Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2005
Oracle Night
Ora vem este título do Paul Auster a propósito de uma magnífica festa à qual tive o privilégio de assistir ontem, na Estufa Fria. A Levi´s mostrava ao mundo a sua nova campanha publicitária, inspirada em Romeu e Julieta, em que colocava um gang de LA e um parzinho amoroso a comunicarem em inglês arcaico algumas das passagens do clássico.
A envolvência do local ajudou ao ambiente onírico que se pretendeu criar. A determinados passos, deparavamo-nos com uma declaração de amor que um Romeu fazia a uma Julieta, para, mais à frente, sermos nós contemplados com palavras igualmente mágicas, numa mise-en-scéne rara, senão única, em certames do género.
Ao atravessarmos a«floresta» damos de caras com um grupo de pessoas bonitas com a qual podemos interagir segundo as regras dadas no início.
A todos os convidados tinha sido dado um crachá com um par famoso da história. O nosso nome estava escrito em letras grandes e charmosas, precedido do nome da respectiva metade que teríamos que encontrar no meio dos convivas. A minha cabecinha pervesa começou logo a pensar na infinidade de situações que este embalo poderia gerar, mas, domage, enganei-me.
A mailling list da festa era perfeita. Bonitos e, soit-disent, talentosos, embora não lhes tivesse vislumbrado nenhum talento especial para se darem ao conhecimento. Estive a noite inteira a indagar-me porque razão as pessoas se dão ao trabalho de sair de casa. Ainda por cima havia a desculpa perfeita para se entabularem conversas. Eu, por exemplo, era a Lucy. Procurei o meu Charlie Brown a noite toda e quando finalmente o encontrei verifiquei que ele também tinha vontade de ser a Lucy...
Saiu-me um cartoon mas é melhor que nada...
Ainda achei o Rick para a Jane, minha amiga, mas o rapaz não foi muito efusivo. A maioria dos convidados tinha colocado os respectivos crachás identificadores do seu pretenso objecto de desejo, bastaria olhar e conversar, perguntar, mandar um chiste, sei lá...
Nada, ou quase nada.
Valham-nos os poucos que entendem que é para isso que cá andamos.


publicado por sissi às 22:24 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Stephen King a 11 de Fevereiro de 2005 às 16:38
Bem, até me parece que já tinhamos trocado umas palavras acerca da situação, mas acaba até por entroncar noutra situação mais curiosa na qual já pensei umas quantas vezes...
Normalmente as pessoas procuram os locais de diversão noturna que estão cheios, entenda-se, porque á partida poderia julgar-se que desejam a interacção. A lógica parece logo imediata - vou a um local cheio de gente até ao gargalo precisamente porque é da gente que vou á procura.
Errado...
Tirando as alminhas cujo único intuito é dançar, (o que me parece algo discutível porque nunca se vêm dançarinos nos locais que estão ás moscas - logo também procuram socialização) penso que toda a gente vai á procura de presença. Mas a questão é simples.
Porque raio procuram as pessoas os locais que estão cheios e movimentados, se a última intenção que têm é interagir com quem quer que seja? Porque é que um local será bom para toda a gente se estiver cheio de pessoas, mesmo que nenhuma delas venha possivelmente a motivar um comportamento de socialização que seja? Não é um pouco contraditório?
Porque sinceramente, se quiser ver e ser visto, vou a um museu, ao cinema ou ao teatro. Porque tenho claramente o que ver, e por inerência, devido à presença das pessoas que vão ver o mesmo que eu, acabam por ter de me ver também.
As barreiras estabelecidas entre as pessoas não param de aumentar e ganhar originalidades. Mas a pergunta acho que é a mesma que a tua. Porquê?


De Lili a 14 de Fevereiro de 2005 às 11:22
Darling,

Como é bom conhecer-te e saber que posso contar contigo.
Como é bom ler-te e saber que posso sempre falar contigo.
Obrigada!


De sissi a 14 de Fevereiro de 2005 às 14:32
Oh minha morenaça boa, é o que levamos da vida, my darling, conversas até às tantas e risota da boa!
Love U!


De humm a 16 de Outubro de 2006 às 22:07
Ouvi no Herman (programa que nem costumo ver) e passei para ver perspectivas.. Até agora, nada de chocante.. Comecei com uma ideia, a qual não digo errada mas incompleta.. Também ainda só vou em Fevereiro!
Fez-me "postar" este 11.Fev.2005, o anúncio da Levi's (que eu pensava ser da H&M).. Ficou-me a música.. E os comments ao post.
Creio que as pessoas confundem ser-se transparente com ser-se invisível.. (Isto a propósito do que Stephen King disse..)
Vou continuar a ler e penso entretanto e depois.


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