Terça-feira, 30 de Maio de 2006
Sex and Friendship
Harry Burns: Because no man can be friends with a woman that he finds attractive. He always wants to have sex with her.

Sally Albright: So, you're saying that a man can be friends with a woman he finds unattractive?

Harry Burns: No. You pretty much want to nail 'em too.

Sally Albright: What if THEY don't want to have sex with YOU?

Harry Burns: Doesn't matter because the sex thing is already out there so the friendship is ultimately doomed and that is the end of the story.



Das coisas que mais me orgulho destes anos de existência é das relações que tenho vindo a construir com as pessoas. Especialmente com os amigos. Da forma intensa com que lhes digo e mostro que o meu afecto por eles é verdadeiro e do que isso lhes provoca. Como disse um novel amigo, trata-se de tocar as pessoas. E é assim mesmo. Trata-se de tocar as pessoas naquilo que elas são, de as fazer sentir importantes para nós e de tudo o que isso desencadeia. Gosto de perceber que os meus amigos adoptam parte do meu registo, afectivo e intimista, porque me percebem e confiam.
Há uns tempos decidi juntar uns quantos sem razão aparente. Aparente. Porque, sem pensar, ali estavam reunidos quatro deles, cuja ausência pesa e dói em tempos de solidão londrina, que noutras alturas foram meus amantes. E digo amantes no sentido de quem ama, porque os amei e amo profundamente, talvez da forma mais bonita que conheço. Apesar do que nos une ser comum, gosto de cada um deles de formas diferentes e por razões díspares. Quando terminou a relação física, ficou a mesma cumplicidade e confluência, o mesmo amor, no fundo, a mesma amizade. Foi, enquanto durou, a relação perfeita. Havia romantismo, sexo, partilha, identificação. E não falo dos fuck buddies, coisa que nunca me agradou. O que gostei sempre foi de ter amigos com quem estava sempre que nos apetecia ir ao cinema, ou ao teatro ou passar a noite a foder. Ou isto tudo e mais, ou nada isto e outra coisa qualquer. Mas a matriz mantinha-se. O gosto pela companhia, pela presença e a tesão sexual. Homens e mulheres podem ser amigos e foder. Aliás, homens e mulheres não deveriam foder sem esta escora. Apenas porque, para mim, me sabe menos bem. Sabe a sopa ensonsa, a pasta sem pesto, a bife sem ovo estrelado.

E depois, como em tudo na vida, as coisas evoluem. No meu caso, porque cada um deles encontrou alguém com quem viver o terceiro vértice das relações. Depois da amizade e do sexo, vem o compromisso. Que nós tínhamos. Mas era o comprometimento de não sermos comprometidos. E quando começamos a querer que as lautas refeições passem a gourmet, um dia apaixonamo-nos e assumimos com alguém o mesmo que tínhamos com os nossos amigos mas soprando um pouco mais de vida ao já de si muito bom.
E aí deixamo-nos ir. Continuamos a olhar com carinho e ternura os amigos outrora amantes, a sorrir a uma palavra que nos junta, momentaneamente, nas memórias e a viver com eles outra fase da amizade.

Se homens e mulheres podem ter sexo e ser amigos? Sempre.


Segunda-feira, 29 de Maio de 2006
Benchmark
Enquanto degusto umas bolachinhas cagonas de chocolate e gengibre que me custaram praticamente o olho do cú, ouço e trauteio a melodia Lovely Day, do Bill Whiters e penso, acto contínuo, ao meu melhor estilo carroceiro: «Lovely Day o caralho!» De associação de pensamento em associação de pensamento, volto a cogitar: «Caralho. Lá está coisinha que não me passa pelo estreito há mais tempo do que o desejável».

