Quinta-feira, 20 de Julho de 2006
O Jogador
Tirando os sádicos, não ha nenhum tipo de homem que me assuste. Com maior ou menor dificuldade, tenho conseguido lidar com todos os que me tenho esbarrado com os resultados que a ocasião pedia. Porém, há um tipo de gajo que, não me fazendo fugir, também não me faz exultar. Falo dos jogadores.
Concedo que todos jogamos um jogo. Uns contra o mundo, outros contra si próprios, cada um encontra como pode formas e formatos de encaixe, dependendo a ergonomia desse contorno do que estamos dispostos a fazer. No entanto, falo de uma casta de tipos que se movimenta noutro plano. Não entrando na escala da apreciação valorativa, há uma certa sobranceria no jogador. Aquela noção de que a bola está intrinsecamente do lado deles e é movimentada ao ritmo dos seus humores. Bebem da cartilha do bluff como quem bebe um copo de água e divertem-se com a sede dos outros. Transpiram peremptoriedade e retórica. Elaboram sob hermenêutica e demagogia.
Obviamente que não demonizo o jogador. Quando não é comigo até lhes acho piada. Quando não sou eu o parceiro do outro lado da mesa, consigo até apreciar as jogadas de mestre. Acontece que eu não sou uma jogadora e tenho muito pouca paciência para jogar. Aliás, precisamente porque não nasci com a capacidade de aguardar tenho pouca resistência à frustração que sempre me provocam os jogos. Não vendo resultados, ou não os vendo positivos para o meu lado, aborrece-me. Enfada-me. Claramente, eu não sei jogar.
Não nasci com esse poder de antecipação e hiperventilo com facilidade. Gosto da vida calma e gosto de a viver como ela se me apresenta. Não tenho planos para os outros, a existência deles não me atormenta ao ponto de paralizar, agindo. Não há um ponto, uma estratégia escondida, um não dito. Gosto da simplicidade de achar que as pessoas e as coisas podem ser simples.
E por isso não jogo.
De
Llyrnion a 21 de Julho de 2006 às 21:44
"terão de jogadoras eventualmente, mas como seres menos cerebrais seremos, também, menos dadas as exercícios do género."
Nah, n acredito... essa história de serem "menos cerebrais" (imagino q o reverso da medalha seja o "mais emocionais") já n me convence há algum tempo.
IME, as mulheres entram mais vezes e com maior entusiasmo no jogo.
cara sissi,
belo post.
Também eu não sou jogador, aliás nunca fui. Nunca tive perfil para assumir o papel de predador e nunca tive paciência para me armar em presa. Sempre tive mais queda para espectador atento e crítico dedicado do dito fenómeno. E sabes o que é curioso? É que nas bancadas também se conhece gente, no fundo também se está a jogar, se bem que a um nível mais calmo.
Mas mesmo estando completamente de fora, acho que o perigo não estará tanto nos jogadores (os verdadeiros, os que assumem o seu estatuto com orgulho na lapela) mas sim nos outros, nos que não "transpiram peremptoriedade e retórica"...
De St. J. a 22 de Julho de 2006 às 22:07
Zizzi, my Luv,
Play it zimple, play it ztraight!
Adorável princesa das letras mil, entabulai um sonho para que eu, em enredos quiméricos, jogue minh'alma.
Por «transpirar», já ia um mergulhão...
Like to zee ya zmile.
Luv, Lot'z of,
James, St.
Zo? A good ztuff, az alwayz! Poste zempre azzim ;-)
De Onça da Rodésia a 23 de Julho de 2006 às 09:42
Como no Jogo do Bicho, malandro não espera, malandro dá um tempo. Laissez les bons temps rouller...
De Nelo Vingada a 23 de Julho de 2006 às 10:02
Vegas? Wall Street? Cova da Moura? Quinta do Mocho?
Tão a 'rénar', certo? Atão e os pintas que andam na corretagem em Londres? Esses gaijos que foram lá para as chinas mandar buracos nos derivados. Antes ser taxista em Paris ou andar a amparar os balneários do Chelsea... Ou, porque não, a aplicar o carcanhol ao Mourinho...
Jasus! Com tanto jogador no desemprego que anda a afagar tacos e nem consegue um lugar na terceira divisão como suplente de esfrega bilhas...
De Burt Bacharat a 23 de Julho de 2006 às 10:06
I JUST LIKE YOU. AS CAVIAR
De Rosie Rose a 23 de Julho de 2006 às 10:29
Q: What's in a name?
A: Sissi!
Nas verdes encostas de Greenwich podemos beber a cidade de dia, de frente para as grandes torres, com o Citigroup a impor presença. Mas também podemos jogar às estrelas de noite, com o olhar, ao longe, sob o efeito dos neons do grande vibrador.
Mesmo ao sol, quando fechamos os olhos, conseguimos adormecer, sem jogos. Impregnados pelo cheiro do corte da relva. Em pleno meridiano do Mundo.
Xxx's
((haja pinot))
Sissi dahhhhlink,
Graci mille, isto de ser gaja tem o seu que ;)
Um solinho sim, que o tempo a isso convida e o corpo pede.
Hasta!
De
sissi a 21 de Julho de 2006 às 16:03
Querida GK,
eu nao sofro de envelhecimento prematuro. Quanto muito, sofro de rejuvenescimento cronico...
Obrigada pela preocupacao mas nao ha razoes para tal...
beijinhos
De
sissi a 21 de Julho de 2006 às 15:26
Sara darling,
todos os jogadores sao medricas...todinhos...sem tirar nem por...obrigada por teres descoberto o ponto, o subtexto...ele ha coisas que so as gajas entendem, nao e...?
beijos darling
PS: domingo vamos apanhar um solinho...? :)
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