Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Sleep(less)

Todas as noites, ao cair redonda no dossel real, ainda tenho tempo para pensar num detalhe que me deixa de fora de grande parte do mundo grelame: eu adoro dormir sozinha. Adoro. Mesmo. Adoro sentir o fresco da cama no Verão e o frio do Inverno. Gosto de abrir os olhos em direcção aos livros por ler e revistas por abrir. O lado esquerdo da cama pertence-lhes. Sempre que saco macho que pernoita, o sono dos justos transforma-se no sono dos incomodados. Porque apesar de partilhar o corpo, a cama e os olhos fechados encerram uma vulnerabilidade maior, que demoro a deglutir.

No dia em que um macho de estirpe me encontrar, vou ter problemas em explicar-lhe que a casa, como a cama, são espaços únicos, que serão habitados apenas por mim, para que possamos viver unicamente o que compete a dois amantes e companheiros de vida: o prazer, latu sensu. Para que quero eu partilhar o mau humor matinal, as contas, enxaquecas e unhas encravadas? Não senhores. Do meu amante quero a amizade e o amor. A logística pessoal guardo para mim e espero o mesmo de volta. Assim, quando o TPM me acertar em cheio e ele não estiver para me aturar, escuso de andar a fazer-me de forte quando me cruzar com ele entre o hall e a casa de banho.

A sério. Há merdas que me escuso de saber. Demasiada proximidade mata o interesse. Quando a coisa se torna demasiado familiar, lutamos por quê? Apre!

 



publicado por sissi às 13:27 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Freddy a 20 de Novembro de 2008 às 14:57
Concordo e não. Nunca gostei muito de dormir acompanhado mas resolvi o problema. Pus mais uma almofada qdo durmo com a minha maria e tudo ficou fixe! E adoro dormir com ela! Adoro!!!


De H a 20 de Novembro de 2008 às 15:08
Sissi ,

Sigo este blog à já alguns anos, digo isto apenas para que saiba. Irreverente e frontal sempre fora adjectivos que se me colaram, ás vezes demais até e talvez por isso sempre achei bestial a frontalidade, irreverência do como escreve e do que escreve. Nada como falar claro e sem falsos pudores. Por estas e por outras continuarei a ser um fiel leitor deste palácio e sobretudo obrigado por partilhar. Bom..
Em relação ao post , tive a felicidade de estar com alguém cuja postura era ainda mais radical, e digo felicidade pois foram tempos bem felizes. E passo a explicar.. Eu, sendo meritório do estatuto de cabrão , na casa dela não podia passar da sala. E quando digo isto, é literal. Quarto e WC eram off-limits , mas na sala valia tudo, sendo que não foram poucas as vezes que, a caminho de casa, tinha passagem obrigatória por uma pensão para a troco de 5€ tomar um duche para ocultar cheiros e sabores de momentos bem passados. A situação foi sempre assumida por ambos como sendo meramente física até que um de nós deixou de ver as coisas assim e daí ao fim desta vida foi um passo. Acredito que questões de intimidade não eram exclusivas comigo por ser cabrão mas sim por uma qualquer outra razão que pode simplesmente passar por haver coisas que são nossas e não as damos de bom agrado a ninguém. Se o corpo se partilha a vida não. Por isso mesmo acredito que não somente a proximidade mata o interesse mas porque há coisas que são para ser nossas e ponto final.

Beijo

P.S. É estranho mas apesar da distancia que o email permite, falei disto consigo e que nunca tinha partilhado com mais ninguém E dei comigo a enviar um beijo.


De Valquiria a 20 de Novembro de 2008 às 15:12
Prefiro mto mais dormir acompanhada.
Menos se ressonar. Isso é um verdadeiro suplicio.


De sb a 20 de Novembro de 2008 às 15:30
Sissi,
sempre podes fazer como o Tim Burton e a Helena Bonham Carter que vivem lado a lado, mas cada um na sua casa (só com uma porta a ligar ambas as casas). :)


De Ana Malmequer a 20 de Novembro de 2008 às 16:38
Cara Princesa Sissi,
lamento que pense dessa forma e reja a sua vida com esses ideais tão solitários e independentes. Mas são escolhas e opções (cada um com as suas) para o resto da vida que é única, efémera e fugaz.

Aceito mas não posso compreender. Jamais.


De Ana Malmequer a 20 de Novembro de 2008 às 16:49
E permita-me Sissi, parece-me que no meio de toda esta repulsa à aproximação do ser masculino nos meandros dessas paredes apalaçadas, a Sissi esconde uma defesa poderosa. Pensa no quão bom é dormir sozinha. Pois claro está, se pensar no quão bom é dormir acompanhada vai sentir-se só na imensidão desse palácio, onde passeiam felizes Miss Lola e sua mãe. E daí virá a constatação de muita coisa em falta na sua vida, que a sua racionalidade não lhe permite ter.

Não cabe em mim tamanha solidão por isso perdoe-me se não se revê nestas palavras. Hoje a Sissi fez-me querer saborear com mais persistência a comanhia dele. Fez com que hoje, quando chegar ao meu jardim, dê valor a cada palavra, cada gesto, cada momento ao meu lado. Porque não é de solidão que vive o ser humano, e os Labradores não preenchem tudo o que há dentro de cada um de nós.


De pau javardo a 20 de Novembro de 2008 às 17:41
Ana Malmequer, ao ler te, perante os meus olhos as luzinhas de natal aqui do Chiado, transformam-se em orgasmos multilplos. Cintilantes pénis e vulvas ardentes de desejos preenchem agora a minha mente. Se é certo q algumas gajas apenas servem para esvaziarmos os tomates, outras podem ser nossa companhia por bastante tempo. Até para dormirmos juntos numa imensa foda.
obrigado por apareceres por aqui


De Roger a 20 de Novembro de 2008 às 17:29
Porquê tanta necessidade obcessiva e constante de afirmar que detesta qualquer tipo de compromissos? Ele é relações, ele é dormir junto...

Quem desdenha quer comprar...




De Roger a 20 de Novembro de 2008 às 18:07
Sugestão: VIRE AS COSTAS à solidão.


De MM a 20 de Novembro de 2008 às 18:16
Partilho inteiramente da opinião da Sissi! A minha cama é só minha e assim continuará. Não acho que seja uma opção egoísta, não é defeito é feitio.

Há coisas que não me apetece partilhar, por exemplo essa do WC que alguém referiu, e que são só minhas.

São opções e desde que nos sintamos bem isso é que interessa :P


De Pau Javardo a 20 de Novembro de 2008 às 18:28
Ahhhh mas aposto que tens um cãozinho...


De MM a 20 de Novembro de 2008 às 23:22
É mais uma cadela, gato e mais uma vasta panóplia de animais domésticos



De pau javardo a 21 de Novembro de 2008 às 10:54
lá está. n tens a arca de noé completa. falta te um peixinho. Sugiro a SARDA.


De Madura a 20 de Novembro de 2008 às 19:18
Sissi!!! Subscrevo inteiramente! Tenho 40 anos, já fui casada, já tive por aqui um namorado quase efectivo após 5 anos a viver sózinha e definitivamente a cohabitação, a partilha da cama e de todas essas coisas que mencionou são meio caminho andado para destruir os encantos!!Um post de grande maturidade..


De verde a 21 de Novembro de 2008 às 22:19
Também não gosto de dormir quotidianamente com ninguém.
Exceptuo, por razões económicas, férias e/ou viagens.


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