E debruçando-me sobre o meu assunto de eleição, continuei. E cheguei à conclusão que ultimamente só me calha piça comprometida. Piça em time-share. Daquelas com uma só dona mas várias usufrutuárias, que se recusa à exclusividade, mas que me permite umas horas de prazer em horário a combinar. Que eu, como fiel depositária de broches de grande qualidade, me esmero em cumprir, não vá dar-se o caso da senhoria descobrir a clandestinidade da coisa e me acabar com as «férias»...

Um piça em time-sharing tem o mesmo espírito que a piça em leasing. Na realidade, ela nunca é verdadeira nossa. Várias proprietárias oficiosas a reclamam como dela, excepto a proprietária oficial, a verdadeira dona, desgraçada, que a apanha já esmifrada e sem vontade. A essa calhou-lhe uma piça em ALD (Aluguer de Longa Duração), não raras vezes já em segunda mão ou mais...

Ora, pensando que estava eu nisto tudo, e a maldizer a minha vida que as bolachinhas cagonas já tinham marchado, quando tive, literalmente, uma ideia do caralho. «Ora se tu, minha reencarnação de Vénus, tens tanta rodagem em piça em time-sharing, porque não usas a cabeça para outras coisas que não incluam palavras começadas por B e acabadas em oche e te tornas mais empreendedora»?

Pensem comigo. Tal como me disse ontem um amigo atento, isto o mundo está cheio de gajos porreiros e casados. Ou seja, o mundo está cheio de gajos porreiros com piças em time-sharing. Vai daí, depois de aturado estudo de mercado, acho que tenho know how para trabalhar nesse verdadeiro nicho de mercado que é o da Revenda de Piça em Time-Sharing. E tenho várias opções que servem outros tantos intuitos. Basicamente, revendo o meu tempo (precioso, neste caso) de usufruto da PTS, troco por usufruto de piça original (meaning, sem contrato), ou por deleite noutra piça de grande qualidade. Ofereço expertise na área e livro de instruções. Dou garantia e vou ao domicílio.

Agora sim vejo uma utilidade naqueles 5 anos de faculdade...


TPM #16
Continuas um príncipe e eu continuo a sentir falta. Não de ti, mas do que me fazias sentir. Não do teu toque ou do teu beijo mas de um toque e de um beijo como o teu. Da forma como a tua mão, distraída, passeava pelo meu peito adolescentemente ofegante, apaixonadamente sem ar. A minha memória de ti tem cores fortes e nítidas. Ou a minha memória de adormecer abraçada a ti e às conversas que tínhamos depois do sexo tem tons saudosos. Gostava de partilhar o meu sono contigo. De acordar contigo a sorrir para mim. De sair de casa e saber que mais tarde te ia ver outra vez e que ia ser tudo bom. Outra vez.
Sempre gostei que as pessoas tivessem a distância que acho que elas devem ter de mim. Nem mais nem menos. A ti sempre te quis perto. Continuo a querer-te perto. E nestes tempos de solidão acompanhada, falta-me alguém que, ao contrário de ti, seja a pessoa certa na altura certa. Não são saudades de ti que sinto. São saudades de mim.

PS - rata que é rata também é lamechas de vez em quando.


Itapoã
Para quem ainda nao reparou, este palácio está em Bossa Nova Mode, graças ao Dj de Serviço, e ao caríssimo e venerado Explícito, excelso comentador e generosa alma.
Todos a Itapoã!
Grande Vinicius!

publicado por sissi às 13:14 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Sábado, 27 de Maio de 2006
TPM ou Da vida conjugal com hormonas
Sissi e o seu Um-Dia-Mais-Que-Tudo

UDMQT - Querida vamos dormir...

Sissi - Só se me levares às cavalitas.

UDMQT - Se te levo às cavalitas depois fico muito cansado...

Sissi - demasiado cansado para sexo?

UDMQT - Talvez...

Sissi - (levantando-se, num ápice) Vamos lá então dormir...

No quarto:

UDMQT - Anda para aqui que está quentinho...

Sissi - Chega-te para cá, estás tão longe...

UDMQT - Mas assim ficas quase na ponta da cama!

