Domingo, 29 de Agosto de 2010
Podia repetir, se faz favor?

Chega uma pessoa a casa vinda de uma tarde como há muito não tinha, passada entre amigos, na piscina, onde, inclusivamente conseguiu uma cor levemente rosada a contrastar com a minha pele alva e leitosa, vai ao mail e o que vê? Uma chusma de mails que indagam e acusam esta princesa, entre outros mimos, de «carente, mal fodida, enjeitada e mulher que não é para casar».

 

« (...) Não, minha vacarrona, estás na merda? Então tens o que mereces para aprenderes a não seres uma porca e não andares aí a foder com todos! É o karma, miga...»

 

Assim mesmo. Sem tirar nem pôr.

 

Como é óbvio podia aqui escrever muita coisa. Mas a única que me ocorre vem em forma de pergunta, que é a seguinte:

 

Conhecem-me de onde?

 

Francamente. Há com cada uma...

 




Sexta-feira, 27 de Agosto de 2010
Querido Diário #2

... o calor continua insuportável. Nada de novo, embora não contasse com 35 graus às duas da matina, que é a minha hora favorita para fumar no terraço que dá para a rua. Vejo passar os bêbados, as mulheres desconjuntadas em cima dos saltos, de make up derretida e, juraria, mortas por chegar a casa. Vejo casais de betuchos, famílias de sul-americanos, pedintes e gente da rua, e penso se o calor de lhes fará a eles o mesmo que a mim. Se se sentem fracos, cansados e largados pelo mundo. E depois juro que não volto a beber vinho tão tarde.

 

Se isto fosse, de facto, a minha versão de «Eat, Pray, Love», e partindo do princípio que a ordem dos factores era, inicialmente, arbitrária, Madrid marca uma fase de pornografia gastronómica da minha existência. Embora não saiba se se pode chamar gastronomia aos milhões de calorias que ingiro, resultantes de engenharias alimentares e máquinas processadoras inventadas para nos fazer crer que aquilo que o nosso cérebro nos diz ser comida, é, de facto, comida. Tenho vivido de sugar trips, caffeine kicks and nicotine dips, pintalgado aqui e ali por nachos con queso, hamburgesas e toda a quantidade de jamón e quejandos. Acho que o mais saudável que consigo comer são os cereais matinais, também eles cobertinhos de chocolate e açúcar.

 

Espero, Querido Diário, que o meu novo self não seja este: uma vaca gorda em permanente indulgência, um ser que não se satisfaz com menos de 3500 calorias diárias de tudo o que a Natureza não traz.

 

A ver a próxima etapa.

 

Tua, monissima,

Sissi

 

 




Quinta-feira, 26 de Agosto de 2010
And now, for something completely different...

Retiros de meditação ou comunidades. Alguém sabe mais coisinhas sobre isto? Já fizeram ou conhecem alguém que já tenha feito e possa dar mais informações à vossa Princesa? Tem de ser fora de Portugal e de cariz budista. De resto, the world is my oyster.

 

Aguardo-vos.

Gracias

 




Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010
Sissi, Mou e Cris

 

Real Madrid - Peñarol. Torneio Santiago Bernabéu. Ontem, no Santiago Bernabéu, obviamente. Este lugar tem um nome, elegante, de Vomitório. Suponho que por causa das vertigens que dá, mas não vou jurar. Reparem o quão espectacular é. Na verdade, a revienga e o tecnicismo estão sobrevalorizados. O que está a dar agora, aqui pelo estrangeiro, é observar de cima o macrofutebol.

 

 

Este lugar é mesmo do melhor. E muito em conta. De outra forma, como é que poderia estar assim, excelsamente instalada, perna esticada, a mandar vir jolas do bar? Nos outros lugares, onde de facto se percebe quais são as equipas em campo, isto não era possível...

 

De resto, Real ganhou 2-0, Di Maria melhor em campo. Pormenor maravilha: ouviu-se o Nessun Dorma antes do jogo, que é a música que me deixa em ugly cry valente dos 0 aos 3 segundos. Elegantíssimos estes tipos. Excepto o Mourinho, que aparece sempre de fato de treino. Tira-se a pessoa de Setúbal, mas não se tira Setúbal da pessoa.




Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
Vida boa...

 

De facto, o chato de se estar aqui em Madrid é o tempo que se demora a chegar ao escritório...

 

 




Domingo, 22 de Agosto de 2010
Querido Diário #1

...assim contadinhos, devem estar uns 75 graus em Madrid. De manhã. Depois à tarde aquece um bocadinho. Oscilo entre a vontade indómita de foder as rótulas a todos os pedintes sul-americanos que me atravessam o passo na Calle Goya, e uma outra vontade, que é a de me perder em sessões de meditação no Retiro e rumar aos sítios onde as pessoas que fazem meditação rumam.

