Alguém é capaz de me explicar o fascínio das mulheres pelos bad boys?
Francamente. Qual é a cena? O que é que um player ou um filho da puta tem de tão apelativo que um tipo decente e de bom coração não tenha?
Please. Indulge me. E não digam «ar de cabrão». A sério.
E de repente, ser inteligente é mais importante que tudo o resto. Na nossa escala de avaliação alheia, o primado do intelecto vigora sobre todas as outras características, afectivas e emocionais, como se as sinapses e os neurónios explicassem e resolvessem todas as dores.
Num tempo em que andamos todos desencontrados, com medo de nos espetarmos sozinhos na primeira curva afectiva, premiar a inteligência como factor supremo de interacção e ligação humana ate me parece normal. Escudamo-nos na verborreia, na assertividade, na conclusão fácil e rápida, na capacidade com que relacionamos assuntos e matérias, como se também isso não tivesse, como tudo, uma base emocional. Espantamo-nos com os predicados racionais dos outros e isso ofusca e sublima o que (também) faz de nós pessoas. No limite, agarramos sem largar o que nos parece mais concreto, mais visível, e obliteramos, por completo, o que nos distingue uns dos outros.
É irónico. Mas real.
De tudo o que já me foi oferecido ao longo destes anos de blog, e, acreditem, foi muita coisa, o presente que mais tocou - e a palavra não podia ser melhor - foi uma acção de voluntariado cuja demanda se centra na possibilidade de fazer sexo anal sem dor. Nunca me tinham ofertado um cheque-brinde para levar no cú. Há sempre uma primeira vez para tudo, de facto.
Chegou hoje. Bem haja o leitor atento e dedicado.
Muito obrigada.
Estava a pessoa descansadinha a encher a peida com blinis e café do bom, entre as quatro paredes quentinhas do palácio, quando um aroma a hipocrisia nacional entra pelo buraco da fechadura real e me empesta o ar, perfumado com sândalo e flor de laranjeira. Fui ver, eram as caras de prazer da Clara Pinto Correia, que estão a gerar o brado pífio do costume, debaixo dos saiotes da (in)dignidade lusitana.
As fotos da verborreia são estas. Se as acho bonitas? Não. Se tenciono ir ver a exposição? Também não? Se acho extraordinário que as tenha feito, sendo uma figura pública, cagando de alto para tudo e todos? Acho. Acho mesmo que é do caralhão. E acho mais. Acho que a Clara de louca tem muito pouco. Acho que deve rir-se à brava com os comentários, opiniões e demais teorias que se constroem sobre ela. Acho-a mil vezes mais interessante como mulher, como pessoa, como ser humano, do que a sensaborona da irmã, sempre muito preocupada em dar ares de benfeitora. Deve ser isso que gosto na Clara. É o que é, faz o que lhe apetece, não deve ter que dar contas a ninguém, muito menos a quem não conhece de parte alguma. Já deve ter percebido há muito que a vida e a liberdade são uma e a mesma coisa, e que tudo isto é demasiado curto e exíguo para perder tempo a viver de acordo com os valores dos outros.
Clara, és a maior. Se te conhecesse, enchíamos as duas a peida de blinis e ainda nos riamos da história do plágio. Ui, rir a bom rir.
Se alguma coisa o ano que passou me mostrou com clareza, é a noção de que nada dura para sempre. Nem este blog. Quase seis anos depois da sua criação, o Cenas de Gaja termina no final de 2010, precisamente daqui a um ano.
Editei quase três livros - by the way, o terceiro só sairá na Primavera por imperativos de mercado, apenas e só - e mantenho duas crónicas regulares na imprensa. Conheci pessoas fantásticas, escrevi tudo o que queria, da forma como queria, e dei forma a demónios internos que, hoje, já não dão sinal de si. Tenho o maior orgulho da Sissi que fui, da que sou, e grande esperança no que ainda tenho para dar. Porém, tudo é transitório e o tempo desta voz com que falo deixou de fazer sentido. Já não me sinto zangada, nem olho para os homens ou para o sexo com a leviandade de outrora, e substitui a quantidade de experiências pela qualidade das mesmas. Estou mais focada, mais concentrada, e menos interessada em foder ao desbarato. Aos 35 anos, nesse particular, fiz tudo o que queria fazer e escrevi aqui uma súmula, mais ou menos real, do que se foi passando. Hoje, vou continuar a partilhar coisas convosco, mas com os olhos, a voz, a cara de quem realmente escreve e vive. É só estarem atentos ao que se vai passar nos próximos meses.
Até lá, o Cenas de Gaja termina com o terceiro livro, lá mais para a Primavera, como disse, e uma peça de teatro, no final do ano. É este o programa das festas. Das várias que aqui vos dei conta, cujo pano fecha em 2010 para abrir noutro palco. Como escreveu Charles Dickens, em Tale of Two Cities, «foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos».
Obrigada. Mesmo.
Até já.
Sempre gostei de adágios populares. O povinho tem uma sabedoria única e muito particular e sabe sempre como inventar expressões que têm tanto de verdadeiras como de bestialmente foleiras. A época festiva cujos resquícios ainda vivemos é pródiga em dar à estampa uns tantos dizeres que nos fazem sentir, subitamente, parte do povinho, logo, detentores do nosso quinhão da referida sapiência que gostamos de sentir que temos. E se calhar temos mesmo.
