Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
Cena de Gajo
Acabadinha de chegar do retiro, e depois de dez dias em modo espiritual, decidi brindar o meu regresso à vida real com uma actividade que me afasta, uma vez mais, das excelsas representantes do meu género: shopping. Se há coisa que me aborrece e entedia é ter que ir às compras. A minha falta de paciência para entrar e sair de lojas, vê daqui e experimenta dali, não me permite cair nesse estereotipo feminino embora, amiúde, não me reste outra saída se não enfrentar as hordas de gente em modo retail therapy, como se fossem encontrar nos trapos a cura para todas as suas maleitas. Adiante.
Estava eu ontem na fila para pagar umas quantas merdas, estrategicamente colocada ao pé dos provadores da loja, quando dou por mim condoída, solidária e quase em estertor com o sofrimento e embaraço de um macho que, por amor à sua musa, se desdobrava em panegíricos e outros elogios que tais. A tal, a menina dos seus olhos, tinha, claramente, peso a mais. Não era cheia, nem gordinha, nem anafada. Era gorda, ponto final. E sempre que vestia uma peça de roupa, muitos números abaixo do que seria visualmente agradável, pedia opinião ao namorado, coitado, que fazia verdadeiros malabarismos de palavras e boas intenções impregnadas do que, julgo, só poder vir de um local de amor profundo.
Empatizei com a situação. Que difícil deve ser dizer à pessoa que gostamos, com todas as suas camadas adiposas e detalhes estéticos associados, que apesar de a amarmos para além do seu recorte, aquela camisola verde colada ao corpo é feia demais para a beleza que os olhos dele ditam ver. O que umas calças apertadas e de cintura baixa lhe trituram as carnes e que isso não se compadece com a formosura que ele sabe que ela tem.
Porque por mais que o afecto se desenvolva para além do nosso recorte, e que nós, como amadores, amemos a cousa amada independentemente da informação da balança, não é fácil dizermos a quem gostamos que as calças apertadas não a «favorecem porque tens essa barriguinha linda um bocadinho grande» sem parecermos paternalistas e ridículos. Por outro lado, faze-lo é das coisas mais quentinhas e amorosas que já ouvi.
Acho que estou a ficar velha.
o caralho é que estás a ficar velha! estás cada vez mais nova!
e boa!
ósculos
De
Sissi a 26 de Outubro de 2010 às 00:36
Oh Diabo! Nova e boa? Será que nos conhecemos? :-)
De
Kowalski a 26 de Outubro de 2010 às 09:34
Não é fácil, mas é preferível.
Falo eu que nunca tive grande jeito para falinhas mansas. Sou, por norma, curta e grossa. Directa e objectiva no que me proponho a comentar. Com o tempo (a idade... lá está... a idade...) aprendi que quando não temos nada de positivo ou construtivo a dizer, calar um pouco o nosso orgulho em emitir opinião e evitar dor a quem nos escuta, é possível. E quando "a coisa" tem mesmo de ser dita (é imperativo), inspirar... expirar... e dizê-lo de forma mais meiga que não "estás gorda que nem um cachalote", mas NUNCA dizer "fica-te lindamente..." quando não fica.
E isto custa!
De m a 26 de Outubro de 2010 às 19:55
Cara princessa,
Ui, ahahhaahhah situação que pede diplomacia, amor e carinho, o irónico, é que se a menina fosse magra/boazuda/tesuda tudo isso..., poderia ele dizer simplesmente, "não te fica bem".... será?
De Manolo Heredia a 2 de Novembro de 2010 às 22:03
as cartas de amor também são ridículas...
De Márcio Silva a 4 de Novembro de 2010 às 17:25
Conheci hoje o teu espaço e normalmente não sou de intervir ou fazer publicidade sobre o meu. Mas queria que o visitasses se assim te apetecer. http://seguesoma.blogspot.com/
Serei mais um vir regularmente aqui.
Xaus
De Yoseph a 2 de Dezembro de 2010 às 16:27
Cara Sissi
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Cara Sissi <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>Tás</A> como o vinho. <BR>Velho, mas bom! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>komo</A> eu... modéstia à parte... <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Jokas</A>
De
seria a 4 de Junho de 2011 às 11:30
Eu sabia, eu sabia!!! :)
www.cenasdegajo.blogspot.com
De
Miguel a 18 de Novembro de 2011 às 22:48
Olha que post tão interessante. Diria mesmo, mas que post tão interessante! É pena eu ter acabado de descobrir um blog em estado fóssil, caso contrário teríamos certamente muito para conversar.
Mau timing, que maçada. É po que nasci, caguei.
Teu, e também meu,
Miguel
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