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cenas de gaja

20
Nov08

Sleep(less)

sissi

Todas as noites, ao cair redonda no dossel real, ainda tenho tempo para pensar num detalhe que me deixa de fora de grande parte do mundo grelame: eu adoro dormir sozinha. Adoro. Mesmo. Adoro sentir o fresco da cama no Verão e o frio do Inverno. Gosto de abrir os olhos em direcção aos livros por ler e revistas por abrir. O lado esquerdo da cama pertence-lhes. Sempre que saco macho que pernoita, o sono dos justos transforma-se no sono dos incomodados. Porque apesar de partilhar o corpo, a cama e os olhos fechados encerram uma vulnerabilidade maior, que demoro a deglutir.

No dia em que um macho de estirpe me encontrar, vou ter problemas em explicar-lhe que a casa, como a cama, são espaços únicos, que serão habitados apenas por mim, para que possamos viver unicamente o que compete a dois amantes e companheiros de vida: o prazer, latu sensu. Para que quero eu partilhar o mau humor matinal, as contas, enxaquecas e unhas encravadas? Não senhores. Do meu amante quero a amizade e o amor. A logística pessoal guardo para mim e espero o mesmo de volta. Assim, quando o TPM me acertar em cheio e ele não estiver para me aturar, escuso de andar a fazer-me de forte quando me cruzar com ele entre o hall e a casa de banho.

A sério. Há merdas que me escuso de saber. Demasiada proximidade mata o interesse. Quando a coisa se torna demasiado familiar, lutamos por quê? Apre!

 

2 comentários

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    Ana Malmequer 20.11.2008

    E permita-me Sissi, parece-me que no meio de toda esta repulsa à aproximação do ser masculino nos meandros dessas paredes apalaçadas, a Sissi esconde uma defesa poderosa. Pensa no quão bom é dormir sozinha. Pois claro está, se pensar no quão bom é dormir acompanhada vai sentir-se só na imensidão desse palácio, onde passeiam felizes Miss Lola e sua mãe. E daí virá a constatação de muita coisa em falta na sua vida, que a sua racionalidade não lhe permite ter.

    Não cabe em mim tamanha solidão por isso perdoe-me se não se revê nestas palavras. Hoje a Sissi fez-me querer saborear com mais persistência a comanhia dele. Fez com que hoje, quando chegar ao meu jardim, dê valor a cada palavra, cada gesto, cada momento ao meu lado. Porque não é de solidão que vive o ser humano, e os Labradores não preenchem tudo o que há dentro de cada um de nós.
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