Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006
Vou ali a casa e já venho
Voltar a Lisboa de férias não significa apenas destilar pelas ruas do Bairro Alto ou depurar a pele à beira da piscina.
Voltar a Lisboa de férias não significa apenas praticar o câmbio e engrossar a facturação das HM´s e Zara´s.
Voltar a Lisboa de férias não significa apenas o riso, o chiste, a saudade e as histórias.
Voltar a Lisboa de férias significa sobretudo a percepção que enquanto o mundo gira lá fora alguma coisa ficou parada cá dentro. Significa ouvir músicas repassadas e dejá vue culturais apresentados com rótulos de novidade, relembrar contumélias e piropos ordinários que julgávamos já esquecidos, ideias e preconceitos que tresandam a naftalina e formol, embrulhados numa tolerância falsa, paliando o atraso.
Escrevo este post sentada num banco no Largo do Carmo, lugar historicamente ligado a grande ruminações, excitações, revoluções e esperança. Atrás de mim três bêbados cantam e divertem os turistas que ainda enchem Lisboa. É ridículo. Neste quadrado à sombra das esplanadas que o invadem, os tristes dão um espectáculo patético. Somos os palhacitos da Europa...
Valha-nos o bom tempo...