Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008
Stay strong

De volta ao Palácio e ao Correio da Princesa, e depois de vasculhar por entre os insultos do costume, deparo-me com um email de uma súbdita vítima de violência doméstica. Encolhi-me sob o tom do relato e fiquei a pensar nisto durante horas e a remoer memórias passadas, tristes e semelhantes.

 

O que é verdadeiramente trágico neste relato é o contínuo abuso (durante anos), a repetida violência e a declarada incapacidade da vítima para agir. Sem o apoio familiar ou estrutura financeira que a permita sair de casa, esta mulher vive sob o jugo dos humores negros de um marido que lhe bate, viola, abusa há longos anos, humilhando-a e matando-a aos poucos. Não escreveu para pedir ajuda. Não sente que haja esperança para ela. Mas pediu-me, como leitora do blog, que escrevesse sobre o assunto. Cá estou.

 

Por este súbdita, e por mim, que também já senti este tipo de terror, apelo-vos, estimadas, abram os olhos e tenham coragem. A violência física é sempre precedida de uma certa manipulação mental. Os sinais estão lá se os quisermos ver. Ataques de fúria ocasionais por detalhes vivenciais, controle obsessivo dos vossos passos, ciúmes doentios, são rastilhos que, muitas vezes, vos explodem na cara. E nessa altura, não hesitem, não relevem, não relativizem. Apresentem queixa - é muito importante que o façam! - e mantenham-se afastadas.

 

Stay strong.

 

 



publicado por sissi às 11:21 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Maria Inês a 1 de Outubro de 2008 às 12:41
E eu fiquei a pensar na forma que esta mulher encontrou para que a sua história fosse, de certa maneira, ouvida... E, esperemos que ela consiga fazer com que a sua história tenha um outro desfecho.


De Comendador Antunes de Burnay a 1 de Outubro de 2008 às 14:24
Admirável leitora da Admirável Sissi, nunca se esqueça de quanto vale. E, não a conhecendo, aposto o meu Bentley Continental em como você vale mais do que a maioria das pessoas que conhece. Depois nunca se esqueça que você é a forte. Ele é o fraco. Esta parte é importante, você valer muito e haver um fraco, muito fraco, nesta história que não é você.


De ZOT a 1 de Outubro de 2008 às 15:39
Cara subdita,

Va pondo qualquer coisa na comida dele. Faça uma busca na net que encontra algo que o envenene sem o matar. Depois quando ele estiver doente, coitado, trate-lhe da saude... Fazia um favor a si mesma e à humanidade.

Cumps solidarios


De m a 1 de Outubro de 2008 às 18:22
Como muitos outros que leram o "nada" que Sissi revelou, lhe desejo força para que não perca a esperança, a sua vida poderá será diferente, melhor e mesmo feliz!! Pode pedir ajuda, não hesite muito e peça ajuda. Imagino que não seja fácil , mas também não deve ser pior do que o que vive no seu quotidiano.
um beijo cheio de coragem


De silvia ribeiro a 1 de Outubro de 2008 às 19:39
Acho que muitas vezes o medo é bem mais forte do que tudo o resto, e por isso perde-se a coragem de denunciar aquilo que muitas vezes está debaixo dos nossos olhos e não damos conta. Mas à pessoa desta hitória so posso pedir que nao desista e que tenha força para lutar contra esta situação porque o cobarde de certeza que é ele e nao ela. Força


De lunatik a 2 de Outubro de 2008 às 11:00

Viva Princesa

estes relatos são sempre tristes, uma pessoa que sofre assim tem que pensar que por muitas necessidades que vá passar penso que será sempre melhor que a alternativa de viver com alguém assim.
De certeza que se tomar a atitude correcta de fazer queixa, sair de casa, procurar ajuda, mesmo contra tudo e todos, pois por vezes a própria familia toma partido do agressor, de certeza que será mais feliz do que viver nesse inferno.
A todas (os) que vivam nesses infernos por favor tomem a atitude correcta de vão em frente, façam queixa, saiam de casa, o que for necessário, mas não deixem de viver.
Bjs


De Joana a 2 de Outubro de 2008 às 18:20
Por cobardia, por ignorância, por medo ou mesmo por vergonha só à bem pouco tempo contei a minha passagem pelo inferno...passagem longa e dura...foram 7 anos de terror, dos 14 aos 21 anos. Fui vitima, palavra estupida, mas foi isso que fui durante todo esse tempo...Apresentem QUEIXA! Não façam como eu, que me remeti ao silêncioe ainda hoje recordo cada segundo de horror porque passei.



De maura a 2 de Outubro de 2008 às 21:55
A todas as vítimas de violência doméstica - apresentem queixa e tenham coragm.

Mas quis comentar para chamar a atebção para o facto de existirem muitas vítimas de violência doméstica do sexo masculino. E parece-me que estes são os que têm mais pudor em se queixar, não só pelo medo de retaliações e tudo que está inerente à queixa em si, mas sobretudo por terem vergonha que uma mulher os domine a esse ponto.

Só para alijeirar, partilho a história do vizinho de uma amiga. Ela conta serem já dois velhotes que desde há anos propiciam aos vizinhos a audição daquilo que parece um homem a bater numa mulher, sobretudo porque se ouve o senhor dizer "Toma! Toma!". No entanto, nos dias seguintes a estes episódios, o senhor é que mostra marcas na cara e sabe-se lá do resto, enquanto ela anda rija e fresca. Cá está o pavor que este senhor tem da humilhação social, mais do que da mão da esposa!


De maura a 3 de Outubro de 2008 às 13:11
Queria dizer "aligeirar", peço desculpa pelo erro ortográfico. E "atenção" mais acima.


De Smily a 3 de Outubro de 2008 às 15:04
Sabes, a minha irmã andou uns tempos assim a sofrer, mas ele era doente! Tinha esquizofernia (acho que é assim que se escreve) e batia-lhe!

Mas o que a ajudou muito, foi a força que a família lhe deu e eu que falava muito com ela!

É bom ter alguém que nos ajude e apoie, principalmente uma pessoa que está nestas condições!

=) Sei do que falo!

Beijinho****


De NiceLand a 3 de Outubro de 2008 às 17:50
Vítima de violência doméstica?Denuncie. Porque em pleno século XXI, animais são aqueles que abusam das outras pessoas. A quem contactou a Sissi, força. Ter admitido o que se passa é o primeiro passo para tudo melhorar!


De Maria a 5 de Outubro de 2008 às 03:05
Eu trabalho com vítimas de violência doméstica e penso que o mais difícil é vencer o silêncio...mas só se consegue através da denúncia. Não é necessário denunciar o agressor às autoridades (a vítima pode não querer iniciar um processo crime), pode ser a uma associação. Nestas associações a pessoa recebe apoio psicológico, social e jurídico mas o essencial é a força de vontade da própria vítima. Já tive centenas de processos e só com força de vontade da vítima (juntamente com o trabalho dos técnicos)é que a situação se resolve.


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