Quinta-feira, 3 de Maio de 2007
Sissi Responde - It Takes Two to Tango
Sou casada há cerca de vinte anos. Passei com este homem quase metade da minha vida. Juntos vivemos alguns períodos de dificuldades e sempre trabalhámos juntos (e muito) para termos a estabilidade económica e a qualidade de vida que hoje temos. Todas estas etapas que percorremos podiam ter-nos aproximado mais, como companheiros e cúmplices, mas tal não aconteceu. Talvez por sermos muito diferentes, por não termos muitos interesses, hobbies e relações de amizade em comum, fomo-nos afastando ao longo do tempo, sendo que nos últimos anos a nossa rotina alterna entre fases de grandes discussões e períodos prolongados de indiferença e silêncio.

De cama, nem vale a pena falar. É lá que se reflectem todos os nossos desencontros e a vontade (especialmente a minha) é pouca ou nenhuma. Tenho a CERTEZA ABSOLUTA que ele já NÃO sente amor por mim e eu, embora lhe garanta que ainda o amo, também já não tenho a certeza. Mas o companheirismo já me satisfaz. Sendo uma pessoa racional e objectiva, saber que temos a nossa estabilidade e contar com a presença dele é o suficiente na minha vida. Acontece que ele se apaixonou perdidamente por outra mulher. Não sei muitos detalhes, mas sei que em questão de poucas semanas (talvez um mês ou
dois), aquela mulher provocou nele reacções e sentimentos que não lhe conhecia, em mais de vinte anos de convivência. Ele sempre afirmou que nem teve com ela qualquer contacto intímo, mas eu não acredito. Nenhuma mulher, por muito espectacular que seja, consegue, só por si, pôr aquele brilho no olhar,
aquela expressão iluminada de paixão no rosto de um homem, sem tê-lo “trabalhado” na cama.

Conhecendo o como um homem calmo e racional, nunca pensei ver nele tanta obstinação, firmeza e insistência na separação. Aos poucos, lá consegui demovê-lo desta ideia. Apelando à sua racionalidade,
fi-lo ver que uma paixoneta “a la minuta” não poderia deitar a perder tantos anos de vida em conjunto, destruir tudo o que levou tantos anos a construir. Ele reflectiu e concordou em dar outra oportunidade ao casamento. Estabelecemos o compromisso de nos esforçarmos por dar mais atenção um ao outro, de nos organizarmos de forma a passar mais tempo juntos e reavivarmos a nossa vida sexual (mais imposição dele e cedência minha). E temos tentado. Ele tem-se esforçado, não posso negar. Mas a Fénix não está a renascer. Ele tenta, mas não está. Às vezes, quando o observo sem que ele se aperceba, a sua expressão é de uma angústia,
de uma tristeza profunda… Certas ocasiões, fica agitado e nervoso sem razão, como se tivesse visto ou ouvido algo que o fizesse recordar-se dela… Outras vezes fica parado, com o olhar vazio e perdido… e eu SEI que ele está a pensar nela. Está a pensar no que poderia ter sido e não foi, no que perdeu, no que abdicou por nossa causa, pela estabilidade desta casa. Se calhar culpa-se (e culpa-me) por não ter ido em frente. (...)

Súbdita Devidamente Identificada


Estimada Súbdita, não me leve a mal, mas na realidade, pesando os factos descritos e usando da sua racionalidade, receio não ter compreendido a sua dúvida. Fala de dificuldades económicas, muito trabalho e consequente prosperidade como se isso fosse colar, com cuspo, uma cumplicidade que não existindo à priori dificilmente nasce em momentos de tensão. Refere ainda todo um mundo de diferença que vos aparta que leva à indiferença, o pior de todos os sinais. Por fim, o resultado anunciado: o seu marido apaixonou-se por outra mulher, seja por ela mesma ou pelo que ela lhe faz sentir em planos vários. Na realidade, minha querida, qual é a sua dúvida?

Sabe, eu sou de uma geração em que o amor ainda é a argamassa que nos une a todos, seja em que relação for. Porém, a idade já me permitiu perceber que o companheirismo é o que nos faz ficar em paz perante a inexorabilidade do tempo, muito depois dos arrebatamentos emocionais. Ainda assim, pelo que revelou nas suas palavras, falta um elemento fundamental nessa ligação: amizade. Suponho, e perdoe-me se me engano, que o que a sustenta são as memórias e vontade de não estar sozinha. Entendo o esforço comum de remendo de uma relação, mas neste particular, e perante a ausência de sentimentos e de entendimento, na realidade, sobra-lhe o quê? O medo... catalizador-mor de todas as nossas paralesias e infelicidades.

