Terça-feira, 27 de Setembro de 2005
As papagaias
Ultimamente tenho tido o desprazer de conviver com um dos tipos de pessoa que mais me desagrada. As papagaias. Aquelas que, há falta de melhor, imitam trejeitos, roubam palavras, surripiam ideias descaradamente e tomam-nas para si como se tudo aquilo fosse produto das suas articulações e pensamentos. Se essas pessoas forem mulheres, a coisa torna-se mais complicada. Porque sendo a pessoa menos competitiva que conheço, não estou totalmente desprovida desse mal e, como tal, numa situação de igualdade, já dei por mim a tentar ser a primeira a cortar a meta.
As mulheres papagaias enervam-me. Tenho uma amiga assim. Honra seja feita sua à capacidade de interiorizar as ideias dos outros e, consequentemente, entrar em personagem. Irrita-me que me sugue a imaginação e displicentemente a arremesse em conversas alheias. E eu entendo que todos nós fazemos isso, todos temos referenciais e matrizes, mas a reprodução acrítica de uma opinião escutada, o juntar letras e formar palavras sem um segundo de reflexão sobre elas é o suficiente para que o meu interessa se esvaia.
E eu e a minha amiga temos esse tipo de relação. Ela continua a ser uma amiga porque, obviamente, não a retalho. Ela não é só isto ou aquilo. É um todo que aprendi a gostar e a respeitar. Irrito-me com ela na mesma proporção em que me entristeço. Porque a vejo como alguém que já nasceu velho, que precisa de canibalizar as opiniões dos outros para se tornar numa mulher do seu tempo. E por isso calo-me. E continuo a conversar com ela e a ouvi-la como se me ouvisse a mim.
De
Bock a 27 de Setembro de 2005 às 10:28
Mas és amiga dela, não és? E continuas a ser, não continuas?
Pelos Amigos fazem-se sempre sacrifícios. ;)
De
sissi a 27 de Setembro de 2005 às 11:29
Sim às duas perguntas retóricas...;-)
Buenas!!!
De Lucília a 27 de Setembro de 2005 às 11:37
Sissi,vou ser um nadinha amarga:aconteceu-me uma coisa semelhante duas vezes na Vida,e posso dizer-lhe que foi uma questão de tempo até achar que há coisas que não mudamos nos outros (e vice-versa,claro!)e que,se não nos agrada,o melhor é mesmo sair de cena.
A amizade não justifica tudo!
Beijinho.
De
reverse a 27 de Setembro de 2005 às 12:15
Acho q há vários tipos de amigos. Há aqueles amigo/irmão/nossa imagem no espelho, e há outros, um pouco mais ao lado, um pouco mais atrás ou à frente, não deixando de ser amigos na mesma (ufa...).
Há q gerir um pouco a convivência com amigas como essa, porque senão a irritação começa a subir de tom, e a amizade deixa de ser o q era.
De
sissi a 27 de Setembro de 2005 às 12:17
Buenas Lucília,
concordo plenamente consigo. A amizade não justifica tudo, nem nada é legitimado apenas pelos laços que nos unem aos outros. No entanto, e no caso vertente, a coisa mantém-se porque a entendo, porque conheço os seus motivos, por mais irritantes que possam ser para mim. A maior parte das vezes conigo relevar, há dias, como o de hoje, que apenas faz com que o sangue corra mais depressa!!!
Beijinhos e obrigada!
De
sissi a 27 de Setembro de 2005 às 12:21
Ora bom dia!
Gerir amizades com mulheres não é o meu forte, e esta é totalmente fora do âmbito das minhas amizades regulares. Mas da mesma forma que o que nos une não legitima tudo, o que nos liga às pessoas tb tem uma explicação lógica. Ás vezes gostamos das pessoas porque gostamos e outras tantas temos que engolir em seco perante as suas idiossincrasias e mai nada! É mesmo assim.
Beijinhos!
De
Rosebud a 27 de Setembro de 2005 às 13:49
Olá Imperatriz :),
realmente, muitas vezes trata-se de engolir em seco e relevar, em respeito à amizade e ao que a pessoa é para além dos traços que nos incomodam ou irritam. Tenho uma amiga assim (don't we all?), não lhe chamo papagaia mas o epíteto permanece no reino animal: copycat (ou macaquinha de imitação mas, apesar do desagrado que os 'inglesismos' provocam ocasionalmente por estas bandas, prefiro copycat lol). Mais que sugar ideias ou expressões, esta minha amiga absorve decisões e modos de vida, o que acaba por se tornar drástico, já que no final aquelas experiências acabam soando a falso e dando muito menos do que poderiam dar. Se me apetece tirar um curso de fotografia, na próxima vez que conversamos já está motivadíssima pela fotografia (como se nunca tivessemos tido a conversa anterior e essa motivação lhe fosse primeira e genuína). Se planeio uma viagem, imediatamente o destino que escolho é eleito para as suas próximas férias. Se vou dar aulas, de repente tb adoraria dar aulas, apesar de já ter dito 500 mil vezes no passado que abominaria fazê-lo... Enfim, e por aí adiante. Apesar de essa sua característica me sufocar tremendamente, é uma amiga de quem gosto muito (é como dizes, não podemos retalhar as pessoas)e entendo que esta necessidade de clonar os interesses alheios se deve, antes de mais, à insegurança e à dificuldade em fazer escolhas que definam um caminho próprio para si e para a sua vida. Por isso, que remédio, há que ir praticando a arte da tolerância, conversando com ela aos poucos sobre o assunto e, acima de tudo, não esquecer todas as outras características que fazem dela a amiga de quem gosto tanto.
Já tinha saudades de te ler ;)))
**
De
Rosebud a 27 de Setembro de 2005 às 13:49
Desculpa, acho que me estiquei um bocadinho no post anterior :S (vergonhas)
De
sissi a 27 de Setembro de 2005 às 14:13
OLáááá Rosinhaaaaaa,
qual esticar qual carapuça!!! É assim mesmo! Se há coisas pa dizer, que se digam, coño!
E pronto, pa variar tou contigo! Não me quis alongar na descrição das apropriações, mas sim, tb as opções de vida acabam por ser muito semelhantes. Mas que fazer? Ele há pessoas que convocam em nós uma tolerância extrema. É o caso.
Beijos mtos!
De Anonymous a 27 de Setembro de 2005 às 16:06
Rosebud,
Over'n'out!
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