Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007
(silêncio)

Falar ou não falar, eis a questão.

 

Quando gostamos de alguém, mas não o suficiente para ser visita de casa, quando simpatizamos com a figura porém não a escolhemos para presença em ocasiões importantes, quando, na realidade, gostamos do seu corpo e da forma como ele se equilibra entre os lençóis e a casa de banho mas não permitimos que ele passe a porta da sala de estar, que fazer? Informamos, à partida, que há divisões da nossa estante emocional que estão vedadas aos grandes e intrincados clássicos, ou assumimos que sempre gostámos de Thomas Mann, mentindo com a cabeça e dizendo a verdade com as papilas gustativas?

 

Exercícios de estilo à parte, dizemos ao tipo que «gostamos, mas...» ou proferimos um  «mas, gostamos...», quando na realidade o queremos foder e não gostaríamos que ele se fosse embora só porque tudo o que nos apetece fazer no momento não se inscreve no mais nobre dos sentimentos?

 

Há dias assim. Só coisas que chateiam e aborrecem...

 

 



publicado por sissi às 21:08 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Menhir a 23 de Outubro de 2007 às 09:18

Cara Sissi,

Se a vida é um contínuo interrompido por breves momentos de felicidade, então a felicidade são esses momentos de equilíbrio entre os lençóis e a casa de banho.
O resto são conjecturas à Variações “só estou bem onde não estou...”

Bjs


De Cláudia a 23 de Outubro de 2007 às 09:52
Olá Sissi!

Já não deixava aqui um comentário há tanto tempo que estava cheia de saudades!!

Este fim-de-semana aprendi (apesar de ser num contexto diferente) que de vez em quando temos que mentir ou pelo menos omitir para sermos felizes e para não nos chatearmos.

Nestes casos dizemos Mas, gostamos...Sem dúvida!

Beijinhos
Cláudia


De Laurinha a 23 de Outubro de 2007 às 10:14
ora muito bom dia Princesa
É dificil.Mas com certeza que sim.A gente ate gosta da cambalhota ,dos risos ,do entretenimento e pa...pa.....parou.
mas que se ha-de fazer?temos pena mas a vida é mesmo assim.Cada macaco no seu galho.Se nao se gosta o suficiente para que arrastar mais?Ha que falar pk a genmte a falar é que se entende.E quem sabe as coisas ate correm bem e as cambalhotas ate podem continuar.Ou nao?

bisus bisus


De ZOT a 23 de Outubro de 2007 às 10:23
Isso é normal, eu também detesto que mexam nas minhas gavetas, ou que a minha televisão passe mais do que 5 segundos de telenovelas por dia. Chateia, mas uma pessoa habitua-se, também não fui filho unico...

Sempre sonhei com uma puta na cama e uma senhora na rua (ja para não falar numa chef de cuisine na cozinha e de uma mulher da limpeza em toda a casa). Mas, como diz, ha dias assim, queria uma puta na cama e rua, até quando me apetecer.

Cumps


De poucavergonha a 25 de Outubro de 2007 às 13:22
meu caro senhor, putas não faltam por aì..desde que tenhas dinheirinho, os outros géneros creio que tambem não faltam...tradicionalismo, infelizmente, ainda existe, és uma gajo de sorte , só te resta ser filho da puta e pores os cornos por aí a torto e a direito..claro se tiveres ''coiso'' para isso...vá fica bem..aahh um beijo para a Sissi


De ZOT a 25 de Outubro de 2007 às 14:51
Não gosto de fressureiras e ainda por cima velhas! vai-te pentear e fazer uma trancinha para ver se ficas com um ar saudavel...


De poucavergonha a 26 de Outubro de 2007 às 10:26
miauuuuu...assanhadinho...tranças nunca mais...doi muito quando puxadas, sendo assim prefiro estar sempre despenteadinha e com esse ar cansadito, sim cansadito, porque isto de foder a torto e a direito, eu faço-o é verdade, cansa mesmo....


