Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Sissi na FHM - It´s war!

Se pensarmos na Guerra como uma tour de force para obter poder, então a Guerra dos Sexos é a mais longa, duradoura e prazerosa forma de o obter. E perguntam vocês: «E porquê grande Sissi, General do Sexo bem dito e bem feito?», e eu respondo: Porque entre o ganhar e o perder, no meio do deve e do haver, não há feridos nem mortos nem populações dizimadas. O cardápio desta contenda inclui orgasmos, posições e situações que em nada se parecem com uma guerra. Et pourtant (hoje acordei galicista), ela existe. E porquê? Porque tem muito mais piada assim…

 
Ora vejamos. A cama é um campo de batalha, mais ou menos encapotado, onde o nosso carácter espreita a cada gesto. Todos nós somos, predominantemente, activos ou passivos dependendo de uma série de factores nem sempre perceptíveis. Quando estes papéis estão bem definidos tudo corre sobre rodas. A nossa Rosa dos Ventos aponta sem falhar os pontos cardeais a que pertencemos e onde nos sentimos bem e o sexo é um mar flat em dias de marés vivas.
Porém, e porque uma Guerra sem bazucas e morteiros não tem piada nenhuma, a nossa natureza tem momentos em que nos prega rasteiras. Uns dias podemos gostar de levar com ele por detrás, nos outros apetece-nos montar o macho como um touro mecânico. Momentos há que somos definidos mais como um género calmo de «venha a nós essa grande piça» e outros, mais afoitos, de «ora vamos cá ver onde é que te vou comer hoje». E é aqui que o Plano de Guerra tem de ser equacionado. Porque enquanto os soldados comem e calam, tudo corre bem nas trincheiras. Mas quando os soldados querem variar a ração, as patentes superiores amotinam-se.
 
Estimados Súbditos do Reino de Sissi, no variar é que está o ganho. Se a vossa parceira está um ano inteiro a pedir uma canzana e, de repente, lhe apetece fazer-vos um botão de rosa, mandem as mãos para o céu e digam «Hossana nas Alturas». É sinal que não andam a comer uma morta-viva e que do outro lado há alguém com vontade própria que gosta de variar – afinal, a chave para o bom sexo. Não adjudiquem significados e significantes a uma coisa que é apenas o que é: sexo é prazer. São corpos, sensações e pulsões, enfim, um cabaz de informação suficiente para vos deixar entretidos enquanto o praticam. Colocar mais pólvora dentro dessa baioneta é arriscar-se a perder a guerra por falta de comparência do adversário. Mesmo que ele lá esteja…


publicado por sissi às 10:45 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 11:40
Muito bom texto, Sissi. :D

é bom haver uma guerra assim, onde vale tudo (o que se quiser), os dois lados ganham e rendermo-nos pode ser tão agradável e pertinente como dominarmos. podemos lamber as feridas de outras batalhas, fazer desaguar no estuário do prazer energias e raivas e stresses acumulados longe da cama, afinar as sintonias e linguagens da relação ou desenvolver a tecnologia emotiva e sensorial da atenção perspicaz de quem tem companhia nova, para as manobras do cio. e o arsenal de armamento, de estratégias, tácticas, de reconhecimento do terreno, da topografia do corpo, é imenso. há poucas ocupações humanas, das que são essenciais e primárias, que tenham como contexto o prazer, puro e simples. e que melhor forma de aproximar, de atirar uma pessoa contra (o corpo de) outra que a construção do prazer mútuo?


De sb a 16 de Outubro de 2008 às 12:37
E quem fala assim nao é gago!
clap clap clap!


De Berto a 16 de Outubro de 2008 às 13:14
Depois de ler os ultimos post's... Por onde é que andavas tu!!!! É a descrição da minha dream girl.


De Roger a 16 de Outubro de 2008 às 15:36
"...Estimados Súbditos do Reino de Sissi, no variar é que está o ganho..."

Mas variar é fundamental, estamos de acordo. Não é preciso apresentar isso como se se tivesse descoberto a pólvora.


"....há alguém com vontade própria...."

Certíssimo, também detesto múmias. Mas vontade própria também eu posso ter em relação a que me façam ou nao botões de rosa, certo?
Uma relação e consequentemente o sexo, só é verdadeiramente bom quando aquilo que se faz é do agrado dos dois. Ok, variar é a chave do sexo. Lapalisse não diria melhor. Mas se for bom para os dois, ou não?
Ou será que é assim: "Épa querido, deixa-me fazer-te um botão de rosa.....ai não gostas? Desculpa mas vai ter que ser! Senão és um machista, etc, etc..etc.... "
Imagine, Sissi, que na cama, um homem lhe pede para defecar na sua boca e isso não é uma coisa que você aprecie particularmente e, por isso, diz-lhe que não. Não me diga que também acha que perdeu a guerra por falta de comparência?....

