Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007
Valentim, o Obsoleto
Estava eu aqui a deambular pelo palácio, a esfregar as mãos de pele leitosa pelo contentamento de arrasar com o dia dos namorados, quando pensei: «Tu minha Sissi, minha eminência parda de tudo e mais alguma coisa, um Pacheco Pereira nas artes da vida vivida, não podes arruinar assim um dia tão importante para tanta gente!» E se bem pensei, melhor o fiz e decidi dar-me ao panegírico eivado (adoro pleonasmos) do dia do Valentim.

Gosto deste dia porquê? Porque, na realidade, ele não significa um caralho, tal como todos os outros dias de alguma coisa, ao contrário do que se quer pensar. Porque um dia de uma merda qualquer significa automaticamente a exclusão dessa merda nos outros dias todos e no meu calendário mando eu. Adelante. Depois é um dia bonito também porque recebemos peluches, flores, molduras a dizer I Love You (que Amo-te soa mal...), aventuramo-nos num restaurante um pouco mais carote que os que servem as tradicionais Entremeadas e Morcelas de Arroz e conseguimos não vir para casa a cheirar a fritos, depilamo-nos e esperamos pela foda «especial», cuja «especialidade» reside em ser a meio da semana, mandamos mais sms´s que nos outros dias e, na loucura, ainda nos vão ao cú.

Ora, eu não quero com isto dizer que todas estas coisas são más. Recordo apenas que o ano tem 365 dias e noites e que todas são boas para isto e muito mais. Enerva-me um pouco esta falta de imaginação em dedicar um dia aos namorados quando os próprios se esforçam de caralho em manter o namoro o ano todo. Digamos que é um dia que com o passar do tempo e evolução das relações se tornou como o penteado da Farrah Fawcett: obsoleto.

Maneiras que é isto.

publicado por sissi às 01:21 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Mrs Jones a 19 de Fevereiro de 2007 às 09:52
Nelson,

Não percebi muito bem o motivo do seu constrangimento. As questões em que concordamos? Há algum ponto de honra que dite o contrário?
Também não me convenceu de muitas outras coisas inadvertidamente e contra a sua vontade, se é isso que o preocupa. Sobretudo, não me convenceu de nada inadvertidamente e contra a minha vontade.
Aliás, parece que este seu comentário de hoje, com o exemplo da evolução da crisálida, vem precisamente ao encontro ao encontro da minha opinião acerca da "reciclagem" dos modelos.
Este embaraço em estar de acordo é por causa do género ou por princípio?

Bom dia.

PS: ao menos pescou alguma coisa de jeito?


De Ze-o-Terrivel a 19 de Fevereiro de 2007 às 10:32
Por este andar, estes dois ainda vão começar a falar da clonagem de seres humanos.

"Olhe por favor, eram 2 Angelinas Jolies e uma Gisele Bundchen..."


De nelson anjos a 19 de Fevereiro de 2007 às 08:37
Mrs. Jones

Quem "está feito" sou eu.

O que me preocupa não são as questões em que discordamos. São aquelas em que concordamos; e que me parecem ser já excessivas.

E, se a si a deixa furiosa o meu "adeus, vou pr'ó mar...", a mim deixa-me prfundamente embaraçado o seu "Só não me convenceu, até prova em contrário ...). A razão é que, se apenas não a convenci disso, devo concluir tê-la já convencido, ainda que inadevertidamente e contra minha vontade, de muitas outras coisas. Por outro lado também não faz para mim sentido o tal desafio da "...prova em contrário...".

Não sou apóstolo de causa alguma e penso que as provas contra ou a favor, do que quer que seja, são sempre temporárias; pelo que, "certezas" e "verdades" são apostas irremediavelmente condenadas a ser perdidas.

E, posto estes considerandos, vamos à questão: "a possibilidade de surgimento de um modelo estrutural completamente original". O "original", por si só, já permitia uma resposta, nos termos em que o problema se me coloca. Mas o "completamente" facilita ainda mais.

É que, no sentido absoluto para que julgo remeter os termos em que coloca o problema, direi que não me parece possível imaginar o que quer que seja capaz de observar esse requisito: ser "completamente original". Porque não me parece possível conceber o que quer que seja gerado a partir do nada. E ser assim "completamente original".

O que me parece é que, o novo surge sempre como alguma forma de evolução de uma situação anterior. Sem que isso, contudo, lhe retire essa qualidade de novo. Parece-me concensual que uma crisálida corresponde sem dúvida a um processo de evolução de uma larva (metamorfose). Sem que contudo não se verifique aí um processo de roptura e de uma certa forma de descontinuidade com o estado anterior.

