Terça-feira, 24 de Outubro de 2006
Os Betos
Bem sei que o grande e negro Big Bang nos informou que neste planeta redondinho, e no que respeita à espécie humana, vivem homens e mulheres. Mentira. Alguém diga ao Sagan que para além de homens e mulheres existem ainda os Betos, género híbrido que tende a reproduzir-se como o vírus Ébola pelas tribos africanas. Obviamente que este género está espalhado um pouco pelos quatro continentes e ilhas adjacentes, mas tenho para mim como axioma que Portugal é o quartel-general da betaria, por aqui se encontrarem tão puros exemplares.

Ser beto não é um estilo de vida, uma opção, uma corrente, qualquer coisa para a qual se muda depois de termos sido uma outra diferente. Nada disso. Ser beto é uma condição, e a ver pelo ar de enfado que muitos deles carregam na face, é quase uma fatalidade. Aliás, para se ser beto é preciso ter um ar carregado, sobretudo quando no meio da populaça, logo, fora do seu habitat natural.

Como outras espécies do reino animal, os betos reproduzem-se entre si. Não é que não tenham a capacidade de parir fora da casta destinada à nascença, mas uma vez dentro da betice, quem é que vai querer ser diferente? Apre! Ninguém, pois claro! Quem é que vai querer passar de Maria de Vasconcelos e Sousa para Maria de Vasconcelos e Sousa Pereira da Silva? Medo e asco! De maneiras que assegurada a linhagem, os betos vivem felizes e contentes na sua bolha, e lá andam eles, cantando e rindo.

Quanto à evolução da espécie estamos entendidos. O aspecto dos betos é outro ponto curioso. E curioso porque tal como as zebras têm as mesmas listas e os tigres as mesmas manchas, os betos possuem uma aparência exterior muitíssimo semelhante. Se na evolução da espécie humana houve um momento em que o homem descobriu o polegar retráctil e se notabilizaou por isso, os betos, homens e mulheres, são facilmente distinguíveis por dois elementos distintos: neles, o Sapato de Vela, nelas, uma coloração loira no cabelo, vulgarmente conhecida como madeixa. Ora, isto são caraterísticas que não encontramos em nenhuma outra espécie, sendo ainda particularidades que se encontram apenas no nosso país.

A linguagem beta é, também ela, digna de nota. Apesar de se (es)forçarem a um ar inteligente, os betos não devem grande coisa aos neurónios, logo, não burilam o dialecto próprio mantendo-o básico e primário. Os verbos vão pouco mais longe que os vulgares comer, beber, mandar, e os adjectivos, esses já um pouco mais elaborados, andam à volta do extraordinário, maravilhoso e magnífico. Expressões idiomáticas conhecem-lhes apenas uma: «Quem? Não sei, não o conheço sequer do eléctrico!» - ironia engraçada visto que nem sequer estão familiarizados com o conceito de transporte público. Finalmente, a palavra mais vezes proferida pela espécie beta é «possidónio» e todas as outras daí decorrentes.

Enfim, os betos são isto e muito, muito mais. Mas em quantidades muito, muito pequenas... São profundamente enfadonhos por estarem demasiadamente preocupados em ser interessantes. Têm um olhar baço e o sorriso pateta sempre estampado na cara, não vá alguem perceber que por detrás daquele mundo de purpurina e brilhantes está um casulo tão podre como qualquer outro.

Vivam os betos! Se não fossem eles, ria-me de quê...?

PS. post dedicado a todos os meus amigos betos, aos quais agradeço a convivência e possibilidade desta caricatura.

publicado por sissi às 10:24 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Pedro Emanuel a 29 de Outubro de 2006 às 12:40
Por acaso nao fui eu que escrevi o texto... mas tambem nao o fui buscar a esse site.


De comando2043 a 29 de Outubro de 2006 às 12:10
Princesa,permita um comentario breve. Visitei o seu blog pela primeira vez e vou a correr comprar o seu livro. Obrigado por existir. Não sou de modo nenhum beto ( será com maisculas?) e como me dizia uma muito boa amiga, orgulho-me de ser um dos ultimos homens na terra. Espero que esteja errada.