Sissi - Não faz mal. Se eu cair tu agarras-me...

UDMQT - Gosto de ti.

Sissi - Gosto de ti.



Sissi (em TPM) e o seu Um-Dia-Mais-Que-Tudo

UDMQT - Querida vamos dormir...

Sissi - já vou.

UDMQT - Anda lá vá, estás aí toda torta no sofá.

Sissi - Já vou! Já disse que já vou!

Meia hora depois...

Sissi - foda-se, podias ter-me chamado! Estava ali a dormir toda torta!

UDMQT - Eu chamei-te...mas deixa, anda para aqui que está quentinho...

5 minutos mais tarde...

Sissi - desculpa, importas-te de saires de cima de mim! Bolas, tens tanto espaço na cama tens que estar praticamente a dormir em cima de mim?!! E chega-te para lá!

UDMQT - Foda-se! Vê lá se páras!

Sissi - Mas o que é que foi? Fiz-te algum mal? Estás mal disposto? Vai marrar com as paredes!

UDMQT - Foda-se, tu estás insuportável...

Sissi - (a choramingar) Não precisas de falar assim...


Sissi ficciona sob laivos de realidade

publicado por sissi às 11:20 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 24 de Maio de 2006
O meu Tio
O meu Tio António é uma pessoa muito interessante. O meu Tio é um homem interessante. E bonito. Lembro-me, pequena, na idade em que a atenção ainda sopra inteiramente na nossa direcção, do meu pai me perguntar «Quem é o homem mais bonito que está nesta sala?», na esperança que a verdade da boca das crianças soletrasse o nome dele. «É o Tio António!» dizia eu, sorrindo e olhando para o rosto iluminado do meu Tio.

Fui crescendo e com o passar dos dias aumentava o afecto e admiração por ele. Era o pai que o meu pai não pôde ser e eu era feliz assim com dois pais. Ouvia-o sempre com o mesmo prazer e atenção, escutava os seus conselhos, perdoava-lhe os mesmos ralhetes.

Um dia perguntei-lhe: «Tio, porque é que não tens namorada?». Na sua imensa paciência, o meu Tio respondeu: «Querida, não queira ser adulta cedo demais, nem faça perguntas que não são para a sua idade. O Tio promete que um dia lhe explica.» E eu acreditava. Como acreditava quando ele me dizia que se tivesse fé em mim, nas minhas capacidades e nos meus sonhos, tudo correria bem. Tempos felizes esses...

Um dia o meu Tio levou-me a jantar ao «nosso» restaurante. Não estranhei a pompa daquela noite. O meu Tio tem o condão de tornar especiais os momentos, até os lanches de bifanas que o obrigava a comer quando vínhamos de mais uma tarde de bola em Alvalade. Vinha excepcionalmente aprumado. Reconheceria a milhas o cheiro da sua colónia. Clássica. E de dentro do seu fato de corte irrepreensível, já sentados na mesma mesa que nos acolhia todas as semanas, o meu tio diz-me: «O seu tio tem uma coisa para lhe dizer. Sou homossexual. Amo as mulheres, como bem sabe, que a amo a si, mas apaixonei-me por alguém como eu. Do mesmo género.» Disse-me isto com a mesma fleuma de sempre, mas percebi-lhe medo na voz. Eu limitei-me a sorrir. A passar as mãos pelos seus cabelos, beijar-lhe a testa e dizer-lhe: «Então e hoje, vamos variar, ou escolhemos a Perdiz como de costume?»

Três anos depois o meu Tio António e o meu Tio Luís mudaram-se. Acabaram-se as tardes temáticas. Os filmes franceses com Marrons au Chocolat e os Chás das Cinco com Scones. Os meus tios quiseram ter filhos e tiveram que mudar de endereço. Para escolherem uma criança a quem dar amor, a quem ensinar a tolerância e a diferença, apanharam o võo da manhã para um país onde o amor filial não tem sexo.