De Sol a 23 de Outubro de 2007 às 11:31
Sisi...

Estou com inveja deste seu dilema...



De Marta a 23 de Outubro de 2007 às 12:06
Há um provérbio turco que diz mais ou menos isto: «Nada perdura no tempo que tenha sido feito sem ele.»
Uma relação sem alicerces está condenada 'a priori' e bem bastam as agressões exteriores para corroerem as que consideramos ou julgamos sólidas e duradouras.
No seu íntimo, a mulher sonha muitas vezes transformar um 'blind date' numa história de amor e tende a dar como garantido esse homem deslumbrado que acaba de ter com ela a divina foda ou, se for uma relação um pouco mais longa, divinos dias de divinas fodas.
Nesses dias de delírio, descobre afinidades e conclui que foram feitos um para o outro.
O homem poderá até ficar louco por algum tempo, mas apaixonar-se e prender-se é outra história, é coisa que virá com o tempo ou não.
Mas isto acontece com um e outro. Não somos todos iguais, maus, porcos e feios. Nem eles nem nós. Eles são tão vulneráveis e «inconsistentes» quanto nós.
Não se trata da tal inconsistência de que já se falou nem de sentimentos menos nobres.
Há que ser realista. Quando a poeira assenta, as coisas tornam-se mais claras para ambos. De repente, ali mesmo ou na manhã seguinte, passado o entusiasmo, a coisa esgota-se. Por falta de uma base de afecto que não teve tempo de se instalar ou simplesmente porque o investimento afectivo não estava nos planos de uma das partes e muito menos o compromisso, a distância que não se deu tempo ao tempo de reduzir e anular vai traduzir-se em evasivas, fuga ou cobardia. Não desejando ferir mas ferindo ou usando mesmo essa arma para um corte radical, é a incapacidade de confessar aquilo que ao que se envolveu parece uma viragem de 180º.
Melhor do que optar pelo silêncio, há que explicar sem culpa que gostámos e gostaríamos um dia desses de repetir os breves momentos de felicidade a que se refere Menhir que são o equilíbrio entre os lençóis e a casa-de-banho.


De Anónimo a 23 de Outubro de 2007 às 16:07
I wonder...
Nunca nenhum de vos esteve nessa papel? Quando, p/ vos manterem entre quarto e wc, vos mentiram sobre porque nao se pode entrar na sala, porque nao se pode ser visita de casa, ir a ocasioes importantes...
Not nice


De Menhir a 24 de Outubro de 2007 às 08:45
Tem razão meu caro.
Como seres egocêntricos que somos imaginamo-nos sempre na posição de manipuladores e não de manipulados.
Cumpts


De ZOT a 24 de Outubro de 2007 às 11:42
Para ser sincero, quando andava nesse tipo de "lides", até ficava agradecido que não houvesse muita envolvencia. De facto, achava-me com sorte se me fosse embora sem grandes marmeladas e proximas consultas marcadas.


De manhã a 23 de Outubro de 2007 às 16:08
o texto está promissor, esta forma meio libertina continua aser sedutora. em boa verdade, quando alguém ocupa a cama é inevitável que tenda a ocupar mais divisões, o sexo continua a ser uma forma de criar laços, reais ou imaginários.


De xa-das-5 a 23 de Outubro de 2007 às 23:19
Pftttttttttttt
;)


De Sofia raquel a 24 de Outubro de 2007 às 14:35



E mais um ... Dos grandes textos publicados .

Já terminei a minha leitura, mas vou reler quando bem me apetecer. É um livro que não cansa, muito pelo contrario, é bom adquirir os conhecimentos.


Um resto de bom dia ...


De htsousa a 24 de Outubro de 2007 às 16:34
Na minha modesta opinião, mostramos o que sentimos. "É só isto que eu quero, pelo menos, para já."

Penso eu de que...


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