Domingo, 25 de Junho de 2006
O amador e a cousa amada
Há coisas que só as mulheres têm capacidade para fazer. Outras que fazemos como ninguém. E ainda outras em que somos especialistas. Uma delas é ler sinais. Não conheço como nós para ler os subtextos e as entrelinhas. Roland Barthes ao pé de nós é um mero aprendiz de feiticeiro tal é a nossa competência em conferir à Hermentêutica novos significados.
Falo, obviamente, de um contexto específico. Daquele que concede à imaginação uma indulgência tal, que os mais elementares sinais são objecto de elaboradas e aturadas interpretações: a cena social de interacção homem/mulher.
Uma vez aí, estamos em casa. Abrimos essa grande porta de entrada da imaginação e deixamo-nos levar por observações de grande pertinência agindo, obviamente, de acordo e ao nível das nossas conclusões.
Na Guerra dos Sexos, as mulheres estão em vantagem intelectual. Temos uma vida interior mais rica. De outra forma, como sobreviveriam as revistas femininas? Onde é que elas iriam retirar resultados tão brilhantes sobre o que deve ser a atitude das mulheres face aos homens? No fundo, o lado esquerdo cérebro feminino dá de comer a muita gente. Se não fossemos nós a assimilar coisas de uma forma que mais ninguém faz o mundo seria mais cinzento e chato.
Quando confrontadas com a situação universal e comum de António que ama Maria que ama João que não ama ninguém, nós, mulheres, tendemos a explicar a equação com várias opções. Connosco nunca nada é apenas aquilo que parece. A cigar is never just a cigar. Recusamos o facilitismo. Abominamos a simplicidade. E, muitas vezes, ignoramos a inteligência...
Pior que isto, só mesmo estando em estado de pré-paixão. Aí sim, somos nós mesmas em todo o nosso esplendor. O mundo inverte-se, os códigos alteram-se e a vida passa ser uma gigante bolha pintada de um optimista cor-de-rosa. Os nossos olhos brilham tanto que o reflexo desse brilho ofusca a mente. Enganamo-nos, consciente ou inconscientemente, numa idiossincrasia inscrita no nosso DNA.
Em estado dito normal, a coisa funciona de forma semelhante. Um chiste bem mandado por alguém que se conhece mal é, sem dúvida, um interesse amoroso, um elogio, obviamente, é um convite de cariz sexual. O que valorizamos nas pessoas como um todo, quase deploramos nos homens quando não os amamos. Não há crédito devido.
Somos este bicho raro nós. Mas se não fosse esta espécie de sinecura com que nos permitimos alegrar, a nós e aos outros, o mundo seria muito menos interessante...
"E ainda outras em que somos especialistas. Uma delas é ler sinais. Não conheço como nós para ler os subtextos e as entrelinhas."
He he he... peço desculpa princesa, mas nada como um bom Cabrão para deitar toda essa teoria por terra.
Quanto ao resto do post, está mestral, tiro-lhe o chapéu. Basicamente o que la Principessa diz é que as mulheres são perfeitas e, quando não o são, é porque não o desejam ser :).
(quase que sinto um leve esgar do túmulo de La Palisse).
Sem querer fazer pub ao meu estaminé... Care to comment on this?:
http://oinconformado.blogspot.com/2006/06/sexo-na-cidade.html
Baci Mille
De
sissi a 26 de Junho de 2006 às 10:59
Caro Piment,
talvez nao me tenha explicado bem, mas o texto pretendia ser ironico...todo ele...nunca disse que as mulheres sao perfeitas...pelos visto os meu caro tb n sabe ler nas entrelinhas...:)
cumps
De St. J. a 26 de Junho de 2006 às 11:29
Cara Sissi,
Li-a com gosto. Até diria prazer, não fosse eu formatado no team dos quarteirões cerebrais opostos - admito que deste lado somos intrinsecamente solidários (brota-nos do subconsciente) e nunca cedemos de forma gratuita à vaidade feminina (sem a cenoura em riste, não vamos lá). O nosso código genético é explícito: se o fizermos (se cedermos com cortesia), sabemos que estamos fritos.