É neste sentido que também admito a possibilidade do surgimento de "novas estruturas sociais", impostas pela necessidade de ajuste a novas condições sociais.

Desejo-lhe um bom dia. Foi um prazer esta conversa consigo.

nelson


De Menhir a 14 de Fevereiro de 2007 às 08:58
Dia dos mamorados ? pois é !
Quando vi o título do post, pensei que o obsoleto era o Loureiro. Do mal o menos, embora não pratique mem este, nem o do pai, nem o da mãe, nem o do menino jesus, nem qualquer outro.
Estamos transformados numa cambada de carneiros consumistas.
Bjs e Cmp.


De Matie a 18 de Fevereiro de 2007 às 15:57
Gostei do título: "valentim obsoleto"... Por um lado concordo que é um dia que não vale nada. Por outro, serve de desculpa para receber aquela tralha toda que só existe à venda nesta altura do ano (e, digam lá o que disserem, até sabe bem receber essas foleirices), ir a restaurantes mais carotes (alguns até fazem menus com preços especiais para namorados, o que é favoravel para "conseguimos não vir para casa a cheirar a fritos"), e até sabe bem uma foda-à-dia-dos-namorados.

Claro está que é preciso não esquecer que todos os dias são bons para tudo isto. É como dizes: O dia de S. Valentim é só mais um motivo para o fazer de "maneira diferente"... Ou não!


De Ze-o-Terrivel a 14 de Fevereiro de 2007 às 09:36
Na mouche, ilustre e clarividente Princesa!

O meu avo dizia: "boi atolado, pau nele". Mas agora os tempos são outros, o consumismo é uma droga e sem estas ocasiões de redenção e balões de oxigénio, as relações ainda eram menos duradouras.
Por outro lado, também ha os verdadeiros namorados, é verdade, uma minoria de romanticos dos 4 costados, god bless them, e claro, a maioria, os saloios, sejam eles de que natureza forem; boçais, betos, ou assim assim.

Para essa do penteado da Farrah Fawcett, so mesmo a peruca e os oculos do José Cid.

Cumps.


De Franzini a 18 de Fevereiro de 2007 às 23:26
Permitam-me contrariar a tendência,mas eu gosto do S.Valentim.É verdade,gosto mesmo. Acredito que havera quem não goste por razôes compreensiveis,no entanto a mim incomoda-me pouco o tão propalado consumismo (alias tal como no Natal,outra epoca que gosto). Se se quiser acabar com o consumismo que se acabe com o 13º mês,que se feche o comercio,sei la...deixem é ficar o espirito.Ainda que,e algo paradoxal, pertença ao clube TOLAN (que grande sugestão!),penso que não fale a pena avançar contra o Valentim (a não ser um tal de Loureiro),pois ja repararm que se não foste esta data,se calhar não se falava tanto no assunto?
Não critico quem pensa o contrario,limito-me apenas a ser algo conservador...


De Anônimo a 14 de Fevereiro de 2007 às 09:56
Tudo bem minha cara, mas o que é certo é que, a grande maioria das mulheres, se nestas datas "iguais a tantas outras", não são brindadas com um gesto de diferenciação por parte do companheiro, é uma chatice.


De Dark Red a 14 de Fevereiro de 2007 às 06:47
Então e como sobreviveríamos nós sem levarmos com aquela decoração cheia de corações nas montras das lojas desde Janeiro.
O dia dos namorados é apenas uma ponte entre o Natal e o Carnaval. Algo para manter a decoração fresquinha.
E vão ser estas balelas todas e o consumismo e tretas que tais que me vão impedir de dar a queca especial do dia dos namorados? Ah não, não não!!!
E no dia a seguir vem a especial pós-dia-dos namorados. E no outro vem a especial que-grande-festa-hoje-é-sexta and so on, and so on!
:)


De nelson anjos a 14 de Fevereiro de 2007 às 06:04
Princesa

Totalmente de acordo! - que é uma coisa que em mim não acontece muitas vezes.

O Valentim pretende celebrar o "namoro" - refiro-me ao convencional - instituição fundadora do casamento (foda-se !)- que por sua vez é a instituição fundadora da "família". Foda-se outra vez ! (Este é o meu vocabulário de reserva, que utilizo apenas nas grandes ocasiões).

Namoro-casamento-família: eis uma cadeia por cuja rápida extinção, por essa sim, me comprometo desde já com uma peregrinação a Fátima. Mesmo que seja ao pé-coxinho!


Cumps.
nelson


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