Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005
A Verdade da Mentira
Ontem à noite, à conversa com novos e velhos amigos, bati de frente com um assunto que me desperta grandes dúvidas e reflexões interiores. Devemos nós dizer a verdade sem mais? A coberto de uma amizade, devemos dizer sempre aquilo que pensamos a respeito da pessoa que nos ouve, ou douramos a pílula com manobas palavrosas de contorno de obstáculos emocionais, nossos e deles?
Tenho como certo que uma das poucas obrigações que temos para com os outros é tentarmos ser o que somos no maior número de situações possíveis. Para isso, é necessário que digamos o que pensamos, mesmo que isso tenha consequências nefastas. Chama-se a isto estupidez pura, grupo restrito do qual faço parte e sou presidente da mesa da Assembleia Geral! Porque, de facto, e se pensarmos nos nossos amigos, por exemplo, quem caralho é que quer ouvir dizer que a relação que tem não é boa, o companheiro não é o melhor, mesmo que até um cego consiga ver? Ninguém. Ninguém gosta de ser confrontado com aquilo que lhe dá muito trabalho a empurrar para o fundo do saco. Preferem um chiste bem amanhado a uma observação mais colocada, um sorriso complacente a um franzir de testa preocupado. Na verdade, todos nós temos as nossas mentiras e isso eu aceito. O que me parece estranho é que não tenhamos um lastro, um barómetro, interior ou exterior a nós, ou que, possuíndo-o, o rejeitemos por razões que, sendo legítimas, são conjunturais e, como tal, temporárias. E por outro lado, quem somos nós para opinar de forma tão intensa sobre a vida de outra pessoa, para largarmos uma bomba sem saber se aquele terreno volta a ser arável?
A Verdade é uma coisa perigosa que não é apanágio de ninguém. É, a mais das vezes, uma arma de arremesso, qualquer coisa que se entende possuir erradamente. Acharmos que sabemos a verdade dos outros, mesmo que ela seja muito evidente, é de uma sobranceria e arrogância em que caímos todos. É um paliativo na fímbria da maldade.
De facto, a nossa Verdade, por mais mentira que seja, é a única situação realmente intrínseca que tomamos como certa.



Quarta-feira, 26 de Outubro de 2005
And now, for something completely different...

Coisa mai boa...!
Gajas, apresento-vos Frédérick Michalak...selecção de rugby francesa...vien lá...vien à maman...gosto deste ar de porn star...



Terça-feira, 25 de Outubro de 2005
Ainda a propósito do post anterior...
...abriria toda e qualquer excepção para este senhor aqui em cima, de sua graça Colin Firth, que é o homem que mais me faz saltar da cadeira do cinema ou do sofá da sala. Guys, it´s all about brains and charm...ufa...



Segunda-feira, 24 de Outubro de 2005
Ó tempo volta para trás...
Há dias em que me sinto velha. Não porque as minhas olheiras estejam mais crónicas que nos outros dias, ou porque as minhas costas me doam mais do noutra manhã qualquer, mas, simplesmente, porque descobrimos que a paciência que temos para certas coisas se esvai e só damos por isso quando uma situação, outrora familiar, nos causa uma incomodidade estranha.
Entabular conversas com o sexo oposto na esperança que a noite corra bem, é uma delas. Tenho para mim, como convicção forte, que o nosso grau de interesse pelo sexo oposto é tão mais volátil quanto tesudo é o espécime em causa. Já dei por mim a pensar o melhor de perfeitos atrasados mentais apenas porque as feromonas me «obrigavam» a isso. Se tem pinta e toca a corneta no ponto certo, é do melhor. Se é feio ou menos interessante, embora saiba palavras com mais de três sílabas e, pasme-se, até junta duas ou três numa mesma frase, torna-se invisível mesmo que seja a única pessoa que esteja no nosso comprimento de onda. Não me orgulho especialmente deste meu lado, mas quando o desejo é uma coisa já mal contida, os critérios mudam, e não é pouco.
Mas como nada é taxativo na vida, existem as excepções, aquelas que me fazem pensar que estou velha e cansada e sem pachorra. De repente, dou por mim a ficar de narina entumescida por coisas que relevava, irritada com situações que nem dava conta e a levantar-me polidamente e sair com a leveza de um peso-pluma. A noite de sexta feira mostrou-me que há coisas que mudam. Umas para pior, outras para melhor e outras que ainda estou para saber.
A noite estava perfeita. Comporta, em casa de amigos, Marvin Gaye dava a toada, um bom Esporão no copo e uma erva de qualidade na mão. O grupo de convivas era perfeito. Nem demasiadas mulheres ou homens, nem demasiados solteiros ou casados, conhecia metade, a outra metade estava por conhecer. A campaínha toca e eu viro-me para ver quem chega. Fez-se luz. Espécime perfeito. As minhas hormonas latejavam e comecei a olhar em volta para criar uma manobra de diversão que me permitisse chegar à fala (e ao falo...) com a reencarnação de Adónis. Antes disso, as perguntas sacramentais:
- Mary, nome, idade, estado civil, profissão e preferências sexuais.
- Miguel, 34, solteiro sem namorada, arquitecto, straight.
- Obrigada querida. Posso atacar?
- Deves.
Estava montado o circo. Não demorou muito até que esta palhaça rica entabulasse conversa com o domador de leões. Grrrr.... Boas mãos e bons dentes (nestas coisas da caça tenho a tendência de olhar para os homens como para cavalos...), mas conversa de merda. Mas lá está, quando o sexo entra para o top 3 das cogitações diárias, as premissas variam, ui se variam.
Sei dizer que, à excepção do físico, o rapaz mandou todas ao lado e nem um tiro no porta-aviões. Ele conseguiu cometer a proeza de afundar todos os submarinos que são os meus requisitos e enervar-me profundamente. Desde uma manifesta incapacidade para comer à mesa a outras tantas que o impedem de cortejar uma rapariga com garbo, foi uma desgraça. E quando a coisa se estava quase a dar (sim, que eu sou tipo Pitt Bull, quando fecho a mandíbula...), dei meia volta, volvi e voltei para os braços do meu vibrador.
O tempo passa e há coisas que ficam lá atrás. Ainda bem.



Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005
TPM # 12
Sou naturalmente ambivalente. Sou casualmente diversa. Gosto de tudo mas tenho dias em que não me apetece nada. Quando era pequena, queria ser médica ou arquitecta, e depois jogadora de futebol ou bailarina. Hoje em dia, gostava de ser realizadora de documentários ou viajante. Sou racional e emocional no mesmo espaço de tempo. Gosto muito e não gosto nada com a mesma força. Sou maniqueísta e detesto manipuladores. Profissionalmente já fiz de tudo e ainda nada me satisfez completamente. O meu pantone tem cores estranhas e estou certa que muitas outras hão-de surgir ainda. E isto aflige-me. Porque embora saiba que não somos só isto ou aquilo, ser tanta gente em tantos milhares de situações diferentes torna difícil certos exercícios e trabalhos interiores, especialmente aqueles que acontecem quando quero analisar, pensar distinguir, chegar a conclusões. Obviamente, tenho conceitos transversais que são basilares para mim, sendo a liberdade o mais importante. Mas com quanta frequência seremos completamente livres? E como ser livre criando laços e estabelecendo ligações com os que estão colocados no nosso perímetro? O meu quotidiano é feito destas dúvidas.
Será que vai chover no fim de semana?



Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005
Sex Talk
Boy - Estou? Olá é o D. Tudo bem?
Girl - Sim, e tu?
B - Também. Era para saber se sempre está marcado o date de hoje.
G - Sim, claro. Vens cá ou eu vou aí?
B - Estava a pensar em jantar fora e depois íamos até ao Lux.
G - ... (silêncio)...pois...eu estava mais numa de passar aos finalmentes...
B - Como assim?
G - Sim D, não me leves a mal, eu acho-te simpático e tal, mas ao fim de dois jantares e ídas ao Lux já percebi que o que quero de ti é sexo. Como tal, my place or yours?
B - Vai pó caralho! - e desligou...
Contexto: os dois jantares e idas ao Lux tiveram direito a alguns beijos e sex talk numa tentativa de situação de pleasure delay. Já farta de esperar pela Fase B, a Girl coloca as cartas na mesa e leva uma tampa de muito mau gosto.
Quem é que é complicado, quem é?
;-)



Terça-feira, 18 de Outubro de 2005
Another boys and girls discussion....
A propósito de uma discussão neste blog, onde tento colaborar (embora dificilmente...):
Como em quase tudo, faz-me alguma confusão que os assuntos se dividam por género. Não me parece que haja uma forma de ser e sentir exclusivamente feminina ou masculina, embora admita que mulheres e homens, no processo de acasalamento, se comportem de formas diferentes, mais por serem pessoas diferentes e não tanto porque diferem em sexo.
Nunca tive a mínima paciência para os jogos de sedução. São, a maioria das vezes, uma seca e mal jogados. Normalmente, os homens tomam a dianteira e movem-se no tabuleiro de xadrez como se soubessem coisas que a mulher não sabe, com trunfos que ganham nas movimentações desse tabuleiro social, em coisas que são permitidas a uns e vedadas a outras. Logo aí, o mulherio está em desvantagem. E depois existem aquelas, como eu e felizmente somos cada vez mais, que insistem em mudar as regras do jogo. Afinal, o beneplácito régio do xadrez não se confina ao Rei comer a Raínha. Para nós, a Raínha pode e deve comer o Rei quando quer e assim o deseja, num jogo de poderes que está mais equilibrado que nunca.
É óbvio que, apesar desta inversão de valores instalados, as mulheres continuam a querer ser bem tratadas. Como os homens, de resto. As pessoas, no geral, gostam que as valorizem, as mimem, que percam tempo com elas. Mas para que as mulheres reivindiquem o que quer que seja junto da camadas masculina, têm que começar elas mesmas por se dar o devido valor. E isto passa, em grande escala, pela assumpção dos seus desejos e da sua condição de mulher. Uma mulher bem tratada é a que se trata bem. A que não permite ficar aquém dos mínimos olímpicos, a que não perde o controle sobre si mesma quando se apaixona e, sobretudo, a que não se deixa manipular pelas falácias iníquas que os outros insistem em ditar sobre a sua própria vida. No fundo, é tentar ser feliz e cada vez melhor pessoa, e exigir isso do outro. Porque só assim se pode aportar alguma coisa de verdadeiramente valiosa para uma relação a dois.



Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005
Pequenas considerações cinematográficas
Há fins de semana que são tão ricos em qualquer coisa que nos esqueçemos da merda que as nossas semanas são. O meu sábado foi tão bom, tão profícuo que até me sinto mal porque me sinto mal de hoje ser segunda feira. Sábado foi um dia em que os mimos que deveria distribuír pelos outros os guardei só para mim. Comecei a mimar-me às 18, no DocLisboa, com o documentário do David LaChapelle, Rize. MARAVILHOSO!!! Continuou com o Alice, o melhor filme português até à data. MARAVILHOSO!!!. Menos bom, foi o Last Days, do Gus Van Sant, sobre os últimos dias da vida do Kurt Cobain...enfim, nada é perfeito, mas também já estava de barriguinha cheia. Como ainda tinha um ratinho a roer, fui ao japonês alambazar-me de sushi e tempura enquanto via o Benfica (blhéq!) afastar-se dolorosamente do meu Sporting.
Hoje estou animicamente em baixo e não vos consigo explicar porque razão estes filmes me tocaram tanto. Acho que é por ainda os estar a deglutir, a ruminar e por me terem feito sentir tantas coisas que ainda não tenho o pensamento em ordem. Mas voltarei a eles em tempo últil.



Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005
Modernas...qualquer dia ainda nos apanham a fumar...
É uma tristeza...e depois queixamo-nos que nos tratem como merda...



Quinta-feira, 13 de Outubro de 2005
Maré Vazia...ou talvez não.
Ontem, histérica de alegria e contentamento, meti-me no bólide depois da FNAC e fui em killer mode até casa. Debaixo do braço levava uma caixinha de DVD´s azul, à qual me agarrava como se a minha vida dependesse dela. Chego ao Palácio, faço um tabuleirinho com um hot dog e um Sunny D, Florida Style, e refastelo-me no leito Real a rebentar de conforto. Sem saber ainda o que me esperava, ligo o DVD e ouço a música do Verão Azul. De imediato me vêm à memória as tardes em casa da avó, nas quais vivia ansiosa para que o relógio batesse as 3 e assim ligar a televisão. Começava o Agora Escolha, da Vera Roquette. Independentemente do que fosse o Bloco A ou o Bloco B, a turma do Piranha preenchia o intervalos das votações ao mesmo tempo que animava aquela minha hora diária.
Passou o genérico e passou a animação. Porque se um clássico é um clássico é um clássico, porque o tempo passa e ele é sempre bom sempre bom sempre bom, então o Verão Azul não é um clássico. Das duas uma: ou houve uma geração inteira a sobrevalorizar uma série que se tornou de culto, ou então aquilo é muito à frente e eu não topei o alcance. Na altura, pareceu-me um grupo coeso, amigo, com as diferenças naturais entre as pessoas, mas sobretudo, unido. Hoje, parece-me irreal que um velho e uma quarentona, o Chanquete e a Julia, pudessem andar um Verão inteiro a aturar uns chavalos mimados com brincadeiras parvas, porém próprias da sua idade. Para além disso, hoje em dia vejo que o grupo sobrevivia à custa das fragilidades uns dos outros numa autofagia cruel. A Bea, a rapariga gira e disputada, era a compincha da Desi, a do aparelho nos dentes e de óculos que ninguém queria nem para pano do pó. O Javi, que se vivesse cá seria um betucho do Planalto, rivaliza com o Pancho, a encarnação mais perfeita da minha fantasia dos putos da Casa Pia, numa luta, como se calcula, desigual. Em condições normais, estes putos nunca se teriam sequer cruzado. O Quique (que é igualzinho ao Bill Murray), é tão anódino, que se vê logo que tá ali só pa encher chouriços. É mais um betucho que tem que existir para dar contracena e fazer o contraponto com o outro. O betucho esperto e o betucho burro. Na realidade, o núcleo dos mais novos, Tito e Piranha, é o mais interessante e o mais verosímil. Por incrível que pareça, o Piranha é o que tem as falas mais inteligentes. Mas como os gordos são sempre sacos de porrada, o seu personagem está ali apenas para nos espantar, e supostamente fazer rir, com a quantidade de comida que consegue deglutir.
Portanto, agora que sistematizo a coisa, se calhar o Verão Azul é, na realidade, um clássico. Porque se pensarmos na forma como os grupos de organizam hoje em dia e no modo maniqueísta como as personagens nos são apresentadas como sendo um espelho da vida real, então esta grupeta é do mais actual possível.
Foda-se. Agora não sei se fique triste se fique contente. Acho que acabei com o mito...



 
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