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cenas de gaja

22
Ago05

Vai um varão?

sissi
Na senda do «Procura a Mulher que há em ti», iniciei há algum tempo umas aulas de Dança no Varão. Antes de mais, dançar no varão é a dança das strippers. E não querendo fazer disto profissão, embora isto como anda nunca se sabe, faço-o pela curiosidade que sempre me provocou e porque faz parte de um caminho pessoal com contornos não tão simplistas quanto o relato que estou prestes a fazer.
Ao contrário do que esperei, a primeira aula não consistiu em duplos-mortais-encarpados-com- tripla-pirueta-apenas-com-uma-mão-que-a-outra-estava-agarrada-ao-varão. Não. Quiseram saber quais eram as nossas motivações. Minha e das cerca de 7 mulheres que lá estavam. Em oito, seis responderam que era para agradar aos maridos (embora dissessem muito rapidamente que era também para elas, para se sentirem melhor...), uma era aspirante a stripper, e a outra, euzinha, respondi que era por simples curiosidade, mentindo, descaradamente, com todos os dentes que tinha na boca. Depois da conversa inicial, e esclarecida que estava a Guru do Strip, iniciámos os movimentos. Varão nem vê-lo. «Há que entrar em contacto com o nosso corpo. Primeiro, temos que aprender a olharmo-nos ao espelho, a apreciar-nos para que depois possamos disfrutar do prazer de sermos olhadas pelos outros». Frase linda. Não fosse ter sido proferida por uma boazona escultural sem qualquer vestígio de camada adiposa até teria soado bem. Mas dizer isso a um grupo de mulheres, todas entre os 30 e os 35, numa maioria que vai ali pelos outros e não por elas mesmas é capaz de cair em saco roto.
Mas adiante.
Enquanto os «exercícios» não passaram de rebola a anca para cá, rebola a anca para lá, quadril para frente, quadril para trás, a coisa levou-se sem complicações de maior. O problema foi quando, ao ritmo de uma música que faria ressuscitar mortos convictos, e continuando a rebolar em sucessivos movimentos pélvicos, foi-nos sugerido («isto é só para quem quiser» - dizia a guru do strip) que nos tocássemos enquanto o fazíamos. Calma Torquemadas que entraram neste palácio por engano!!! A senhora sugería-nos um toque leve nas coxas, barriga, glúteos e peito (basicamente em quase toda a zona erógena...), para que nos sentíssemos sexy (palavra rasca que abomino).
Aí era ver o mulherio, no qual me incluo, todo encaralhado. A mim, que tenho grandes inimizades com o espelho, custou-me horrores. Mas como me tinha comprometido comigo mesma a fazê-lo, não ia desistir. Não há como, em apenas uma aula, desligares-te de uma vida inteira de preconceitos, próprios e alheios, de culpabilizações várias e medo do olhar dos outros sobre nós. Fazer em público, ainda que com contornos supostamente didácticos, uma coisa que muitas só ouviram falar e nem se atravem a pensar, é extraordinariamente difícil. Ser mulher e sentirmo-nos assim ainda mais. Daí a importância destas aulas, como complemento de um olhar atento para dentro de nós.
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