Sou naturalmente ambivalente. Sou casualmente diversa. Gosto de tudo mas tenho dias em que não me apetece nada. Quando era pequena, queria ser médica ou arquitecta, e depois jogadora de futebol ou bailarina. Hoje em dia, gostava de ser realizadora de documentários ou viajante. Sou racional e emocional no mesmo espaço de tempo. Gosto muito e não gosto nada com a mesma força. Sou maniqueísta e detesto manipuladores. Profissionalmente já fiz de tudo e ainda nada me satisfez completamente. O meu pantone tem cores estranhas e estou certa que muitas outras hão-de surgir ainda. E isto aflige-me. Porque embora saiba que não somos só isto ou aquilo, ser tanta gente em tantos milhares de situações diferentes torna difícil certos exercícios e trabalhos interiores, especialmente aqueles que acontecem quando quero analisar, pensar distinguir, chegar a conclusões. Obviamente, tenho conceitos transversais que são basilares para mim, sendo a liberdade o mais importante. Mas com quanta frequência seremos completamente livres? E como ser livre criando laços e estabelecendo ligações com os que estão colocados no nosso perímetro? O meu quotidiano é feito destas dúvidas.
De Milo Manara a 21 de Outubro de 2005 às 11:16
A liberdade, ou a falta dela, é o que mais me angustia. Na adolescência pensava que poderia viver com a máxima do Corto Maltese "Nasci livre, pretendo viver livremente". Hoje não tenho ilusões. Sobre isto escrevi um post (de título 75% fodido) num blog hoje semi abandonado:
http://efeitocoriolis.blogspot.com/2005_06_01_efeitocoriolis_archive.html
De Milo Manara a 21 de Outubro de 2005 às 11:16
http://efeitocoriolis.blogspot.com/2005_06_01_efeitocoriolis_archive.html
De Milo Manara a 21 de Outubro de 2005 às 11:18
Por algum motivo o link não aparece completo, mas é ir ao efeitocoriolis.blogspot.com e procurar em Junho...
De
sissi a 21 de Outubro de 2005 às 11:27
Milo,
o problema não é tanto concluírmos em adultos que as ilusões de adolescência não podem ser vividas. A questão coloca-se quando as continuamos a viver, mesmo percebendo que não é bem por aí...O difícil é largá-las,ou atenuá-las, quando elas são importantes e tão estruturais.
De Milo Manara a 21 de Outubro de 2005 às 11:36
Claro, concordo absolutamente. Por não as conseguir largar é que vivo angustiado, ainda que mais ou menos contente com o que tenho. A minha necessidade de liberdade éimpossível de satisfazer. Tenho consciência disso.
Fiz renúncias conscientemente, logo, teoricamente, livre. Mas a verdadeira liberdade não é condicionada, e todas as escolhas o são...
De
sissi a 21 de Outubro de 2005 às 11:48
Estive a ler o teu texto e ele entronca na minha principal preocupação (tenho q escrever um post sobre isso) que é o compromisso.
Sp me esquivei de comprar casa. Aliás, tenho pavor de créditos bancários, n tenho cartão visa e nunca comprei nada a prestações. Mas para além desta particularidade bizzara, tb nunca o fiz pq sp achei que era uma âncora que não queria largar ao mar... Não me arrependo de n o ter feito, embora entenda que isso não aconteceu pq as circuntâncias da minha vida pessoal tb n me induziram a isso. Hoje em dia, procuro alguém que, como eu, queira sair daqui. E ou muito me engano, ou o meu nível de fodibilidade virá bastante mais tarde. Lá para os 40 ou 45. Ganharei umas coisas, perderei outras, como em tudo. Mas o casamento e a maternidade n fazem parte dos meus planos, sendo estas as principais premissas pelas quais uma pessoa se fode. À grande...
De Milo Manara a 21 de Outubro de 2005 às 12:01
Certo. Mas há aí um paradoxo. Se queres sair daqui, para querer procurar alguém para ir contigo? Porque não, simplesmente, ir?
Este é outro assunto interessante, as dependências. Apesar de já não ser livre, continuo independente. Ao menos isso.
De
sissi a 21 de Outubro de 2005 às 12:20
Milo, tens razão no teu reparo, mas não me expliquei bem. Não necessito de ninguém para ir. Mas se me aparecer alguém enquanto não reuno as condições necessárias para tal, terá que perceber que o meu caminho passa por outras paragens...é mais isto que penso...;-). Assumo que sou dependente dos afectos e sou intensa nas minhas relações, sejam elas quais forem. Mas por outro lado, há sp um outro lado, tenho um espaço que é só meu e onde ninguém entra pq entendo que assim deve ser. Faço tudo sozinha, excepto ir à praia, n sei pqê, é uma pancada que tenho. De resto, aprender a estar sozinha foi das coisas mais difíceis que consegui mas aquela q mais me orgulho. Há alturas em que isso se faz com maior facilidade do que outras, mas regra geral, é muito bom.
Hoje de manhã, num post, reflectia sobre porque razão aparecem tantos "eus" nos blogues femininos.
"Já o homem só consegue ora coçar os tomates; ora queimar o arroz do jantar; ora cortar as unhas dos pés no sofá da sala. Uma coisa de cada vez. Está provado cientificamente", dizia.
De
sissi a 21 de Outubro de 2005 às 12:45
Assessinha (mistura seca de assessora com pimpinha),
concordo totalmente, mas isso não nos dá grande merda. Ao menos eles são básicos, é certo, mas têm infinitamente menos trabalho e chatices, logo, mais tempo para o que realmente gostam: bola, cu e mamas. E playstation. E são felizes. Já nós, cada uma de nós, podia perfeitamente fazer como a Barbie. Eu parece que já me estou a ver: sissi, a imperatriz, sissi, mulher a dias, sissi, puta na cama, sissi, sem um tusto para ir à fnac, sissi, sem um tusto para ir à HM, and so on, and so on...
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