Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
Amores perros
Minhas queridas,
que noite, a de ontem. O Universo às vezes é fodido mas sabe sempre o que faz. Claro que isto agora vos soa pior, mais ridículo e idiota que a própria hecatombe que, parece, se abateu sobre as vossas vidas. Ainda me lembro da última vez que o o meu coração se derreteu nas mãos de homem que queria «para a vida». Também tive amigos, quando os pedi, e arrendei o seu colo a cada golfada de ar. Para além de amizade, posso oferecer-vos o que tenho de melhor nestes dias. A minha presença silenciosa. Faz parte. Quando alguém que amamos decide mudar a bússola e não nos coloca em nenhum dos pontos cardeais, resta-nos o silêncio. Não o silêncio digno das bem aventuradas, mas o silêncio sofrido e doído das que, tendo coração, ficaram sem ele. Pelo menos, assim parece.
Dizer-vos que vêm aí dias melhores, não ajuda. Há sempre aquele gosto de fim de linha, que se mistura com as perguntas sem resposta, que nos obnubila o pensar e nos deixa apáticas, catatónicas. É sempre assim. Temos grandes planos para os outros. Neste caso, o plano de que a pessoa a quem entregamos o viver amoroso, e às vezes mais que isso, nos ame para sempre, sem percebermos que o «para sempre» só existe nas músicas foleiras de elevador. Nada é para sempre. Nem nós mesmas somos para sempre. Mas enquanto vivemos e alimentamos essa bolha, esquecemo-nos, tantas vezes, de nos alimentar a nós. Foi o vosso caso. Alargaram o vosso limiar de dor numa relação a dois e aceitaram que ele vos fosse transformando, insidiosamente, numa outra pessoa. Indesculpável, para quem partilha paredes connosco e que, paulatinamente, vai deixando de gostar sem nunca manifestar grande coisa a respeito.
Porque há homens assim. Mergulhados em culpa cristã e viciados em palavras bonitas que embrulham quotidianos falsos. Mas eles não importam, minhas queridas. O que importa são vocês. Chorem, berrem, gritem, durmam, durmam muito. Morram, nasçam e voltem. Porque quando o fizerem, vão perceber que o mundo vai continuar a girar e nós vamos continuar aqui. A girar convosco também.
De
MM a 5 de Novembro de 2010 às 01:49
Concordo com o post mas acho que se trocarmos os género não fica menos verdade.
De maxxo a 5 de Novembro de 2010 às 11:30
Lindo...são uma delicia as tuas palavras.
De ZOT a 6 de Novembro de 2010 às 08:36
Muito bom post, realmente, mas digo-lhe ja que esse pensamento é inato nos dias de hoje, portanto, não impressiona e não faz ninguém mudar para melhor.
Cumprimentos
De Paulo Cardoso a 10 de Novembro de 2010 às 00:18
Porque também há mulheres assim... que vai deixando de gostar sem nunca manifestar ... e porque é incompreensibilidade como alguém pode matar com a indiferença, com a passividade, com o comodismo tudo o que amamos.
Gostei muito do texto, poderia ser meu, desculpa a presunção.
Ler Este post é quase como megulhar na minha mente e encontrar o meu recente modo de vida.
São palavras como estas que me alimentam a alma, que me guiam quando sinto que a escuridão de um amor mal resolvido, me leva para longe e me destroi o raciocinio.
Pois quem esta bem não entende a insegurança, a falta de ideias e a falta de vontade de entender sinais e pequenos nadas vindos de alguem que nos partiu o coração.
De verde a 14 de Novembro de 2010 às 14:30
no comments...
De jonhyyy a 18 de Novembro de 2010 às 12:12
Bem, os comentários são de um cuidado literário extremo :-)) pseudointelectuais. Ao que chegaste SISSI. Isto para dizer que se precisares de uma mãozinho para os teus momentos íntimos liga-me ok!!. bj
De B a 20 de Novembro de 2010 às 03:44
Quando alguém tira outrém dos pontos cardeais, pode apenas estar perdido.
De Sara a 21 de Novembro de 2010 às 14:42
Caso para dizer a vida continua! :)
De
Mikhael a 25 de Novembro de 2010 às 14:04
Interessantíssima dissertação.
Porque há homens, mulheres, indefinidos, etc... assim efectivamente.
Convencidos de que esta era simboliza o auge da racionalidade e claro, dela fazerem parte.
Porque há homens, mulheres, indefinidos, etc... fanáticos defensores (ou religiosamente crentes) das ilhas e dos castelos.
Porque esta cambada de macacos infinitos se auto-confunde e se auto-proclama cada um, um deus menor, ("menor" apenas porque nenhum sabe voar a não ser através das asas douradas da metáfora) asas essas que se derrretem como cera quando aproximadas à luz radiante da sua própria consciência.
Para além do cavalo de tróia e de todos os seus valentes parentes, existe um outro virus muito mais bárbaro e tão pouco combatido - o vil tirano "preconceito".
Entre mortos e feridos... princesas, putas e rainhas... crescidos, menores e esquecidos, alguém há-de escapar... ou nem por isso.
Best regards
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