Quinta-feira, 17 de Agosto de 2006
Os Putos
Se as relações humanas fossem como a Bolsa de Valores, o cliché mulher mais velha/homem mais novo estaria em alta, a bater máximos históricos.
As histórias de balzaquianas dispostas a ceder o seu tempo e leito a efebos audazes são mais que muitas, suficientes para deixar a faixa etária correspondente a cofiar a barba de preocupação...

Obviamente não são histórias de amor as que ouço. Ou as que vivo...São caminhos da mais pura e nobre luxúria, valor claramente em queda na Bolsa de Valores sociais, e que vem ao encontro da noção vigente de liberdade sexual reconhecida, primordialmente, por mulheres acima dos 30.

Como me incluo no padrão demográfico citado, falo aqui em nome próprio. Pelo dossel real já passaram duas criaturas excepcionalmente talentosas. A sua magia não nasce do óbvio, embora reconheça facilmente que com as directrizes certas se tornam amantes exemplares. Refiro-me antes à forma terna e segura com que nos fazem acreditar que não importa que o nosso corpo já não seja milimetricamente perfeito, ou que o peito já acuse gravidade, ao contrário das miúdas da idade deles, ou ainda de como se esforçam (aqui mal...) por escamotear um orgulho viril ao presentear-nos, na sua bandeja platinada, o enésimo orgasmo da noite. Toca-me ainda a insegurança que manifestam amiúde perante as nossas outras vidas, longe do prazer que nos provocam. Faz-me sorrir a forma doce com que retiram importância ao facto imutável, e muitas vezes brutal, da decálage de datas de nascimento.

São puros estes miúdos, ainda que rodados. Viajam com pouca bagagem e os seus gestos têm a liberdade que só a noção da vida pela frente pode provocar. Apesar de poderem ser uns sacaninhas com as catraias da idade deles, que ainda mascam pastilha elástica de boca aberta e cujo corpo ainda mal se assemelha ao de uma mulher, connosco existe uma espécie de quase reverência. Agradecem-nos porque os fazemos sentir homens, porque lhe apuramos o sentimento macho e os ensinamos na nobre arte de agradar a uma mulher. Agradecemos-lhe o prazer e a intensidade, e sobretudo a importância que adquirimos naqueles momentos, onde só nós interessamos. É uma troca perfeita e justa, intensificada pelo final à vista.

Se ao menos outras coisas fossem assim tão simples...



PS: dedicado à minha Beckx, que sabe melhor que ninguém do que estou a falar...

publicado por sissi às 10:55 | link do post | adicionar aos favoritos

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