Quinta-feira, 8 de Setembro de 2005
Exercícios de sub-texto
Tenho a perfeita noção de que quanto mais vivemos mais aprendemos a viver. Mais nos aperfeiçoamos, sobretudo naquilo que queremos deixar, mais nos habituamos às pechas do quotidiano, às marcas de água e beijinhos no ar, estamos mais atentos, com tudo o que isso implica, e, no limite, já sopramos vida à nossa quietude e paz interior.
Inspirada pelo post desta senhora e nas horas perdidas à conversa com as várias pessoas com quem já me cruzei, dei por mim a pensar na forma como a definião de «relação» tem mudado para mim ao longo do tempo. Se o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos, então já muita àgua passou debaixo da minha ponte. Facto é, que hoje em dia, me vejo numa moldura diametralmente oposta à que sempre aprendi a conhecer.
Não sei se por ser curiosa, se por estar estruturado em mim, dou-me conta que a dimensão empírica das coisas tem vindo a tomar uma importância paquidérmica na minha compreensão do mundo e do que me rodeia. Construída pelos afectos, sou cada vez mais isso mesmo. E é talvez essa a razão porque me vejo num tipo de relação em que os conceitos de traição, fidelidade e amor estão muito mais ligados ao respeito e cuidado que a outra pessoa, enquanto pessoa, nutrir por mim, do que por qualquer escapadela sexual que a mesma decida fazer no decurso do mesmo relacionamento.
Amor e sexo são, para mim, coisas diferentes. Nunca me aconteceu amar uma pessoa com a qual o sexo não fosse prazenteiro. De resto, só amei uma pessoa... Mas suponho que isso seja meio trágico. O que me impede de amar uma pessoa e fantasiar com outra? O preconceito. Como se no momento em que nos apaixonamos o Outro deixasse de existir como entidade corporea e nós nos esquecessemos que um dia já tivemos o desejo como estímulo fundamental. Não estou divorciada das relações. Mas tenho como cada vez mais certo que o seu conceito, em mim, tem mudado. Por isso procuro alguém que entenda que, passado o fogo preso inicial, há que baralhar e dar de novo. A normalidade serve apenas um intuito: o de nos sentirmos integrados. O que não significa que nos sintamos bem.


publicado por sissi às 23:33 | link do post | adicionar aos favoritos

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