Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006
Biologia ou Sociologia?
Hoje proponho que desçamos à sub-cave da memória, até à cátedra dos bancos de escola, e façamos este exercício: a macieira dá o quê? Maçãs. A Pereira dá o quê? Pêras. Os Homens dão o quê? Filhos.

Entre outros presentinhos os Homens dão filhos. E para mulheres com um relógio biológico pouco suiço, dão-lhe a miragem de uma vida estável que a educação funcional e católica dos papás cedo se apressou a afinar no transistor.

Nunca percebi os «Ahs» e «Ohs» que acompanham a visão de um gajo com uma criança ao colo. Se querem amansar a fera mais ferida abanem-lhe com a imagem de um homem a brincar com uma criança, ou a tratar dela, e vão ver como de besta fera o grelame passa a gatinho dócil.

Mas até aqui eu ainda vou, com um sorriso troceiro nos lábios, rio-me, faço piadas e rezo para que nunca esse quadro dantesco se cruze nas minhas passadas em dias de TPM. Porém, um homem com filhos é a presa ideal para mulheres que não fazem ideia de quantas sílabas é composta a palavra auto-estima, tal é a sofreguidão com que se mandam à carniça. Literalmente. De tal forma que confundem vontade e necessidade de terem filhos e elevam a materninade a pontos que roçam o esotérico. Renomeiam a expressão «lutar pela relação» e munem-se das lanças necessárias à demanda da maternidade. Uma por todas e todas pelo espermatozóide!

E claro, quando o nome de código da missão é «Bebés», tudo muda. As conversas, as motivações, os objectivos, os passos e caminhos escolhidos, como se função das mulheres na Terra fosse apenas a de procriar, tarefa após a qual poderemos morrer descansadas com a consciência de que fizémos o que era esperado de nós. O interesse da maternidade torna-se chato, as crianças tresandam a sonhos frustrados e a vida fica inesperadamente mais curta e sôfrega.

Por entre noites mal dormidas e fraldas por mudar há qualquer coisa que fica pelo caminho. E não é a inevitabilidade da tarefa.

publicado por sissi às 09:53 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Observadora a 11 de Dezembro de 2006 às 10:00
Cara Clea,

Não sendo poeta, exprimiu tão bem a maravilhosa "arte" de ser mãe, que não me contive para a parabenizar.

Revi-me em todas as suas palavras, tb sou mãe de 2 rapazes maravilhosos, e só nós sabemos o quão gratificante que é olhar simplesmente para o sorriso deles.


De Cris a 6 de Dezembro de 2006 às 16:06
Sem duvida uma bela observação...

www.cenasmaradasde1gaja.blogs.sapo.pt


De outsider a 6 de Dezembro de 2006 às 15:53
Principessa,

Algumas expressões no seu post que eu não concordo e já aqui foram afloradas, principalmente pelo caro River e toda a troca de comentários que isso, em particular, suscitou.

Não nos devemos esquecer que mulheres há que desde sempre sonham em ser Mãe, como também há mulheres que se imaginam vestidas de noiva e todo aquele cerimonial. Quer uma quer outra mulher não deixam de ser pessoas afectivas, funcionais e crediveis...e isto independentemente daquilo que a sociedade espera delas. É um querer delas e ponto final paragrafo.

Eu até entendo o que a Sissi pretende dizer com o seu post de hoje, mas ao ler atentamente todos os comentários aqui deixados, sinto mães babadas, outras que apesar de não o serem têm um perspectiva interessante sobre o asunto. Os comentários deixados aqui pelos homens na genaralidade são muito interessante e aquilo que o caro Stephen King diz vem abrir outras portas sobre o assunto.

Quanto á sua pergunta eu respondo que tem tanto de biológico como de social e se perguntar para que lado pende mais, eu diria que depende...é oscilatório...e depois de dizer isto lembro-me de uma música cantada por Elis Regina chamada "Como os nossos pais" (escrita por Belchior). Se tiverem oportunidade ouçam esta música.Não precisa de ser a versão de Elis Regina.

Para finalizar posso dizer-vos que ser mãe nunca foi um querer meu...enquanto ser biológico, munida do tal relógio e tudo o mais. Esse NÃO querer ser mãe tornou-se cada vez mais sólido com o passar dos anos...e hoje com 40 anos sou das tais mulheres que não pariram nem sabem o que é ser Mãe.
A 'missão' da Mulher não se esgota em ser Mãe! Eu sei disso, acreditem.
Se me arrependo? Não meus caros, não me arrependo.
Cumps


De mk a 6 de Dezembro de 2006 às 15:26
A verdade é que se um relacionamento for forte, os miudos até trazem alegria e essas tretas todas, o pior é quando o relacionamento é uma porcaria, aí sim, o desiquilibrio é total, cobra se dos miudos a falta de atenção do conjugue, inventam se saidas com os putos só para evitar ver o focinho do tipo e por aí além. Se isso acontecer, aí sim, os miudos são uns empatas para a realidade. Quando se diz aos miudos para irem para a cama cedo porque (entrelinhas) quer se dar uma valente foda no seu mais que tudo, temos o que se chama de familia.


De Observadora a 6 de Dezembro de 2006 às 15:20
Kidas Claudia e Monstro das Bolachas,

Viram onde eu queira chegar??? Lá no fundo, eu pressenti que a Claudia tinha qq coisa de mãe.
Mas claro que tem que querer!

Beijos para as duas


De Monstro das bolachas a 6 de Dezembro de 2006 às 15:14
Observadora, desculpe! Não queria ofendê-la.

Talvez tenha sido um pouco agressiva, apenas por querer defender a Cláudia. Ela não só é uma pessoa sensível, mas também muito inteligente. E não é egoísta como escreveu. Apenas diz tudo com uma terrível frontalidade.
Eu até acho que ela daria uma excelente mãe! :)
Bjs.


De daniela a 6 de Dezembro de 2006 às 15:15
Ou pelos filhos dos outros ... conheço muito boa gente k nunca quis nada com a maternidade e depois fazem de madrastas dos filhos dos outros.

Só pra agradar ao macho divorciado em questão.


De daniela a 6 de Dezembro de 2006 às 15:16
Não quero com isto dizer que é o caso de alguém que por aki anda ,longe de mim.É só um exemplo de como o apelo maternal pode xegar muito rápido.


De River a 6 de Dezembro de 2006 às 14:56
Cara Observadora, não querendo meter "foiçe em seara alheia" (mas já metendo :)), não sei o que a Claúdia lhe responde, mas eu diria: Essa teria sido a sua opção!

E a Claúdia não existia, e não era a Mulher que hoje é. Esclarecida, assumida e tudo mais. Tão simples quanto isso :)

Creio que a Cláudia, como todos nós (assim espero), temos uma admiração acrescida pelos nossos pais, pelo facto de não serem pessoas egoístas! :)

Mas, pessoalmente defendo que a maternidade é de facto uma opção, que deve ser muito ponderada e pensada a 2!!!


De Ana de Vila Viçosa a 6 de Dezembro de 2006 às 15:02
" E quem fala assim não é mãe"


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