência. Não é fácil, mas não é impossível. Chama-se a isso maturidade e verdade.
bjos
De verde a 29 de Janeiro de 2007 às 22:28
Fiéis são os cães...
De verde a 29 de Janeiro de 2007 às 22:28
... e nem todos!
De Zezinho a 29 de Janeiro de 2007 às 22:11
epah... eu raras vezes me contenho... mas kd n m contenho sinto m pior ke estragado... mas kd acontece nunca dou importancia ao assunto e considero apenas como um esvaziamento para mudar os likidos de vez em kuando.
coraçao k nao ve tambem nao sente
De
Mrs Jones a 29 de Janeiro de 2007 às 21:58
Benvinda querida princesa.
Boa noite a todos.
Nesta questão concordo com o Nelson, quando diz que fidelidade/infidedidade são conceitos que não se referem ao comportamento dos individuos e sim ao modelo de relação.
Todas as relações têm regras. Não interessa se foram criadas socialmente, se têm origem em pressupostos religiosos, ou se reflectem pura e simplesmnte as vontades expressas dos interessados. O que interessa é que sejam claras para ambos no momento em que as aceitam.
Mudar as regras a meio do jogo e não avisar o parceiro é batota. Ponto. Curiosamente, parece que infidelidade é só quando a batota mete sexo.
Para mim, fidelidade mesmo, mesmo, pura e dura, é aquela que não é racionalizada, não é equacionada, não é ponderada. É quando somos "fiéis" (que raio de palavra) porque nos é impossível não sê-lo.
Mas acho que isto é coisa de gaja.
Beijos.
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