E eu fiquei sem este tempo de afecto, roubado pela estupidez e ignorância.

Um beijo Tios. Amo-vos.


Segunda-feira, 22 de Maio de 2006
Da Libertação Sexual
É engraçado perceber o quanto mudou o comportamento sexual das mulheres. Décadas depois de tornado público o relatório Hite, de Sheree Hite, as mulheres estão mais libertas que nunca.
Mas estarão mesmo?

Para as tipas da minha geração, cuja educação sexual passou muito mais pelos serões de Sexo e a Cidade que pelo saber de experiência feito, a libertação sexual é ainda um conceito difuso. E nem vou entrar pelo famigerado Orgasmo. Porque há várias razões para não o ter e a falta dele nem sempre implica uma má relação sexual. Mas quantas de nós saberá dizer Pára, quando os corpos, simplesmente, não estão coordenados? Quantas de nós toleraremos a falta de ouvido e de consciência do parceiro perante uma vulva seca de desejo?

A Internet democratizou o sexo. Tornou-o disponível para homens e mulher. «Pornografou» o mundo civilizado e alargou a nossa imaginação, mostrando-nos coisas com as quais nem nos atrevíamos a sonhar. Se foi profícuo ou nao, guardo-o para outro post, mas que fizémos nós, mulheres, desta aparente vantagem? Pouco.

Vestimos decotes e mini saias muito sexys, falamos de sexo, admitimos um ou outro pecado da carne, bebemos e fumamos para que o possamos encarar sem sentimento de culpa cristã, mas na cama, no pagar para ver, nos finalmentes, na real thing, quantas de nós reclamamos o direito a ser bem fodidas?

Tornamos o mundo mais bonito para os homens, com as nossas fatiotas sensuais e atitudes provocadoras, encaramos o sexo como um direito e não como um prazer, como alguma coisa que nos é devida e não como algo do qual fazemos parte. Mas debaixo dos lençóis, acredito que continuamos a fingir uis e ais para que o nosso parceiro não se sinta mal por estar a fazer mal aquilo que é tão evidente.
Resta-nos a encenação social. Muitas vezes de má qualidade e duvidoso gosto. Parece que mais que ser, importa parecer, sobretudo no sexo. A atitude é tudo, depois na cama logo se vê. Assim como assim, a maioria das vezes estamos bêbados e ninguém repara...

Para nós, que já nascemos na época do bikini e do g-string, este tipo de feminismo encerra em si mesmo uma libertação perversa.


Domingo, 21 de Maio de 2006
Quero o Festival de volta!
Tal como os falecidos Jogos Sem Fronteiras, o Eurofestival da Canção é um programa que nunca perco. Apesar de ser foleiro, as gargalhadas e o apontar de dedo ao ecrã da televisão enchiam os meus serões de alegria. Claro que não havia o suspense de adivinhar em que lugar Portugal ficaria colocado, porque sabíamos sempre que subia ao pódio dos últimos lugares, oscilando entre a medalha de prata e de bronze, isto se invertêssemos, obviamente, a tabela classificativa.
Ora, ontem, a única novidade, é que Portugal não esteve presente, a não ser nas votações. A modernice das pré-eliminatórias afasta-nos quase sempre do grande evento e não me permite detalhar as novas botas da Dora ou o coordenado moderno irmão gémeo das Doce.

As novas regras da Eurovisão também deve obrigar as cantoras e bailarinas a ter o menor número de metros de tecido no corpo, isto a ver pelas raparigas que enfeitaram o palco de Atenas. Mini saias, calçoes, muita mama (de silicone), muita costa a ver-se, enfim, um literal festim nú. Eles, apostaria, todos gays. Eu percebo que o Festival seja um ícone gay por execelência mas não é preciso esfregar-nos isso na fronha.
As músicas, todas iguais. As mise-en-scénes idem. Toda a bandinha, agrupamento, boy band, girl band, artista solo levava o seu próprio cenário, cada um mais surreal que o outro. Nesta categoria, ganhou, quanto a mim, a Rússia que tinha um homem que saía de dentro de um piano...


