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cenas de gaja

22
Nov05

Safe sex

sissi
Há coisas que me fazem uma «espéce» do caralho. Ontem jantei com uma amiga, daquelas que nunca pode estar comigo porque tem sempre imenso que fazer, ndr. ir a exposições, ler «imensa coisa», tomos enciclopédicos provavelmente, cinema, teatro, participar em colóquios, conferências, voltar a ler «imensa coisa», dar-se com a cúpula intelectual lisboeta, dar aulas na faculdade, enfim, a mulher não pára. Relações conheci-lhe algumas. Umas mais fugazes que outras, mais ou menos intensas, não interessa. Gosto dela porque apesar de não falarmos exactamente a mesma linguagem, dividimos a mesma opinião por um dos meus assuntos favoritos: o sexo. É das poucas mulheres com quem já partilhei casos (post mortem, entenda-se...os casos, claro...), e com quem falo abertamente das dúvidas que me assolam neste plano. Aqui a conversa flui sem grandes entropias. Partilhamos experiências como quem troca receitas vegetarianas e ajudamo-nos mutuamente a encontrar a fórmula perfeita para a performance sexual como quem procura o ingrediente secreto na melhor loja gourmet. Com ela, aprendi que o sexo pode e deve ser requintado, estético, que a plasticidade do acto lhe confere beleza e aumenta o grau de excitação.
Estávamos ontem em mais uma destas conversas, quando cai a pedrada no charco. Eu comentava com ela a dificuldade em fazer um bom broche com preservativo, na minha clara incapacidade de o colocar com a boca, quando sou questionada com a força de um trovão tropical: «Mas tu fazes broches com preservativo?», ao que eu respondo «Sim, no início, quando conheço mal a pessoa, todos nós temos um passado...». Silêncio. «Sim, ok, preservativo, claro, mas só quando há cópula, que sabes que eu tenho pavor da SIDA, mas ainda assim, eu nunca fiz um broche com preservativo.» «Mas eles vêm-se na tua boca?», ao que ela diz, «Sim, claro...»
O assunto mudou rapidamente o rumo. Ela porque ficou constrangida, eu porque fiquei embasbacada. Não consegui articular mais nada sobre o assunto, também não era necessário... Ficou no subtexto. É muito complicado depararmo-nos com aquilo que não sabemos e que é de capital importância. Foder sem preservativo é perigoso. Fazer broches e ter sémen na boca cuja proveniência conhecemos mal, também. Às vezes deleitamo-nos com a estética do acto, e perdemos aquilo que é verdadeiramente importante. Discutimos sobre se o sexo é legítimo, se é justo, feio, porco. Se somos umas putas na cama, umas freiras, frígidas, cabrões egoístas. Mas quantos de nós o fazemos, realmente, de forma segura?
Quem nunca pecou que atire a primeira pedra...

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