Terça-feira, 17 de Junho de 2008
A melhor coisa do mundo?

O feliz nascimento de três petizes muito próximos, tão lindos que emocionam, fez-me pensar no quão duro é o papel de mãe. Já não bastavam as dúvidas, medos e inseguranças que qualquer mãe vive e sente, e ainda têm que levar com os educadores-mor, que são, regra geral membros da família alargada que se acham no direito de opinar sobre o presente e o futuro da criança.

 

Começa o festival ainda a criança está sossegada e por parir. Que cesariana não pode ser porque isto e aquilo, e que a maternidade é que é e deixem-se lá de modernices de hospitais particulares, que não se pode comer isto porque aquilo e aquilo porque aqueloutro, que vai ser rapaz, não, rapariga porque a barriga está mais espetada e como toda a gente sabe a barriga espetada é sinal universal de fêmea, e nomes? ai os nomes, tem que ser o cruzamento do nome do avô com a tia da prima, foda-se, que ninguém os cala!

 

E depois a criança nasce, e começa o coro das velhas de novo, porque é a cara do pai, não, da mãe, não o metas a arrotar antes de ter dado quatro bufas, das malcheirosas, se for cólicas, pastos de água quente que os medicamentos só fazem é mal, o quê? não vais amamentar? vaca, mãe desnaturada que só pensa nela, quero lá saber que tenhas carregado 4 quilos de gente durante nove meses és uma egoísta só pensas em ti, leva a criança à médica da caixa, que a Dra. é muito tua amiga e tratou de ti e dos teus irmãos, oh cum caralho!

 

E as mulheres? Já não basta deixarem de ser as Joanas e as Patrícias, as Ineses e Marias para passarem a ser as «mães de» como ainda têm que passar pelos encómios de uma maternidade com a buzina da sapiência saloia a ecoar nos ouvidos. Nestas alturas, toda a gente é pediatra e, pior, toda a gente tem uma opinião. Sobre os filhos dos outros. O que, convenhamos, é um óptimo lugar para se estar. Muito seguro e quentinho.

 

Ser mãe deve ser, antes de mais, uma alegria. Mas que dura pouco, como sentir deslocado de outros. Ou seja, depois da pura felicidade, começam outras incomodidades que sempre a acompanham, como o medo que ela se acabe. Às mães parece que lhes é exigido tudo. Há o olho gigante do mundo que pende sobre elas, como um cutelo que pode cair ao mínimo desleixo. O mundo quer que as mães sejam boas mães, mas ninguém explica o que isso é. E não explicam porque não sabem. Porque isso não existe. O que existe é que a consciência de cada um determine, a cada momento, o que é o melhor para os filhos. E isso é, como em tudo o resto, altamente discutível e falível.

 

No limite, ser mãe deve ser muito pouco romântico. A vida ainda está por me mostrar que ter filhos é mesmo a melhor coisa do mundo. Mas cá estarei para lhe dar razão. Se for caso disso.

 

 

Ao Francisco, ao José e ao Vicente. Felizmente as vossas lindas mães não são tão cínicas quanto a vossa tia Sissi.



publicado por sissi às 10:22 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Loura a 17 de Junho de 2008 às 14:56
Concordo em género, número e grau. Muito pouco romântico mesmo!
Quando fui mãe, odiei. Não pelo meu filho, mas pelas intermináveis filas de tias, amigas da mãe e sogra, primas velhas, amigas das primas velhas, com os conselhos mais estúpidos e com o ar mais entendido do mundo. Nem as que nunca tiveram filhos se coibiram do seu douto conselho. Engraçado, as da minha geração nunca me chatearam, deviam ter a memória fresca de experiências idênticas.

Optei por não amamentar, não tenho nada contra e sei os benefícios para as crianças, mas não quis. Seguiram-se os interrogatórios e palestras sobre o tema. Caí em desgraça, quando a única justificação era não ter pachorra de andar de mamas XXXXL ao léu com uma criança pendurada. A coisa atingiu o cúmulo quando uma delas avançou para as ditas com o propósito de diagnosticar se teria leite suficiente. Somos tratadas como estúpidas e meras vacas reprodutoras. Passaram a duvidar se teria instinto materno, etc. Não quis e não estou arrependida, foi a minha opção.

Se deixarmos trituram-nos o cérebro e o corpo.

Depois seguem-se os anos de creche, deixamos de ter identidade, para passarmos a ter todas o mesmo petit nom : MÃE. "Olá mãe", "adeus mãe", "está boa mãe?"

Acredito que muitas depressões pós-parto são culpa destas intervenções que não permitem que a mãe esteja só com a criança a fazer todos os "disparates" a que tem direito, mas a ser MÂE .


