Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006
O Caso
Há pessoas que se especializam em coisas várias. Em bordado inglês, bilros, arraiolos, conforme a sua predisposição e o sentido do vento. Eu burilei a minha existência no campo machame em torno de uma silhueta própria. Sou uma expert em casos. Aliás, é oficial: sou o melhor caso de Lisboa.

Enquanto não sou invadida por sentimentos nobres em relações eivadas, dedico-me com inominável dedicação, desde há muito, a estilizar a melhor forma de contacto com os machos com os quais me cruzo. Como sabemos, machos interessantes e disponíveis para se relacionar com princesas como eu não os há em quantidade. Vai daí como tal, resta-me equilibrar quejandos de relações em malabarismos sociais e afectivos, aos quais se convencionou denominar de «casos».

Os casos não são complicados. Pela sua natureza, ter um caso é o mesmo que conduzir um carro alugado. Damos as voltas que quisermos com aquele modelo com a certeza que o vamos entregar à loja no final da corrida, tenha ela a duração que tiver. Esta assumpção permite-nos veleidades várias. Desde logo, autoriza a existência de outros casos, no caso de serem gulosos como eu, numa imitação de intimidade que, eventualmente, se poderá procurar. Ter um caso é tão melhor quanto mais honesto. Impõe que se diga ao que vamos da mesma forma que convém ter em mente que, por vezes, a coisa nos pode sair furada. Ou seja, quando achamos que uma queca, é apenas uma queca, apenas uma queca, apenas uma queca, o caso, que começa inocente, pode degenerar e fazer com que nos sintamos a mulher cor-de-rosa no filme azul. Fora de contexto e fora de si.

O caso é a relação logisticamente perfeita. Porque não vivemos o lado angustiante do amor, o caso permite-nos exercitar o corpo e a mente sem comprometer o coração. Paliativo da relação amorosa, o caso é a das melhores coisas que as relações humanas me trouxeram. Impregnado de um pessimismo optimista, ter um caso é, antes de tudo, um acto inteligente de manutenção de nós mesmo enquanto seres humanos, porque nos permite continuar a sentir fora do socialmente composto.

Por tudo isto, e por mais que não cabe aqui, sou o melhor caso de Lisboa.
É engraçado que quanto mais o tempo passa mais nos especializamos naquilo que queremos deixar.
Vidas...

publicado por sissi às 15:36 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Zeca a 12 de Outubro de 2006 às 16:36
Caríssima Princesa,

Realmente tu só por si já és um caso sério.....

O teu contributo para desfazer tabus será certamente apreciado, embora eu ainda não tenha lido o teu livro, apenas porque ainda não o emcontrei á mão ( mas irei ler com certeza ), pelo textos que já li, o livro só poderá ser brilhante.
Gostei de te ouvir na " Prova Oral ", estiveste muito bem abordando com a naturalidade que te é peculiar um tema tão interessante.
Quanto aos " casos " não tens receio que o teu coração possa eventualmente vir a comprometer-se? O perigo ( ou não ) existe...
Finalmente uma boa notícia que é não ires estar presente fisicamente no " Herman ", sim, que tinha receio que esse gajo te pudesse tentar menorizar...humilhar...sei lá....não gosto desse gajo e sinto que gosto de ti....sim é verdade gosto da tua frontalidade, coragem, força,do teu humor refinado para além da tua naturalidade...
É isso, vidas.....


De Claudia a 12 de Outubro de 2006 às 16:51
Eu também fico bastante contente por não ires ao Herman. Primeiro porque não gosto do tipo e depois, porque quero continuar a ler o blog sem ter que associar a autora a uma cara (egoismo meu eu sei).

Espero é que sirva para promover o livro!!! Isso é q é importante!


De Rita a 12 de Outubro de 2006 às 17:10
Será que devo ficar sossegada cada vez que o meu namorado chega a casa e diz "arranjei mais um caso" ?

É que ele é advogado!


De Explícito a 12 de Outubro de 2006 às 19:08
De caso em casa...


De sara_the_menace a 12 de Outubro de 2006 às 20:21
Isso é quando somos espertos o suficiente para termos um caso ;) Tu nao estas aqui para me ensinar e pois entao portantos a gaja ainda tem namorado - e sim, o mesmo.

Já agora, oh minha rica filha (ja oico a Isabel M-C com os cabelos em pé, lol), claro que tu és o melhor caso de Lisboa. Nao tanto pelo facto de Lisboa e todo o Portugal ser um lugarejo piqueno, piqueno, mas pela qualidade do material: boa e esperta. Já aqui tens igual sucesso.

No entanto deixo-te um conselho, que como todos sabem, se fossem bons, nao eram dados, vendiam-se; o macho portugues nao aprecia mulheres de qualidade, chego ah conclusao que a maior parte eh muito limitada. Perdoe-me o macho latino de qualidade, que decerto, eles haverao muitos a defender-se como tais ;)

Amori, estas perdoada, bolta depressa, bi hoje sapatinhos na Office que tu ías gostar e a Top Shop vai ter a Kate como designer.

Sara (num teclado sem acentos, embora ela já domine o atalho para alguns) Plim!


De Pecadora a 12 de Outubro de 2006 às 20:28
Permite-me duvidar de tanta "grandiosidade"... até agora não observei nada diferente da maioria das mulheres. Mas aguardo serenamente que me surpreendas!


De Daniel a 12 de Outubro de 2006 às 20:41
Pois é, quanto mais se faz, mais se gosta... :P


De Carlitos a 12 de Outubro de 2006 às 23:28
Alteza
O « caso » em que é especialista, é para si uma autodemonstração de dissociação de sentimentos ou uma fuga para a frente?
Desfruta gulosamente de desenferrujamentos, a queca da satisfação imediata, mas demarca o seu espaço mental de forma a não ser se contaminar pelo afecto.
Tantas vezes a " bilha " vai à fonte que um dia ...é uma caso sério
Até lá boas festas na corte
Vénias


De Electrika a 13 de Outubro de 2006 às 00:26
Alteza
Sendo o caso a relação logisticamente perfeita, o que subscrevo na íntegra,vezes existem, não sei se feliz se infelizmente,em que ele se transforma num "caso sério"!
Aí temos o caldo completamente entornado.
O "doutoramento" em casos descomplicados onde só são contempladas as "veleidades várias", passa de imediato a uma simples "licenciatura" que não deixa de nos permitir continuar a exercitar o corpo e a mente já com algums distorções, nos ordenados e concisos pensamentos. Quanto ao coração, esse já anda por aí descompassado,dependente e quiçá,é o mais provável, ultra angustiado.
Em conclusão, e se me permite a discordância, subtraindo as ansiedades e angústias, nada fáceis de digerir, só nos "casos sérios" é possível ultrapassar a "quimica" inicial, é uma especialização completa em fisico-quimica,muitos sentimentos á mistura e onde as sensações nos transcendem por completo. Divinal, diria.
Quanto ao possível e quase garantido sofrimento, que fazer?
Enfrentá-lo,sem desperdiçar momentos fantasticos, alguns deles, únicos na vida.
Mais vénias!


De João Ratão a 13 de Outubro de 2006 às 02:17
Princesa, desculpe este off-topic.

Estou muito triste.

Acabo de ver os últimos comentários do post #296.
Parecem ter saído de alguém que gostaria de fazer companhia ao arrepiante Salazar.

A princesa do alto dos seus 32, não soube e ainda bem, o que era dizer mal do poder em surdina para não ser denunciado.

Mas propunha algum cuidado para os próximos dias.

Seu e preocupado,
João Ratão


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