Agora se há quem goste de soldados que comem e calam.... então o melhor é comprar uma boneca ou boneco numa Sex Shop....


De pau javardo a 16 de Outubro de 2008 às 16:27
Gostaria em primeiro lugar de saber se alguem tem uma parceira q passa o ano inteiro a pedir uma canzana pois com toda a certeza já ladra e dá a pata. Deve ser um exemplar encantador, apesar de monótono. Concordo no geral com essa maxima do prazer acima de tudo, no entanto, como já disse anteriormente, não vou transformar a minha cama na Feira de Enchidos do Jumbo. Sirvo o bom chouriço mas a parceira saberá respeitar o meu vasilhame.


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 16:47
dentro do que é razoável (excluindo filias bizarras, de extrema violência, humilhação, etc), já me interroguei: e se uma parceira (com quem me apeteça ter relação duradoura) me disser que nunca, mas nunca me irá fazer sexo oral (por exemplo)? o que me assusta nem é a possibilidade de me aparecer alguém de gostos muito diferentes dos meus. é outra coisa. e se eu me apaixonar por uma mulher com ideias, conceitos e preconceitos demasiado distintos dos meus? por exemplo, uma parceira que, além de não praticar sexo anal, me tenta convencer militante e intransigentemente que todas as mulheres que o praticam são porcas, desviadas, sujas, etc. ou uma que ache que há posições que são indignas, ou próprias de putas, ou uma outra que para quem o sexo apenas funcione dentro de determinada perversão, excluindo tudo o resto (o que se passa com alguns praticantes de S&M, para quem os não praticantes fazem sexo baunilha, ou seja, sexo foleiro, sem interesse nem tesão). é aí que a coisa ameaçava não funcionar. não é que tenham de fazer tudo o que eu quero. mas se o que querem (num sentido mais lato) é muito, muito diferente do que eu quero, se calhar não vai funcionar.


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 16:56
Como tudo na vida, também no sexo há que fazer cedências, há que ser paciente na aprendizagem e mais ainda no ensino, há que mostrar que se gosta e se quer sem no entanto exigir. Se tudo for feito com calma, conta e medida certamente ambas as partes acabarão por dar um "miminho" ao outro sem que para isso alguém tenha de se humilhar ou fazer o que não quer ou sentir-se obrigado a fazer o que quer que seja.


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 17:12
concordo. mas eu, sinceramente, penso que não conseguiria fazer funcionar (durante anos) uma relação em que a minha parceira quisesse, por exemplo, ser sempre uma dominatrix, ou sempre uma submissa. se só dessa forma conseguisse sentir-se realizada na cama... os miminhos que eu lhe desse acabariam por tornar-se em fretes. uma coisa é surpreendermos o outro com algo que ele gosta, dando-lhe esse petisco de presente. outra coisa é tentarmos ser o que não somos, ou pior, suportarmos no outro o que não queremos (e repito, nem tem a ver com fazer isto ou aquilo na cama, tem mais a ver com a personalidade, nenhum de nós é compatível com todos os tipos de personalidade. não é aceitar-se ou não o botão de rosa, é a razão porque achamos o botão de rosa o máximo ou a coisa mais nojenta: é isso que nos faz diferentes, e, por isso, não compatíveis com os que nos são demasiado diferentes).


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 17:34
Assino por baixo. Todos temos os nossos momentos de querer comandar e de submissão. E como é óbvio as personalidades são diferentes e há coisas que não gostamos de fazer ou que nos criam asco. mas como lhe disse, sábio é o professor que consegue demover ainda que esporadicamente o seu aluno a fazer todos os trabalhos de casa, se é que me faço entender. e isto vai de encontro à surpresa de que fala, provoCão. Até custa a primeira e segunda vez; a satisfação que se vê transparente no rosto do(a) parceiro(a) é tão satisfatório que por querermos vê-lo(a) assim mais vezes concerteza iremos repetir. Porque se queremos ser agradados também temos que agradar. E ás vezes o "sacrifício" vale muito a pena.


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 17:43
:D uma das coisas que me torna incompatível com algumas personalidade é que eu sou muito curioso, e deixo os complexos e preconceitos fora do quarto, o mais que posso. há quem vá para a cama com um cinto de castidade psicológico, que constrange, limita e envenena as possibilidades de aprofundar a dois as possibilidades do prazer e da partilha de emoções. e até agora, não tive de me "sacrificar", fiz e experimentei o que tinha a ver comigo e com os dois. (o sexo se deixa de ter o componente descoberta, perde tempero).


