Domingo, 18 de Outubro de 2009
METRO - No Divã com Sissi - Bored
Estimada Sissi,
Sou casada há 11 anos e já não sinto o fulgor sexual de outrora. Perdi-o algures entre as notas escolares do primeiro filho e as fraldas do segundo, entre manter um emprego que adoro e as obrigações familiares que me apoquentam cada vez mais. Sei que se continuo a negar-lhe o prazer sexual conjugal, a relação, que até nem vai mal, sofrerá danos irreparáveis. Porém, também não me quero obrigar a nada, sob pena de me sentir ainda menos mulher. Que fazer? Por favor, ajude-me.
Cara Leitora,
Se o seu marido não lhe desperta o desejo sexual de outros tempos, que tal aligeirar as suas outras vivências diárias e convocar a memória para dias mais felizes, onde o sexo imperava? A comunicação é chave (vivam os clichés!) e por mais assoberbada que esteja agora, permita-se a pensar com o seu marido em formas de criarem novos paradigmas sexuais que encaixem na vossa vida, agora mais cheia de afazeres e compromissos. Resgate o lado feminino que vive em si e planeie com ele estratégias que sirvam os dois. Diga-lhe o que gosta, como gosta, quando gosta, onde gosta…O sexo tem menos mistérios do que lhe gostamos de atribuir. E quando a vida lhe aparece de permeio, é necessário planear e confiar que ele já não aparece por osmose. Para que a vontade vá dando sinal, é preciso trabalhá-la, moldá-la, e, muitas vezes, recriá-la na nossa cabeça. Mas se este exercício ainda lhe parece demasiado longe, porque não começa com o mais belo e liberto prazer que podemos oferecer a nós mesmas, a masturbação? Arranje um momento para si, e toque-se, viaje ao baú das suas fantasias e permita-se apenas sentir. Comece por aí e vai ver que em pouco tempo sentir-se-á, novamente, uma mulher no sentido mais pleno do termo, consciente de que o corpo, o único que alguma vez teremos, também é uma fonte de inesgotável prazer.
Palavra de Sissi.
Maneiras que é isto. I´m back. Obrigada à súbdita que enviou esta questão. Em querendo enviar outras, não se acanhem. O anonimato é absoluto. Todas as segundas-feiras no jornal METRO. O Correio está mesmo ali ao lado.
Enjoy!
De ZOT a 20 de Outubro de 2009 às 10:40
Muito bem! muito melhor do que a Maya e revista Maria.
O esclarecimento é muito honesto e mostra o lado feet on the ground de Sissi. No entanto, peca por se ter esquecido de recomendar um bom ginasio à senhora. Isso, e recomendar-lhe segredar ao marido que vai passar a fazer a lida da casa sem cuecas.
De Anónimo a 25 de Outubro de 2009 às 20:05
Caro ZOT: Com todo o respeito que lhe é devido, o que me apraz dizer-lhe é que esta sua resposta é de uma ignorância inexplicável. Não deve ter reparado, mas neste caso a senhora é que está com falta de vontade, não o marido. Por isso talvez quem devesse procurar um ginasio fosse ele, não lhe parece?
Quanto a mim, se uma mulher não tem vontade de estar com um homem, é porque o homem em causa não a faz sentir amada e desejada. E se não faz, o melhor é mesmo livrar-se dele.(Para que é que serve, então?)A vida diariamente faz-nos confrontar com muitas situações dificeis, e se a pessoa que temos ao nosso lado nao nos apoia, inevitavelmente perdemos o interesse por ela... Infelizmente, a maior parte das mulheres vivem esta situaçao, o que é bastante triste... Mas se, por outro lado, nada fazem para se libertar destes filmes, merecem mesmo é ficar no buraco onde se meteram...
Para a dita senhora: Percebo que não seja uma decisao facil, uma vez que iria por em causa uma situaçao que dura já há anos... Mas olhe que hoje em dia é mais digno ser uma mulher sozinha do que andar a manter casamentos desgastantes e insatisfatorios...! Ele não vai mudar... Afinal de contas, está bem e recomenda-se! Fora o sexo, que voce lhe nega (ninguem aguenta tudo!) ele tem tudo o que precisa. Cama,mesa, roupa lavada... Ao contrario de si que se esfarrapa diariamente pelo conforto dele e ele em nada retribui... Ninguem se sente bem assim, querida... E assim, ninguem tem vontade de foder... Entrou num beco sem saida. E agora tem duas opçoes: Ou se liberta e sai, ou enterra ainda mais a cabeça na areia.
De
Alexandre a 23 de Outubro de 2009 às 03:01
boas,
cara amiga, creio que não ser a única a ter esse problema
o que eu faria?
o sexo e muito importante, e isso tem que melhorar, uma terceira ou quarta pessoa ,iria ser bem arrojado, não?
exprimente pensar nisso bem a fundo.
beijo
Cara Princesa, o desespero chegou. Depois de duas videntes que não sabem o que é peixe-agulha (nem têm na minha real pessoa chance da mais pequena credulidade), aguardo a clarividência de Sua Alteza. You have mail.
Acho que Sissi já demonstrou clarividência que chegue. Por o senhor a dar à sola sem antes tentar pelo menos por em prática as dicas sábias da nossa Princesa Mor também me parece um bocado exagerado. Mas em última análise se a coisa não for lá de maneira nenhuma, pois mais vale só que mal acompanhada.
De
docinho a 27 de Outubro de 2009 às 00:05
Sissi, a tua indubitavel experiencia no ramo deixa qualquer pessoa pasmada, tamanho é o conhecimento e a profundidade com que chegas aos corações (e a outros sítios que tais) dos teus estimados e fieis leitores!!! Aprecio a forma como tratas de assuntos sérios, porque nunca se pode tirar a seriedade e a gravidade das questões que dizem respeito ao sexo, mas com humor e boa disposição contagiante!! É porreiro páh! Gosto imenso do teu blog!! Visita-me também em http://docinhodegaja.blogspot.com sim? Merci!!!!!
De Óscar Delgado a 10 de Novembro de 2009 às 14:22
De acordo com a minha vasta experiência no assunto, acho que este caso não se resolve em casa. É preciso sair, ir para hotéis e motéis e experimentar um pouco de tudo, até que o caminho correcto seja trilhado.
Se existem coisas diferentes na sexualidade, é para serem exploradas. Nesse sentido pode começar pelo Swing com casais brancos. Depois, caso ainda sinta que não é bem o que deseja, tente casais africanos. O seu marido vai apreciar os seios leiteiros da senhora e você vai amar o naco gigante do malandro. E penso que não vai querer outra coisa, porque já dizia a outra "Once you go black, you never go back".
Caso isto não seja o seu caso, tente variantes. Tem sempre a zoofilia onde os cavalos estão sempre a sair. Se o cavalo for demais para si, tem sempre o São Bernardo, que no final do acto bem saciado não hesitará partilhar com a sua amante, o seu cantil de água fresquinha.
Poderá ainda querer praticar algo estranho. Nesse sentido aproveite os saldos das agências funerárias e poderá ir lá com o seu marido brincar com as viaturas que estão estacionadas no frigorífico da morgue.
Bem haja
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