E no meio desta comédia de enganos, ganha a banda mais estranha que alguma vez elencou o Festival.
Os não sei quantos, da Finlândia, vestidos de monstros, com uma música de heavy metal...
Depois da palhaçada das votações (onde os países geograficamente próximos ou com interesses comuns faziam broches uns aos outros pela atribuição da pontuação máxima), os palhaços que ganharam foram até bem escolhidos...

E assim se dá cabo do imaginário infantil de uma princesa. Humpf! Estou amuada.
Zé Cid, volta! Volta Simone de Oliveira!

publicado por sissi às 15:34 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Quarta-feira, 17 de Maio de 2006
Do Refinamento
Um dos maiores ensinamentos que a Rainha-Mãe deu a esta princesa foi que tudo o que se faz, pensa ou diz, tem que ser feito com classe, garbo, rigor e estilo próprio. Tenho imagens fortes da minha mãe, uma Senhora, a provar os fatos feitos por medida na modista da Av. de Roma e de me questionar porque raio se havia ali tantas lojas teria ela que inventar novos moldes e padrões?
Tinha seis anos. Nessa altura queria era jogar à bola na rua enquanto fazia ballet no Colégio. Não tinha a mais pálida ideia do que era ser uma Senhora como a minha mãe. Ainda hoje não sei, provavelmente não saberei nunca.

Dei por mim a pensar nestas questões quando matutava sobre um certo macho que ando a deglutir. Nada de mais, é um amuse bouche. Porém, questionava-me sobre o que me faz continuar a prová-lo sabendo que não é inteiramente satisfatório. Várias sinapses depois descobri. O homem é um gentleman, como vi poucos até hoje, e trata-me como uma princesa. Das verdadeiras.
E perguntava-me uma aia da Corte: mas isso para ti é importante?

É. É pois! A envolvente do macho é importante. Não falo do dinheiro, que eu sou tudo menos money oriented, mas um tipo refinado tem sobre mim um fascínio incrível. Refinado nos modos e sobretudo no pensamento. E assim é este espécime.

Vejamos. Convida-me para jantar lá em casa. Cozinha um salmão no forno com especiarias que ele próprio comprou num mercado longínquo perdido na Índia. Enquanto jantamos, falamos de livros, de autores, de viagens, mas também de coisas mundanas, do futebol, de alguns programas de Tv, dos amigos comuns, dos respectivos trabalhos. A sobremesa vem a seguir e ele prepara-me o melhor Tiramusu que alguma vez entrou em contacto com as minhas papilas gustativas. Para digerir, um Armagnac. A música, Nicola Conte ou umas milongas argentinas. A erva, da melhor qualidade.
No dia seguinte, o mesmo ritual. Pequeno-almoço na cama. Sumo de laranja acabado de espremer. Croissants quentinhos com Creme de Leche. Piéce de Resistence: jamaican Blue Coffee, um dos melhores cafés do mundo. O jornal também não falta. Trouxe-me aquele que costumo ler, que é diferente do que ele lê. A tarde é passada na leitura e na escrita enquanto ouvimos música. O silêncio pode ser de ouro mas a capacidade de estar em silêncio é, certamente, de platina.

Posto isto, volto a questionar-me: a envolvente de um homem é importante?
Para mim, sem dúvida. Ou como diria a minha mãe: para quê comprar três camisolas na Zara se podes ter uma da Burberry's?
Será?