De Anónimo a 11 de Junho de 2010 às 08:14
adicioname loura fred_am_md@hotmail.com bjs adorote
ps este mail e so para mulheres


De José a 17 de Junho de 2008 às 16:34
Parabéns Princesa. Levaste-me às lágrimas. Se falar de sexo faz rir e, como tal, é um excelente antidepressivo, provas-te agora que há outras coisas.
E as crianças são realmente a melhor coisa do mundo. Opiniões, cada um tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la, como disse alguém em tempos. E ainda bem. A riqueza está na diversidade e a troca de opiniões é sempre boa, quanto mais não seja pelo sentido cómico que pode ter.
P.S.: ainda me estou a rir.


De Petrus a 17 de Junho de 2008 às 23:56
Bem visto Princesa, é tudo verdade e muito mais. Relembro o muito sexo que se pratica durante a gravidez, correndo o risco de ser apontado como pedófilo por tentar acertar no cú da criancinha.
Relembro alguns familiares/amigos/colegas que mandei pró caralho por debitarem palpites com uma velocidade que nos deixava com dores de cabeça.
...
Fico a aguardar a crónica dos 4 meses das PDCs, quando gritarem sem razão, todos os dias, ao fim do dia, apesar de ameaçadas de serem atiradas pela janela fora.



De ZOT a 18 de Junho de 2008 às 08:28
Bom post Sissi. Verdade.

E as fraldas? e as toalhitas? e as fraldas e as toalhitas? e o creme para não assar o rabinho do bébé? E os biberons? ta muito quente, ta pouco quente, ta o caralho. E mudar a roupa da nossa cama a meio da noite porque o bébé bolsou-a toda, ou então porque ja não ha pachorra, dormir com uma toalha turca por cima do "bolsado"? e ir trabalhar todos os dias todo fodido devido as noites mal dormidas? e as colicas do bébé? e as constipações? e as idas às urgencias a meio da noite? e o medo da apeneia do sono? meses a dormir com um olho aberto e outro fechado. E depois um gajo anda cansado e sem paciencia, ela fica irritadiça, não se fode o que se devia foder, a sogra é uma chata do caralho, depois vem o Verão e um gajo é um verdadeiro burro de carga, os outros filhos ficam mais chatos e ciumentos e um gajo la tem que espetar uma lambada nalgum, que fica a chorar e não se cala, tadinho, e as outras pessoas à nossa volta ficam indignadas e temos que as mandar po caralho, é uma chatisse...

A vida pode ser fodida, e se o é, é quando somos pais, por isso aproveitem enquanto o não são, e se pensarem vir a ser, pensem bem naquilo que vão fazer e na fase que vão passar. Ah, e esqueçam o Porsche, pensem numa monovolume e muitas malas.
So voltamos a ser pessoas normais quando os filhos ja se desemerdam sozinhos, por isso o meu conselho a quem é pai de novo, é: eduquem os vossos filhos para serem independentes e auto-suficientes o mais cedo possivel.

Cumps



De Xena a 18 de Junho de 2008 às 11:29
Sou mamã pela primeira vez e já tenho tanta necessidade que o meu petiz se desenrasque sozinho! Que não me chateie tanto e que se entretenha com as suas merdas! Por isso, com 1 ano e pouco já me vai por as coisas no lixo (separando-as em plástico, papel e vidro), já liga a tv e a aparelhagem sozinho, lava a sua pilinha no banho e já dá porrada no gato quando este o arranha... Um dia destes ensino-o também a conduzir para ir para a creche sozinho e eu poder dormir mais um pouco nas manhãs duras de Inverno.

Sissi, o post está muito bem esgalhado e nota-se que a menina é uma óptima confidente das suas amigas (parabéns a elas!). Recomendo que lhes ofereça este livro: http://www.fnac.pt/pt/Catalog/Detail.aspx?cIndex=0&catalog=livros&categoryN=Livros&category=gravidezPuericultura&scategory=gravidezPuericultura&product=9789728762612&minIndex=1&pageSize=12&orderBy=pd_stockDisponivel&template=Template%20Livros
por não ser uma publicação cheia de merdas e novas teorias. É muito gráfico e prático.

Agora ature-as, obrigue-as a sair de casa e, principalmente, faça-as conversar sobre coisas de adultos pois deverão começar a sentir a falta disso em breve.

beijos e vénias


De paula a 18 de Junho de 2008 às 12:10
bem minha cara o teu filho com ano e pouco já vai por vidros ao lixo?? bem bem bem ...das duas uma ou és uma mentirosa do caralho ou és uma mãe desnaturada....pensa lá bem


De Xena a 19 de Junho de 2008 às 10:05
É, sou uma mentirosa do caralho.
Até porque se fosse verdade ele iria por garrafas de minis no lixo sob minha alçada... mas não, prefiro vir para aqui mentir desalmadamente como se não tivesse vida própria.
Enfim.
Um bem haja.