Não quero dizer que não reconheço a virtude onde ela existe (é a chamada generosidade masculina).
E dou-lhe razão: Sem tudo isto, o mundo era mesmo desinteressante. Senão - infelizmente - trágico.
Acrescento-lhe que, assim, perpetuamos o jogo...
Crescendo em Admiração,
St.
De
sissi a 26 de Junho de 2006 às 12:01
Caro Santinho,
fico contente de lhe ter dado um quase prazer. Principalmente por estar tao consciente da vaidade feminina, a qual nao escapo. Porem, sou menos formatada na questao da recompensa. Gosto da cortesia. E sou bastante generosa...
Com jogo ou sem ele, eu estarei por aqui.
Cumps
De St. J. a 26 de Junho de 2006 às 12:17
Cara Sissi,
Também dou tiros no pé. Sobretudo quando vejo jogos de futebol bem acompanhado, regados para além do suposto. Irritantemente, acabo por fazer figuras tristes, que sempre reconheço e em relação às quais peço desculpa. Confirmei agora mais uma gigantesca humilhação: aqui a espécie maculina consegue fazer passar um cordeiro por um urso. Um horror...
Cumps
De
sissi a 26 de Junho de 2006 às 12:27
Caro Santinho,
so coisas que chateiam e aborrecem nao e...?
cumps
De darkwildsoul a 26 de Junho de 2006 às 17:19
Tendo lido todo o blog desde o início em duas noite, escolho prestar a minha homenagem a tão nobre realeza precisamente no último post. Claro está que admiro toda a escrita, bem como o humor, ironia e frontalidade assumida num mundo predominantemente masculino (sendo eu um deles, como discordo de tamanha injustiça).
É de saudar esboçando um sorriso tal abertura para chamar os "bois pelos nomes".
Keep doing it
;-)
De St. J. a 26 de Junho de 2006 às 19:26
Sissi, Carissima,
Não resisto a confessar-lhe que as melhores coisas amadas se tornaram inconfessáveis, quer pela sua raridade, quer por serem hoje irrecuperáveis. De uma lista extensa: reconhecer a temperatura correcta a que se aprecia o Beluga; saber trabalhar a caixa de um V12 (a mulher que sabe conduzir é uma quintessência); ter 1,75 e calçar 36; apreciar a aurora na praia.
Porque o tempo não volta atrás e porque adoro dizer disparates,
Com Consideração,
St.
De
sissi a 26 de Junho de 2006 às 21:25
Caro Darkwildsoul,
assim envergonha-me...meu Zeus, ler o blog em duas noites, homem, é mesmo falta do que fazer...:-)
Seja como for, obrigada. Apareça sempre!
cumps.
Santinho,
Por serem irrecuperáveis e inconfessáveis é que ficaram na sua memória. Porem, se estava a ser literal, deixe-me que lhe diga que nada do que referiu terá que ficar para as calendas...
Ainda bem que o tempo não volta atrás. Sem ele não teríamos memória. E sem memória não haveria disparates...
Cumps
De
Llyrnion a 27 de Junho de 2006 às 23:40
Confesso-me um amador. Mas atenção! Não sou um amador qq! Já sou amador há tt tmp, q me tornei num amador profissional :)
Ler sinais? Não tenho jeitinho nenhum. Já aprendi isso há alguns anos, e fico-me por um "Não, obrigado". De tal forma q já deixei duas mulheres exasperadas a ponto de passarem do toque subtil da sua mão na minha coxa para o igualmente subtil toque da sua língua na minha.
Assim, sim! Estas subtilezas até um tapado cm eu percebe :)
Afinal, eu faço o mesmo; qd é para ir a jogo, vou e o resto - incl. a rejeição - q se lixe. A retribuição do favor só lhes fica é bem :)
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