Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
Sissi Responde - O Triângulo
Minha querida sissi
Desde já os meus parabéns pelo seu excelente Blog, simplesmente espectacular! Mas venho aqui pedir a sua excenlentissima ajuda. Há alguns anos atrás, como quase todas as mulheres tive uma grande paixão por alguém, trabalhava na mesma empresa que eu, o nosso relacionamento era puro sexo (nada mais), apesar de ser a minha grande paixão, notava que da parte dele havia simplesmente um carinho e uma enorme atracção por mim, neste momento sou casada com um homem de quem gosto muito, tenho 1 filho, mas o que é certo é que esse homem continua a trabalhar na mesma empresa que eu e confesso ainda desperta algo em mim (não fosse ele a minha grande paixão), já fomos almoçar várias vezes, já lhe dei pra trás muitas outras, talvez por me ter feito o mesmo no passado ou talvez não, não sei! Tenho alturas que desejo loucamente estar com ele, tenho outras que não (acho que já não me conheço), tenho receio, como deve calcular, o nosso corpo muda, fiquei um pouco mais forte e sinceramente na altura de combinarmos algo mais quente :-), fico completamente apavorada, nao sei porquê, talvez um pouco de vergonha do meu corpo ou não! O que é
certo é que nunca consigo, gostava que me desse a sua opnião, visto ser uma mulher com alguma experiência neste campo e não só claro, de vida também e que me ajudasse um pouco a resolver este pequeno problema.

Obrigado

Um grande Beijinho

Súbdita Devidamente Identificada

Estimada Súbdita,

Parece-me que está um pouco confusa em relação ao que quer desse homem e o que pretende fazer com o que diz sentir por ele. Fiquei sem saber se não avançou por não se sentir bem com o seu corpo se por respeito ao compromisso que mantém com o seu marido. Em qualquer dos casos, e fazendo o melhor para sacudir as alegações morais para debaixo do tapete (que é onde devem sempre estar), parece-me que terá que pesar na balança esses sentimentos contraditórios e perceber o que é mais importante para si. Se manter a sua relação a salvo das paixões antigas, se dar azo à pulsão forte que parece continuar a uni-la a esse homem.

De todo o modo, parece-me claro que esse homem quer de si o que durante muito tempos vos juntou: sexo. Se acha que consegue lidar com as especificidades de um triângulo amoroso/sexual, não deixe a sua percepção de si mesma impedir que assim seja. Se chegar à conclusão que essa paixão não merece ser glorificada, guarde as memórias e as vontades num recanto mais escondido e sublime-as o suficiente para que elas não incomodem.

Um dos grandes problemas das mulheres (dos homens também, mas em menor número) é não perceberem que tudo na vida é um exercício de auto-disciplina. Tudo depende da nossa vontade de colocar o que nos magoa e não interessa para trás das costas. Dizer não é mais fácil do que se pensa. É MESMO só querer. Muitas vezes deixamo-nos arrastar em torrentes autofágicas, de desrespeito por nós mesmas, porque insistimos em perpetuar situações há muito terminadas, finalizadas aos olhos de todos menos aos nossos. Porque enquanto vivermos esse desespero sempre vivemos alguma coisa. Felizmente há momentos é que o nada, o zero, o buraco negro, é bem mais saudável que as flores fajutas de uma ligação inexistente.


Disclaimer: Este consultório não é profissional, como imaginam. Aqui não se resolvem problemas, conversam-se. O que terá apenas a importância que cada um de nós lhe der. As questões serão respondidas por ordem de chegada, todas as quintas-feiras.

publicado por sissi às 11:04 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Marciana a 11 de Janeiro de 2007 às 15:08
Subdita faz-nos tão bem sentirmo-nos vivas não é?? Só que lhe digo que VIVA! Nesta matéria não há opinião que lhe valha, sá a sbdita poderá resolver e se calhar até nem é dificil de resolver ;)

Sissi (vénia)


De asdrubaltudobem a 11 de Janeiro de 2007 às 15:10
minha querida sissi. A eloquência das suas palavras deixa-me de queixo à banda. qual julio machado Vaz qual quê, o que esta a dar é a dRª sissi.