De Loira a 18 de Junho de 2008 às 12:48
Com um ano lava a pilinha no banho? Nunca atribuí a alegre mechidela infantil a atitudes de higiene , mas estamos sempre a aprender. Sou mãe de machinhos e noto que muito cedo mostram curiosidade por aquela coisinha que têm entre as pernas, com o avançar da idade não preciso de explicar a gradual importância que vai tomando...


De PAz a 18 de Junho de 2008 às 10:11
Pegando no final do comentário do ZOT, aqui deixo um episódio passado há pouco tempo quando me passava em público (foi só desta vez, juro) com uma das minhas 2 princesas/diabas...

Eu perguntava-lhe porque tinha feito o que fez e ela não dizia nada...passa então uma senhora daquelas com ar de avozinha simpática de que toda a gente gosta, vira-se para mim e diz somente: "Deixa estar...são só os primeiros dezoito anos e depois passa.".

Pois é...a voz da experiência...

Xau e Benção


De Xena a 18 de Junho de 2008 às 11:13
E o benjamim ?... :(


De sissi a 18 de Junho de 2008 às 11:56
Estimados Todos,
de facto, a maternidade é um mistério cuja solução só terei, se a tiver, quando for mãe, se fôr. Ainda assim, duvido que os filhos sejam o pináculo da existência humana.
Cumps


De Frederico a 19 de Junho de 2008 às 09:28
Quando tiveres, verás que é muito melhor quem 10 mil fodas bem dadas.

Relativamente ao teu post: nós tivémos uma solução!

Vivemos fora de Portugal. Nasceu em Portugal, e assim que pode viajar voltou! Durante o curto que mês em que lá viveu, tapámos os ouvidos a tudo o que se dizia.

Seguimos o instinto humano, e o nosso rapaz está muito feliz!

Agora, a "mãe" hmm.. hmm.. ainda bem que amamenta! Ela diz que agora que pareço um teenager! hehehe

Depressão pós-parto? Muda-se a pintura da casa, leva-se a criança a passear, e muito amor e carinho.

o nosso tem 2 meses, e já se fala no segundo!

Por isso assumam a função de mães com um pai que queira assumir...


De finalmente feliz a 18 de Junho de 2008 às 13:05
eu tenho uma mini gaja lá em casa de 4 anos que ja anda a perguntar: oh mae eu sei que os bebes saem pelo pipi e que estao na barriga durante muito tempo.agora diz-me -como é que ele foi là parar?
ora eu nao tenho razao de queixa da minha catraia, é linda, inteligente, super independente( ja lava a loiça de joelhos e em cima de uma cadeira, ja se veste sozinha, despe-se, escolhe ela a roupa e com gosto e atençao as cores, come sozinha de faca e garfo e por ai fora).E sim ela é a razao da minha existencia, é a minha vida.
mas nao vivo em funçao dela.Quero que se torne uma pessoa de bem e independente para que quando "for grande" nao precise da mae para nada.
Gostei tanto da minha 1ª experiencia de mae que ate ja ando em treinos intensivos para um segundo rebento.
nao somos todos iguais.sempre quis ser mae .respeito e entendo quem nao o queira ser.
e quanto ao people que tem realmente a mania de aparecer quando o rebento vai para casa , e estar sempre a dar dicas que ninguem pediu, façam como eu: disse a toda a gente que ia para casa da minha mae.Todos foram la ter e como eu nao estava lá, a minha mae acabava por dizer: ah ela a esta hora deve estar a dormir.Fica para outra altura.Ate hoje.


De Mialunna a 19 de Junho de 2008 às 11:08
A maternidade é uma coisa muito bonita e tal ... mas eu cá como não sou dotada desses instintos não posso opinar.
Mas venho só dizer que acho incrível a maioria das mulheres quando têm um filho não sabem conversar sobre mais NADA, "e ele bolsou-me, e ele entornou a papa e é tão fofo, e ele puxou o rabo ao gato, e mudar a fralda é tão giro" e isto quando não sacam do albúm de fotos á mínima conversa e nos dão grandes secas.

Acredito que ser mãe é lindo, mas ficarem xónes e sem tema de conversa é um bocado estranho. Bem, mas lá tem a sua razão de ser certamente.


De Mialunna a 19 de Junho de 2008 às 11:12
E mais... há quem chegue ao extremo de tar grávida (do terceiro filho) e chegue ao cúmulo de cada vez que vai fazer uma Eco me entope o mail a mim e ao resto dos contactos com as ecografias!

Não sei se sou a única a quem isso acontece... é que eu digo "sim, sim.. é muito giro" e não percebo nada do que lá está lol


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