 

Não saber o que fazer à vidinha tem coisas engraçadas. Mormente - palavra odiosa mas que, nestes dias, me apetece sempre usar - há um certo «tou-me a cagar geral» que inunda tudo. E não é mau. Por exemplo, hoje andei de micro calções de ganga e t-shirt de alças pelas calles madrilenas, parecia eu que estava numa qualquer sandy beach - não confundir com Sandy bitch. Ora, ao pé das espanholas, sempre todas montadas, indiferentes à canícula ou à intempérie, eu era um retrato fiel da femme de ménage parisienne. Importei-me? Não. Fez mossa? Este texto de merda serve o mundo em algum dos seus latos propósitos? Não. Saquei um número de telefone enquanto apanhei sombra no Retiro? Sim.  Não é despiciendo, porem, o facto de, no Retiro, até as velhas ciganas que vêm o futuro em cascas de batata e baba de caracol se orientarem.

 

Dito isto, Querido Diário, nada mais a reportar. Vou ali pró terraço continuar a fumar cigarros e a emborcar água fresca com limão, na esperança que o vizinho de cima venha sufocar à janela.

 

Tua, monissima,

Sissi




Mais um bombom blogosférico

Quase três da manhã e está um calor do caralho. Escrever coisinhas que asseguram o PPR, nada. «Mobida madrileña» é pra esquecer que já não tenho idade para engates ébrios e day-after amnésico. O que é que se faz depois de excelso jantar na Plaza Santana, com passagem para a bica na Chueca? Perscruta-se a blogosfera, qual espeleólogo em busca de pilosidades por depilar.

 

E dou de caras com isto. Acho que já cá anda há um tempo mas só agora me dei conta. Bem bom.




Sábado, 21 de Agosto de 2010
Eat, Pray, Love and whatever works

Maneiras que é isto. Esta Princesa que vos escreve está numa de soul searching. Vai daí decidiu que, bom, bom, era sair do burgo e rumar a outras paragens. Quando o Tico e o Teco queimam o piston e a coisa já cheira a borracha queimada, o melhor mesmo é baralhar e dar novo. Noutro sítio. E porque no Verão querem-se locais fresquinhos, Sissi está em Madrid. Quanto tempo? Não sabemos. A ver.

 

Para já, temos um livro para acabar - outro, de outras vidas, não aquela aqui dentro - e, assim, de repente, não me ocorre mais nada. Vou aproveitar para colocar um penso rápido no coração, mas isso são contas de outro rosário. Farei o meu próprio «Eat, Pray, Love», embora ainda esteja por definir se a ordem dos factores é aleatória ou se se verifica a ordem original. A primeira está feita. Já embuchei uns pãezinhos com não sei quê e mais umas águas e uns cafés e assim. Tudo para as ancas e glúteos.

 

Postarei aqui merdas de elevadíssima craveira, tal como vos habituei, e tentarei ser cronista fiel dos acontecimentos vividos com nuestros hermanos.

Apesar de tudo, a vida é bem boa.

 

Hasta!




Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010
O 22 estranhos casos de violência doméstica

Estamos em Agosto e os últimos números que vi apontavam para 22 mulheres mortas em situações de violência doméstica desde o início do ano. Continuo sem perceber como é que isto acontece. Ou seja, cognitivamente, leio e escuto as razões mas nada do que o meu cérebro regista faz sentido, tendo em conta a morte e a violência dos contextos em que estas mulheres morrem.

 

Um abusador dá sempre sinais. Sempre. Bem sei que quando nos apaixonamos, isto que agora chamo sinais são apenas marcas de personalidade, um ciúme ou outro revelador, uma excepção. Os químicos que o nosso cérebro segrega sobrepõe-se ao discernimento e impedem-nos dé ver o que está, claramente, à nossa frente. Até ao dia. Em que, sem se saber bem como, a coisa dá-se. O abuso verbal, passa a empurrão que passa a murro que passa ao trespassar de balas.

 

Parece demasiado dramático? Não é. Os casos de violência doméstica, ou de qualquer tipo de abuso, são de uma cobardia tão grande que as palavras, por mais eloquentes que sejam, não têm espaço para abarcar os danos que causam. Porque à excepção dos contextos que acabam em morte, uma mulheres abusada fica marcada para a vida, tantas vezes de uma forma subreptícia que se manifesta numa intimidade que tarda em chegar. Uma mulher a quem o seu mais que tudo, aquele que deveria ser o lugar seguro, bate desconjuntadamente, desconfiará da sua própria sombra para sempre. E o pior de tudo: uma mulher abusada entra numa trip de culpa para a vida, como se merecesse aquele e todos os outros males do mundo.

 

Por isso, minhas querida, não se coloquem a jeito. Se um tipo, por muito fantástico que seja aos vossos olhos, começar a ter reacções inesperadas de dureza e violência, é só uma questão de tempo. E de escolha vossa.

 

Estou cansada de acudir amigas em permanente sobressalto. Por vocês, que não vos conheço, tudo o que posso fazer é escrever. Cuidem-se. Protejam-se. Informem-se. Sejam mais espertas. Tornem-se melhores. Fortaleçam-se. E não deixem que qualquer outra razão seja mais importante que vocês mesmas.




Terça-feira, 17 de Agosto de 2010
Surpresa

Há blogs que, não sendo especialmente bonitos, nem fazendo parte da «elite blogosférica», emanam uma luz própria. No fundo, há blogs com muita pinta. Não conheço o autor/autora, mas, desde já, kudos!

 




 
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Sex Bomb - O terceiro livro Download gratuito

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