De Mize a 11 de Janeiro de 2007 às 15:21
Cara Marciana,
Não posso estar mais de acordo consigo. É mesmo bom sentirmo-nos vivas!!

E apenas acrescentaria uma reflexão: Se nos dão o livre arbítrio de escolher o restaurante, ou o chefe, que nos alimenta uma das necessidades primordiais de vida, porque não podemos escolher com a mesma leveza de espírito quem nos faz sentir vivas? coisas de gente crescida....

Beijo e vénia


De nelson anjos a 12 de Janeiro de 2007 às 12:01
A perplexidade da súbdita, perante as dúvidas que se lhe colocam, levanta, em termos mais gerais, a questão da actualidade - ou não - da velha tábua de valores e código de conduta desenvolvidos no quadro da não menos envelhecida instituição família. E penso que é a validade de uma e outra coisa - instituição e valores - que faz cada vez mais sentido hoje questionar.

Não existem nem instituições nem códigos de conduta eternos. Uns e outros constituem formas que o homem tem desenvolvido ao longo da sua história, com vista a facilitar-lhe a existência em quadros sociais concretos. E hoje a família constituirá, tal como outras instituições - quiça o próprio modelo de civilização - soluções em fim de prazo de validade. Muito embora todas as operações plásticas a que foram submetida nas últimas décadas.

Posto o que, são indiscutivemente bem vndas todas as "facadas no matrimónio", que não devem ter outro significado que não seja o de eutanásia para doente em estado vegetativo terminal. Neste caso, a decadente instituição familiar.

cumps
nelson


De Gui a 11 de Janeiro de 2007 às 11:12
Cara subdita, se não consegue desligar essa paixão. de passa dias a pensar nisso em vez de dar atenção a quem relamente precisa dela, o melhor é mesmo marcar encontro com esse seu colega e verificar por si só se realmente é o que quer. Muito provavelmente depois de fazer sexo com ele vai descobrir que as coisa já não são o que eram e que na verdade o seu marido é muito melhor, tira daí a idea, diz adeus e não volta a pensar nisso.


De sissi a 11 de Janeiro de 2007 às 12:37
Estimado Tamagoxi,

com o respeito que me deve a sua opinião, vamos tentar não entrar nos juízos de valor. Além disso, nada no texto diz que o marido da Súbdita a trata bem ou mal, gosta ou não dela. Isso são especulações suas. Estas questões podem ser complexas para quem as vive e só nos merecem respeito.
cumps


De Antão Bordoada a 12 de Janeiro de 2007 às 03:27
Cara fraulein Wittelsbach:

Menos mal que o faço-e-aconteço do "anglófilo" que não sabe soletrar H-a-r-v-a-r-d demorou menos do que um ciclo lunar. Foi, até agora, o maior insólito deste sítio tão castiço. Certo é que sem comentários o seu cantinho perde muita da sua pilhéria. É muito fácil instituir uma política de moderação de comentários que mantenha o turpilóquio e os insultos a léguas, sem necessidade de ir incomodar o velho Winston, o qual, disse um dia 'I like pigs. Dogs look up to us. Cats look down on us. Pigs treat us as equals'.

Dito isto, passemos ao assunto do consultório: quanto a mim é uma uma armadilha. Alguém a quis compelir a ser "nonchalant" acerca da infidelidade conjugal, sob forma escrita (ou crê que alguém aqui estava à espera que dissesse qualquer coisa do género "ó minha cara amiga, pela sua rica saúde, não quebre os sagrados votos, blah, blah, blah"? Tudo aquilo que dizemos/escrevemos será usado contra nós...)
Na realidade, ninguém se aconselha junto de quem quer que seja, sobre um assunto destes; se está para isso fá-lo sem grandes delongas, se não está, não o apregoa.