Segunda-feira, 15 de Maio de 2006
Bebedeira Sexual
I like to have a Martini

Two at the very most

After three I´m under the table

After four I´m under my host


Dorothy Parker


Não raras vezes, nos tempos em que vivemos, os conceitos de luxúria, sexo, depravação, deboche e quejandos vêm associados ao consumo de alcóol e drogas. Em maior ou menor quantidade, com mais ou menos sofreguidão e necessidade, quase todos já tentamos saber quão mais prazeroso ou fácil ou descomplexado o sexo pode ser quando já fumámos ou bebemos o suficiente para que o nosso super-ego deixe de ser um filtro e passe a ser apenas um conceito nos livros de Psicologia.

Confesso que houve altura em que achei que nunca conseguiria ter sexo sem a dormência boa, também chamada de «estou-me a cagar pó mundo e para o que ele possa pensar», que uns copitos de um fine wine podem trazer. Já sem falar da languidez e do constante flirting mode, da forma suave e calma que os movimentos ganham e o súbito descréscimo do raio de visão de uns olhos que, semi-cerrados, transbordam desejo.

E embora beba e fume socialmente o certo é que melhor sexo que já tive aconteceu quando estava toldada por um copito a mais ou uns fumos matreiros. Obviamente não falo de uma estado de semi- inconciência ou de amnésia alcóolica, falo apenas de um buzz, um horny buzz que torna a situação muito mais excitante. Suponho que assim seja porque, de facto, nos permite agir de acordo com a nossa vontade sem a «chatice» dos nossos fantasmas e o «aborrecimento» dos recalcamentos. Para além de que o toque ganha uma dimensão paquidérmica, em que uma mão parecem 10 mãos, um polvo gigante com tentáculos que são sentidos em todos os cantos.

Porém, os 31 anos que conto no lombo não me deixam fazer de cada date um drinking date e a idade é uma coisa que gosta de se manifestar nas alturas menos próprias. Ainda no outro dia fui convidada para uns «drinks after work», daqueles-que-não-sei-bem-no-que-vão-dar-mas-pelo-sim-pelo-não-vou-depilada, e pedi sumo de laranja. «What??!!» pergunta o meu acompanhante, como se tivesse acabado de pedir leitinho quente com bolachinhas. Ignorado o meu pedido, lá me trouxe um copo de branco. Ora eu, que ainda me estou a habituar a estas refeições líquidas, passada meio hora já o telemóvel me caía da mala, juntamente com as chaves de casa, e o decote que descaía e os olhos que iam ficando mais pequeninos, com a tusa cada vez maior enfeitada pelo sorriso maléfico que só o desejo sabe como provocar.

Não nego que tenho boas recordações dessas noites. Porém, pergunto-me se o facto de estar mais trôpega me impediu de viver uma potencial boa foda com o grau de exigência que gosto de habituar os meus parceiros? Ou seja, será que bêbedas mudamos os parâmetros?

Como sempre, falo por mim. Julgo que as minhas premissas não se alteram porque nessas situações me sinto ainda mais predisposta para o sexo do que o normal, mas não me parece difícil aceitar que há situações em que podemos deixar que uma foda fique a meio e a desculpabilizemos por via dos Dry Martinis e das Pints.

O alcóol é um lubrificante social. No sexo, faz-nos viver as fantasias sem complexos, soltar as palavras sem medos e o olhar do Outro é sempre recebido com um sorriso largo e seguro. Garante-nos uma liberdade aparente que julgamos não ter, ou não conseguimos viver, quando estamos sóbrios. É perigoso, portanto...

Não nego o lado positivo do consumo quando se trata de sexo, mas nada bate a «bebedeira», a tensão e a agitação de um parceiro atento e dedicado. A melhor da erva e o mais sublime dos vinhos não roça a qualidade de uma boa foda consciente do seu efeito.
E não devemos querer nada menos que isso.


 
livro

livro
Sex Bomb - O terceiro livro Download gratuito

livro

livro

livro Correio da Princesa
jukebox
Jazzanova - No Use

videos



arquivos

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

Março 2005

Fevereiro 2005

Janeiro 2005

Dezembro 2004

Novembro 2004

Outubro 2004

Setembro 2004

subscrever rss

badge