De Yasmin a 10 de Janeiro de 2007 às 00:46
Desculpem-me responder a isto tão tarde, mas tem horas que tenho vergonha, mas graças a Deus que esse povo português se está abrindo para o mundo e tentando criar uma identidade própria. Não sei o que é mais triste se pressentir que nada mudou ou ver esse povo, no geral, continuando a ser alvo de piadinhas pelo mundo fora... Desprendam-se desse umbigo (des)pretensioso e saiam para conhecer o mundo, estudar fora do país, viver numa outra cultura e vocês vão ver que existem coisas mais importantes para compartilhar do que estes temas ridículos.
Atualmente estou vivendo fora desse miolinho e dou graças a Deus de ter saído. Aprendi que isso aí, acrescenta muito pouca inteligência e só cultiva o "ser aquilo que não é".
Aliás, tem muito betinho por aí.... e o mais engraçado é que ninguém assume.... que quando consegue o 1º emprego, ao invés, de correr para uma "Louis Vuitton" de verdade vai comprar na feira(mas talvez não o possa fazer porque ou: não conseguiu um emprego suficientemente bom para isso - ou: talvez pq não estudou o suficiente e ser um bom profissional - msm que autónomo).
Mas, o pior de tudo é ver esse povo passear no estrangeiro dando uma de milionário e comentando que compraram apartamentos na "Av de Roma" com os benefícios que o Estado dá. Aliás se não fosse isso, eu queria ver como é que vocês comprariam aparatamentos, sim porque o Estado é que vos garante um estabilidade social, vos dá saúde e educação... Mas como o velho ditado diz "a cavalo dado não se olha o dente", tem vezes que esse sonho desmorona. Se enxerguem, vão estudar, vão trabalhar que é o que vocês precisam para crescerem e não serem devorados pelas inúmeras dívidas de Expo 98, ainda por quitar... e tantas outras. Daqui a pouco, se vocês não colocarem esse país para produzir quando acordarem não existirão nem mais betinhos(as) quanto mais suas respectivas pretensões a ascensão social, e que ascensão. Outra coisa, Ted Benson, só aí porque no estrangeiro é de Dior, Vuitton e Prada para cima.... Vou dar muita risada esta noite!!!!!


De Solaspraketekero a 7 de Novembro de 2006 às 12:28
É pá, este gajo é mesmo pretencioso e plebeu.
Ninguém conhece/usa essas marcas só os pseudo, como tu!
Os "outros" usam outras marcas, mas não me atrevo a nomeá-las senão vais a correr pedir um macito de euros emprestados para copiar os membros da realeza.
Desculpe-me Alteza Sissi, mas não aguentei.
Vénias e beijos


De falknir a 24 de Outubro de 2006 às 10:33
Um tema muito adolescente... das duas uma, ou a princesa exerce profissão na área da educação, ou eu, felizmente, não conheço nenhum "beto" adulto não acreditando por isso na sua existência (uma espécie de mito, tipo o pilhão)


De Anani a 24 de Outubro de 2006 às 10:37
Fora de série, como o post, é outro dos adjectivos betos.
Malas e carteiras cavalinho ou Ted Benson são adereços também indispensáveis.
O fio com um crucifixo prateado espalmado ao pescoço, nos filhos dos betos, também é característica.
Os betos são bem retratados nos livros da MRP.
Com a contrafacção é difícil distinguir os betos verdadeiros, dos novos betos. Talvez pelo nome, pois.


De sissi a 24 de Outubro de 2006 às 10:37
Estimado Falknir,
tendo eu 16 anos de idade mental outra coisa não espere aqui que não temas adolescentes. De todo o modo, terei denotado nas suas palavras uma espécie de raivinha dos dentes...? Ou seja estimado Falknir, é meu é caro é beto?
cumps


De sissi a 24 de Outubro de 2006 às 10:44
Estimada Anani,
o mundo beto fascina-me pela vastidão de petit riens como esses que focou. São mesmo fora de série! :-)
cumps


De River a 24 de Outubro de 2006 às 10:45
Queres melhor resposta a esses anormais que aqui ou no mail se dão ao trabalho de insultar quem não conhecem (só por dor de corno), do que o Top da Bertrand ou o facto de ter esgotado na Fnac Colombo??? ;)

Xi-coração. Love U


De sissi a 24 de Outubro de 2006 às 10:46
River mai lâve,
é deixá-los quietos. Que a gosma dessa gente queima. Apre!
bjs mts


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