Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Maigret de Pato ou de como as relações podem ser um verdadeiro open space

Era apenas mais um jantar. Não fosse estar alapada no melhor sofá da casa e o dito estar rodeado de grelame, teria sido, de facto, apenas mais um jantar. Daqueles que os amigos oferecem com o intuito de reforçar o anglicismo mingle e convidar pessoas que não se conhecem para travar, justamente, conhecimento. Dizia eu que estava com o meus glúteos cada vez melhores colados a um pequeno sofá para dois que açambarquei para mim, quando parte do grelame que se juntava à minha volta, quais acólitas em preparação para a missa, se lembra de iniciar o vómito colectivo e secreto em direcção aos seus mais que tudo, sentados no lado oposto da sala. Ou seja, abrem, literalmente as hostilidades, numa contenda onde só elas marcam presença.

 

Que aqui d'el rey, dizia uma, o tipo só desarrumava, não era capaz de colocar um prato na máquina, que ela já nem pedia mais, um prato, por Zeus, um prato e estaria reposta a harmonia familiar, ou que não, dizia a outra, o dela era muito limpinho mas um frouxo na cama, que, tadinha, não tinha um orgasmo vai para seis meses, altura, mais ou menos, em que ele começou a trabalhar que nem um cão, que, ok, está bem, sabem bem os 3500 euros no final do mês, mas, e ela?, ela também precisa dele, e ele, bandalho, nem um orgasmo para amostra, o pécora, ah, mas vocês têm muita sorte, dizia uma terceira, que o dela está com mais 15 quilos desde o casamento, um desleixado, ainda por cima, ela não se sente ouvida, sente ignorada, a pobre, ele não a apoia em nada, não quer saber. E foi mais de meia hora nisto. Até que perguntei, estupidamente: mas...vocês já falaram sobre isso com...sei lá...os vossos namorados e marido? «Achas? Eles lá nos ouvem!», responde a chefe das carpideiras, claramente a agitadora de massas de grupo.

 

Ora, dado que eu estava, como disse, alapada num sofá confortável e comer um maigret de pato que era uma especialidade, e um tinto, cuja proveniência desconheço, que acompanhava muito bem, estava-me a foder o juízo ter que me levantar para me sentar num sítio onde o ar fosse limpo. Mas assim o fiz.

 

E qual Labrador, fomos para um canto, eu e o meu maigret de pato, ao qual se nos juntou uma sensação de dejá vú. De facto, não é a primeira vez que assisto a este número de circo. E não é que duvide dos queixumes que ouvi, mas esta lavagem de roupa suja em público, este desbotar acompanhado de relações íntimas causa-me um espanto incrível. Porque seja qual for o motivo, não vislumbro uma razão, por mais ténue que seja, de rasgar de alto abaixo a pessoa com quem vivemos, nas suas costas, e depois alegremente voltar a casa e partilhar com ela a mesma cama.

 

Pior, não imagino o que levará alguém a fazê-lo com o objecto de (des)amor no mesmo metro quadrado. Acho de uma falta de respeito e de solidariedade inomináveis. E não interessa se têm razão. A intimidade discute-se no íntimo. Não quero ter que olhar para a cara de pessoas que conheço e ver um homem que é porco e não arruma ou um frouxo que não sabe foder.

 

A sério, grelame bom do meu país. Guardem o que é de guardar. Não transformem  o T2 da vossa relação num open space a céu aberto. Pelo menos não enquanto eu e o meu pato estivermos na sala.



publicado por sissi às 15:33 | link do post | adicionar aos favoritos

De Charles a 11 de Outubro de 2010 às 16:30
50% dos rapazes entre os 25 e 35 vivem na casa dos pais, logo uma jornalista de televisão gozou a dizer que os homens são uns meninos da mãmã, eu pergunto, vale a pena abandonar o lar para viver com umas putas que cospem no prato aonde comem? a questão que as mulheres não querem saber é: PORQUE os homens não querem viver com as mulheres, olhando para as minhas vizinhas, colegas de trabalho, amigas, conhecidas, primas etc e tal tenho a resposta: as mulheres de hoje não valem a merda que cagam


De Sissi a 11 de Outubro de 2010 às 16:37
Charles,
a sério. Acho que tenho sido educada e paciente consigo e com as suas iniquidades e merdas de uma forma geral. Dizer, neste blog, que as «mulheres não valem a merda que cagam» é livre trânsito para o meter a andar. Não quero ter que o fazer, seria a primeira vez em 6 anos de blog. Mas lá porque eu abro a porta ao debate não quer dizer que aceite tudo. Isto é uma democracia mas quem manda sou eu. À vontade, aqui, nunca foi à vontadinha. Apanhe lá a merda que fez e se quiser ficar, porte-se com termos. Se não, boa viagem.


De Charles a 12 de Outubro de 2010 às 08:08
A Sissi sinceramente como mulher deve ser farinha do mesmo saco, as ovelhas procuram as parelhas, acho que tem muita razão vou procurar por outras bandas isto aqui é agua inquinada demais para mim, a vida é curta adios


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