Quinta-feira, 2 de Junho de 2005
O Divã
Iniciei há algum tempo um processo e caminho terapêuticos que deitam o meu corpo no divã para que a minha cabeça possa voar mais longe. É esse o espírito da coisa. Ouvir uma voz atrás da nossa cabeça para que aquela que a povoa por dentro possa sair mais clara e cristalina.
Fã que sou dos filmes do Woody Allen, estava acostumada ao cliché inerente à psicanálise muda. Aquela em que o paciente é deixado ao vogar dos seus pensamentos, não raras vezes, desconexos e sombrios, sem que haja uma palavra que o questione e se faça luz. Aliás, questionar é o conceito centralizador do processo. Pelo menos daquele que é honestamente conduzido pelas partes em terapia. Eu e ela. Estar em processo terapêutico não é mais que deixar que alguém nos ajude a pensar sobre nós mesmos.
Obviamente, procurar ajuda é também esperar resultados. E eles aparecem. Suponho que, no meu caso, não estava preparada para tamanha mudança porque nunca pensei que deixasse tanta coisa e tanta gente para trás. Não no sentido não valorativo de ignorar a sua importância formativa, mas apenas porque deixou de fazer sentido a forma como sempre nos relacionámos. De uma forma ou de outra, passamos a vida a ser deixados e a deixar alguém, por um conjunto gigante de razões. Importante mesmo é que a vida faça sentido.
Com ou sem divã.
De Anonymous a 6 de Junho de 2005 às 17:41
Às vezes escreve-se direito por linhas tortas. Provavelmente, deves estar a precisar de receber palavras de carinho. Letras, são apenas letras... Ainda que doces, estão muito distantes do prazer provocado pelos beijos que o sol nos dava no rosto e na pele no teu "corner" da biblioteca. Dias quentes e lindos, minha querida. Dias saborosos e luminosos, que nos contagiavam de esperança para o resto da tarde. E dos dias...
Mas, vê lá tu, que ontem sonhei contigo. Estavas deitada com a cabeça no meu ombro, o chão era de madeira, e a sala tinha uma decoração mimimalista, como algumas que vemos no "Sexo e a Cidade". Só faltavam as caixas de cartão cheias de memórias para ser um cenário já "real". Bem, mas o teu rosto estava tranquilo, os teus lábios, entreabertos, falavam com a tua alma, e os teus olhos, felizes, dançavam com esssa tranquilidade toda. Estavas tão feliz... A vida, como referes, às vezes faz sentido. Espero que essa energia dos sonhos chegue ai, e contamine a tua realidade. Agora, hoje, amanhã e sempre.
Sem divã. Mas com um colo disponível para dar miminhos.
Beijinhos docinhos.
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De
baccará a 28 de Junho de 2007 às 21:44
baccará
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