Como lhe disse, sou o tipo de princesa que não acredita nos impossíveis e que julga que se nos dermos ao mundo o mundo devolve-nos em dobro. Fiz-me entender? :-)

Disclaimer: Este consultório não é profissional, como imaginam. Aqui não se resolvem problemas, conversam-se. O que terá apenas a importância que cada um de nós lhe der. As questões serão respondidas por ordem de chegada, todas as quintas-feiras. Missivas para aqui: sissiresponde@yahoo.com

publicado por sissi às 10:07 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

Comentários:
De Marci a 3 de Maio de 2007 às 11:15
Subdita nem sequer li o que a sissi lhe respondeu, mas no final de ler o seu texto, só uma pergunta me vem a cabeça, porque não deixa o seu marido ser feliz e porque não se permite ser feliz?? Porquê?? Pelo que entendi são jovens e como tal podem viver o que lhes falta no casamento com outras pessoas, acredite que sim, não se prenda nem prenda o seu marido, não tem esse direito.
E, claro que é possivel ele andar com um brilhozonho nos olhos sem ter ído para a cama com ela, a paixão é mágica, as vezes um olhar, um bom dia, um toque de mãos transforma-se em verdadeiras histórias de amor mesmo que só inventadas na nossa cabeça. Liberte-se de uma relação que a subdita não quer, estar só por companheirismo? tenha dó!
Torço para que tudo corra bem, não deixe chegar a um ponto em que o seu marido já nem consiga olhar para si!

Sissi (vénia)


De Jack Umituku a 3 de Maio de 2007 às 11:37
Sissi, os meus parabens pela exposição. Concordo em absoluto, e tb costumo aplicar e pensar na última frase como um idela de vida.

Tb pertenço à mesma geração e custa-me ver pessoas com auto-comiseração e conformadas com serem 2ªs escolhas...para mim isso é intolerável.

Um pouco mais de auto-estima para todos!!


De Lily a 3 de Maio de 2007 às 11:51
Se por um lado quer continuar o casamento, e 20 anos é muito para abandonar, por outro parece estar condescendente em deixar o marido ir viver a sua paixão. Não acho que seja tirania querer e esforçar-se que o casamento resista, afinal de contas é metade da vida das pessoas. Agora parece-me que a própria está infeliz com o seu casamento, muito antes desta paixão aparecer e sabe que não dá mais, só que ainda não aceitou isso e nem quer, talvez, enfrentar o fim de um casamento.

É melhor perder alguém e vê-lo feliz e tentar ser feliz sozinha do que viverem os dois numa prisão invisivel.


De Daniela a 3 de Maio de 2007 às 11:53
Até me dói o coração saber que hoje em dia ainda se vive desta forma eu não me permitiria a uma situação destas, mas ao mesmo tempo compreendo e até tenho conhecimentos de casos bem próximos .
A sua auto-estima deve estar no nivel mais baixo que é possivel e isso não pode acontecer porque a vida é boa de mais pra ser vivida com incertezas e passar o dia a olhar para o seu marido e analisar cada expressão dele.Isso não é viver é sobreviver com um grande fardo.

Ainda por cima admite que ás tantas já nem o ama ,porque viver em conjunto...? Se ixistisse uma grande amizade ou cumplicidade ás tantas ainda valia a pena deixar andar , mas depois de tudo o que disse minha amiga olhe de frente para a sua vida porque os anos passam ...


kisses


De Anonima a 3 de Maio de 2007 às 12:26
A vida as vezes faz-nos mal...e há muitas decisões que embora muito simples são na realidade muito dificeis...fazem doer!

Há mortes que não vale a pena prolongar...é para acabar? Então que seja o quanto antes... Evita-se sofrimento extra.

Deve merecer melhor que um homem que tem o pensamento e ama outra mulher...
É bem melhor estar sozinha ...


De Laurinha a 3 de Maio de 2007 às 13:53
Vossa Alteza Real,(vénia)
Estimada súbdita,

Este filme é muito usual nos tempos que correm...infelizmente. Liberte-se, eu ja fiz o mesmo e não havia nenhuma outra/outro envolvida (o). Foi necessario, estava a fazer-nos mal, só se vive uma vez e ha que viver "essa vez" com Qualidade... e não com recordações do que foi e previsões do que ainda poderá ser. Quem sabe se ao virar da esquina, não encontra uma outra metade da sua laranja! Deixe-se levar, ha muito por viver!

Cumps SiSSi, gostei de a ver no Alvim!
(uma sua subdita que conhece mas não reconhece o nome):o)


De S. a 3 de Maio de 2007 às 14:08
Querida Súbdita,
Agarre a vida pelos cornos! A minha idade é tenra, mas se há coisa que sei que custa é protelar uma separação. Pense... Bem vistas as coisas, o que é que retira, hoje, do seu casamento? Viver de memórias faz-nos mergulhar num espaço muito escuro e isolado. Não tenha medo porque, mesmo sozinha, cá fora sempre salta um raiozinho de sol de vez em quando. :) Força!


De Moi a 3 de Maio de 2007 às 14:32
O nosso medo é o nosso maior inimigo


De Confúcio Costa a 3 de Maio de 2007 às 19:47
Chama-se rotina. E não mata; mas mói. Ou melhor: dói.

Abraço.


De A Nónima a 3 de Maio de 2007 às 20:35
Tão simples qto isto: Liberte-o; deixe-o ir viver essa paixão.Das duas uma, ou volta ou fica. Se voltar é pq descobriu que a quer; se fica livra-a de uma vida infeliz.
Mas tb não percebo, se acha que tb já não o ama...liberte-se a si própria...é duro, eu sei, mas vale a pena, acredite!


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