De pau javardo a 16 de Outubro de 2008 às 18:03
Vossa prosa é sublime, sinto me sempre com grande dificuldade em acompanhar. Camões perto disto é um menino, um principiante. A Cúriosidade matou o rabo, o rato desculpem. Ao quererem imitar o nosso inigualável Poeta na prosa, tenham cuidado com o olho. Em vez dos lusiadas, escrevam " Os Fodias".


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 17:46
permitam-me uma correcção. Quando digo "sábio é o professor que consegue demover ainda que esporadicamente o seu aluno a fazer todos os trabalhos de casa" queria de facto dizer que ele é sábio se conseguir orientar o seu aluno a fazê-lo. Demover não será a palavra mais correcta para a frase ter o sentido que eu pretendia.


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 17:49
ok, assim faz sentido. em vez de demover seria: motivar ou convencer, persuadir. :D tinha relido a frase, sem perceber.


De Roger a 16 de Outubro de 2008 às 17:49
Cara Ana,
Percebo e admiro o seu altruísmo... Eu confesso que em determinadas situações, não nasci para ser a Madre Teresa de CalCÚtá.



De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 17:47
Mais uma vez assino por baixo. Não do meu mas do seu comentário, provoCão.


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 18:10
pu javardo, adoro quando chega com esse seu ar... javardo. torna tudo mais broeiro e equilibra a balança.


De pau javardo a 16 de Outubro de 2008 às 18:25
Ana estragas-me com mimos. É a lei das audiencias, baixa-se o nível, aumenta-se o interesse. E ninguem perderá a tesão por causa disso. Ou perdem e lá voltam as lições de jardinagem? (vulgo botão de rosa)


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 18:33
Essa é uma grande verdade de audiências de hoje em dia, e eu gosto.

Mas permitam-me, que talvez não esteja tão bem informada quanto julgo. Botão de rosa é um atributo feminino. Como é que nós, gente emburacada, poderemos fazer-vos a vós, seres dotados de três pés, esse dito botão de rosa?
Alguém me ilucide, de sexo quero saber tudo.


De Roger a 16 de Outubro de 2008 às 18:41
Acho que o Provocão é a pessoa indicada para lhe responder a isso...


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 18:59
Ana, botão de rosa é o acto de estimular o ânus do/a parceiro/a com a língua. Visto que homens e mulheres têm língua e ânus, não percebo bem qual é a tua questão. Sobre o anilingus, outro nome para a coisa, o wikipedia tem um artigo bastante completo, que inclui os riscos para a saúde decorrentes da prática.
http://en.wikipedia.org/wiki/Anilingus


De Ana Malmequer a 16 de Outubro de 2008 às 19:07
Obrigado provoCão, estava de facto equivocada em relação ao significado de botão de rosa. Aprender até morrer.


De provoCão a 16 de Outubro de 2008 às 19:13
se estavas a pensar na penetração, para isso há uma parafernália de dildos, strap-ons e afins. o que me parece mais interessante é o feeldoe [ http://www.feeldoe.com/page2.html ]


De Ana Malmequer a 17 de Outubro de 2008 às 09:45
Não, não era nisso que estava a pensar. Mas obrigado na mesma pelas dicas.


De provoCão a 17 de Outubro de 2008 às 11:21
ui... sou tão curioso que até chateia. não queres revelar em que é que estavas a pensar?


De Zeca Diabo a 16 de Outubro de 2008 às 18:15
Bem sei que a nossa princesa não é especialista em armamento (pelo menos militar) mas "pólvora na baioneta"?! Querida princesa, a baioneta é para pôr as tripas dos gajos ao sol e a pólvora põe-se no cano.. Se puser a pólvora na baioneta não deve ter tiro e assim o adversário vai domina-la de certo!! Tirando isto, concordo com a generalidade, excepção feita à florista, claro está!! Cumprimentos


De provoCão a 17 de Outubro de 2008 às 16:15
agora é que vi, este tema e as reações de escândalo já são um clássico aqui: http://cenasdegaja.blogs.sapo.pt/77059.html?page=2


De Dr. Psico a 19 de Outubro de 2008 às 16:12
Tou farto dos teus textozitos pseudo intelectuais
sobre o sexo. Mais que uma linha para falar de sexo
é de mau gosto.
PS: Eu dava-te um tratamento!


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