Janeiro faz-me sempre lembrar a frase «Ano Novo, Vida Nova». Porque é optimista, porque nos faz pensar em renovação e porque temos sempre a oportunidade de melhorar ou dar especial atenção a áreas que a merecem. E se há coisinha que requer o nosso olho microscópico é o sexo e tudo o que fazemos com ele. Passou um ano, e muitas quecas depois é bom olhar para elas e perceber se são para continuar nos mesmos moldes, ou se urge encontrar novas formas de interacção grelame. Se gostamos do menu que servimos ou se mudamos de iguarias e expandimos a nossa própria gastronomia.
E não ousem, súbditos deste palácio de esbórnia, tratar este assunto delicado com a mesma souplesse com que tratam todas as outras resoluções de ano novo: mentindo com todos os dentes da frente. Nem pensar. Mas para que vocês não se sintam sozinhos nesta demanda, a vossa princesa favorita, que sou eu, vai ajudar-vos com umas ideias preciosas.
1 – Aprendam o significado de espontaneidade e apliquem-no na cama. Ou fora dela. Que é o mesmo que dizer que compreendo que os afazeres diários ditem, por vezes, que o planeamento sexual é necessário. Mas soltem-se e permitam-se a uma queca inusitada, uns beijos apaixonados quando menos se espera ou apenas a uns apalpões entre a cozinha e a casa de banho. O «repentismo» faz maravilhas…
2 – As posições sexuais são muitas e são para ser usadas. Bem sei que a missionária, canzana e grelame em cima fazem as nossas delícias por várias razões. Mas, por vezes, uma pequena variação é quanto basta para nos reinventarmos.
3 – Tal como as posições, também a cama ganha a preferência da maioria. E entende-se. Mas quando saímos dela e nos sentamos à mesa, não necessariamente para jantar, há todo um cenário que muda e se apimenta. Melhor: quando saímos de casa e nos aventuramos em locais públicos, somos invadidos por uma sensação de aventura que nos torna, subitamente, mais disponíveis para o acto.
4 – O sexo tem esta particularidade de ser tão importante na prática como na teoria. É importante que falem do assunto, sobre o que querem, como querem, quando querem, porque querem, enfim, todo um mundo de possibilidades que poderá levar ao verbalizar de intenções que pode ser muito, muito apelativo…
5 – Entreguem-se à novidade e explorem-se mutuamente. Sejam ousados, arrisquem, sem medos, porque o sexo pode, e deve, ser vivido sem constrangimentos.
Palavra de Sissi.
...ou o André Villas Boas, treinador da Académica, é uma brasa descomunal?
Meninas, manifestem-se, please, enquanto eu vou ali investigar melhor o bicho.
E chegou o Natal. Uma época que me apela tanto quanto a abertura da temporada das corridas de cavalos. Nada, portanto. Porém, e mesmo que o Palácio faça as suas festividades privadas, o mundo lá fora vive estes dias com enorme afã. Que é como quem diz, numa correria às lojas em busca do Santo Graal dos presentes que se distribuem em festas de família, de amigos, no «amigo secreto» com os colegas de escritório, e, por fim, em momentos mais ou menos românticos com as vossas queridas.
Porém, a demanda de encontrar o presente perfeito é tão dura quanto o marsápio de um amante Masai. Nós, grelame por vezes exigente, não vemos a prenda comprada apenas pelo que é: algo que é pensado e adquirido como forma de honrar a época natalícia. Nem pensar! O objecto escolhido por vós com amor e carinho, será perscrutado pelas resmas de amigas, mãe e demais familiares, e ao qual será dado tantos significados quanto significantes. Que é como quem diz, vocês, machame bom, estão, praticamente, lixados. A não ser que continuem a ler esta Bíblia, já que Sissi juntou umas ideias só para vocês, machos do meu coração, sobre os presentes que NÃO DEVEM, e repito, NÃO DEVEM absolutamente oferecer à eleita do vosso coração. Ora vejamos.
1 – Ferramentas e aparelhos para a lida da casa
Mesmo que a vossa fofinha seja dada à bricolage ou represente a verdadeira fada do lar, nunca, mas mesmo nunca, lhe ofereçam um conjunto de ferramentas ou coisas tão românticas quanto um aspirador, máquina de café ou cafeteira eléctrica. A sério. Não façam isso.
2 – Roupa de ginásio
A mensagem contida neste presente é simples: toma lá este kit de ginásio, muito jeitoso, que eu escolhi com muito amor, para que possa exercitar-te e perderes essa bóia que tens à volta da barriga. Acreditem em mim. Mesmo que seja o kit mais bonito, e que a vossa motivação não seja esta, é assim que nós vamos entender a coisa.
3 – Livros de auto ajuda
Esta também é uma grande ratoeira. Porque mesmo que ela vos diga vezes sem conta que gostava de ser mais assertiva, disciplinada e organizada, oferecer-lhe um livro que a auxilie nesse sentido é o mesmo que admitir que não somos a perfeição em pessoa, ideia que nos esforçamos muito para inculcar nos vossos espíritos.
4 – Peluches
Bom…será que o nome «peluche» necessita de mais explicações? A não ser que namorem com uma miúda de 12 anos, o que, nesse caso, convém que sejam menores também, esqueçam a bicharada de pêlo. Muito mau.
5 – Lingerie
A não ser que seja ela a escolher, evitem comprar lingerie ao vosso gosto. A ideia em si não é má. Uma coisinha picante para os dois para apimentar noites mais loucas. Mas enquanto o grelame privilegia o bonito mas prático, o machame opta pelo estilo vacarrona, que nós pouco apreciamos, sobretudo em formato presente de Natal.
Seja o que for dediquem algum tempo à causa. Valerá a pena.
Palavra de Sissi.