Quanto à fidelidade conjugal, o cínico que há em mim desde a mais tenra infância julga que só permanecem fiéis aqueles que não têm ocasião ou utentes para inverter essa condição. Julgo que a "infidelidade" (uma categoria que repudio, dado ser profundamente católica, ergo chantagista, criancinhas definitely included) é inelutável. Li, há tempos uma entervista da grande filósofa Joni Mitchell na qual ela afirmava ter concluído que a paixão é um truque quimíco (e, portanto, físico) da natureza para que nos reproduzamos e que está, como tudo o resto neste universo, condenado à entropia - o que não impede que seja cíclica e ressurja que nem fénix noutro pássaro. Eu também acho e sou da opinião que devemos reservar a moral para outras coisas: é, por exemplo, profundamente imoral criticar nos parceiros aquilo que estamos gregos de fazer ou não fazemos por falta de coragem ou não pensarmos na saúde da pessoa que troca preciosos fluidos vitais connosco.
Para acabar, a minha declaração final sobre o assunto, sob a forma de outra citação (de Renato Zero, uma espécie de Ney Matogrosso avant la lettre do país do esparguete, idolatrado pelas baby boomers mal fornicadas e pelos instalados chegados à encruzilhada "a tipa que passou a vida a dizer-me que não ou aquele coleguinha novo com barba de três dias?"):

O triângulo, não
não tinha pensado nisso.
De acordo, vou experimentá-lo
A geometria não é um crime.

Principalmente desde que não chateemos o outro no caso dele o fazer mais do que nós. Feliz ano novo para todos.


De verde a 11 de Janeiro de 2007 às 22:41
Fico sem palavras com a(s) resposta(s) da Sissi. Não posso estar mais de acordo.
E sobre questões de moral, ética e outras merdas que cilindram as nossas vidas, estamos falados. Acautelado o absoluto respeito pelo(s) outro(s) tudo, mas tudo, devemos fazer para sermos felizes...
E os moralistas que se f...


De uerbaiur a 11 de Janeiro de 2007 às 23:04
Ola sim.sim-oh.sim

Aquele que hoje lhe faz arrepios, um dia os arrepios na presença deste serão de sinal contrario.
Não deverá ser por ai que devemos escolher os nossos parceiros, aqueles que irão ser o Pai/Mãe dos nossos filhos, os avós dos nossos netos e por ai além. De tudo temos que encontrar o parceiro/ou parceira que nos irão dar um pouco de tudo de acordo com o decorrer dos tempos. Depois da paixão repentina outras coisas terão que vir. Primeiro paixão com muito sexo, mas passados muitos anos, peço-vos para veres alguns dos vossos avõs de mãos dadas a passear os netos no jardim, ou a tomar o pequeno almoço juntos, ou a fazer uma viagem.
O comboio da vida quando se aproxima da ultima paragem, os seus passageiros são muito comunitarios.
Tirem uns momentos para reparar nas relações daqueles que estão no fim da viagem.


Vale a pena.

Vénias princesa.


Subito uerbaiur


De sim.sim-oh.sim a 11 de Janeiro de 2007 às 22:37
Cara sissi,

Com o devido respeito, paleio, paleio, paleio... do bom claro, mas paleio. E as questões de fundo?

Cara subdita devidamente identificada,

Com o devido respeito e sem querer fazer algum tipo de juizo de valores, porque é que se casou com o pai do seu filho? Se nao era esse, esperava mais uns tempos até aparecer "o tal", um que lhe faça sentir arrepios. "O tal" que só de pensarmos, ficamos todas molhadinhas! Ter esse tipo em casa á nossa disposição é fantástico, sublime!! Bom agora já está! Aguente-se à bronca.

Fique bem,
Princesa, (vénia)


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