Domingo, 12 de Dezembro de 2010
The End ou A Última Carta ao Pai Natal

Querido Pai Natal,

 

espero que este post te encontre de saúde, que nós por aqui bem, obrigada.

 

Escrevo-te pela última vez desta morada.  Por isso, decidi que o meu último pedido vai para as pessoas que, verdadeiramente, fazem este palácio. São eles quem o pintam, estucam, dão estrutura. Eu limito-te a mandar motes para o ar, na esperança que eles sejam apanhados e trabalhados comme il faut. E foi isso que aconteceu ao longo destes quase seis anos. Assim sendo, Pai Natal, espero que coloques no sapatinho de todas, mas mesmo todas as pessoas que por aqui passaram uma dose massiva de felicidade, acompanhada pela responsabilidade que cada um de nós tem nela. Dá-lhes ainda clarividência, serenidade, calma e paz. Embrulha todos estes presentes com uma fita de seda feita de de criatividade e coragem para assumirem o que são e o que querem. E, finalmente, generosidade para que consigam estar para si e para os outros. É só isto. E diz-lhes que lhe agradeço todo este tempo, do fundo do coração apertado de Princesa, mas que outro palácio, muito diferente, se abriu noutro lado, e que agora é o tempo dele. Informa-os ainda que, em querendo saber onde estou, é mandar uma missiva para o Correio da Princesa, e eu informarei. Mas avisa-os que não esperem sexo. Do outro lado do espelho há todo um novo mundo, uma princesa que não é nova para mim mas é nova para eles.

 

Mais uma vez, Pai Natal, não te esqueças de lhes agradecer por mim. Outra vez. É mesmo muito importante que eles saibam que este foi o melhor blog do mundo também porque cá estiveram. Livros, crónicas, participações avulsas aqui e ali, este sítio foi repositório de alegrias, tristezas, frustrações, cogitações, indignações e muito, mas muito prazer. Mas agora chega. 

 

Até breve.  




Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010
Lelo

E depois de monitorizar as centenas de downloads do terceiro livro - para os mais distraídos, podem fazê-lo gratuitamente aí do lado direito ao pé das capas dos outros livros - estou de volta ao recesso do lar real. E para quê? Para vos dar conta de uma das razões onde gasto o meu tempo e dobrões: os sex toys da Lelo.

 

Não sei como é convosco, mas comigo, mesmo que seja badalhoco, o sexo tem de ser bonito. Há qualquer coisa no erotismo e na estética da foda que me encanta sobremaneira. Vai daí, desde que descobri estes pequeninos que não olho para o lado. Sou mulher de um vibrador só, a não ser que esse vibrador venha em formas e feitios deveras bonitos e bons. Por isso, sugiro que pousem a vista nisto. Aconselho-os todos a todos. Não porque me apeteça, mas porque sei. Tenho-os a todos cá em casa e sei do que falo.

 

Para já, fiquem com a mais nova aquisição. Tem tanto de lindinho como de perfeitamente eficaz e tem pormenores deliciosos. Seis velocidades e cadências para vosso gosto e prazer. O meu é cor de rosinha e dourado. Um must. Lindo de morrer. E vem com um pin, ou um broche, como preferirem, que nos identifica a todos. É uma coisa tipo maçons da foda. Nós os fãs da Lelo conhecemo-nos. Não é?




Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010
O novo livro - download à borliú!

Maneiras que é isto. Quando a vida nos mete uma curva sinuosa no meio de uma recta, há que reduzir velocidade e mudar de rumo. Tanta merda pra vos dizer que afinal o livro e as promos e o caralho já não saem. Nas bancas. Saem aqui. Se repararem bem, no lado direito do ecrã, em cima, junto às capas dos outros livros, está um documento em pdf prontinho a ser descarregado, pela módica quantia de 30 segundos, que é mais ou menos o tempo que demora até terem a Obra na mão, de seu nome Sex Bomb.

 

Aproveito para agradecer, sem ironias, a todos os que colaboraram. Foram realmente muitos os súbditos e súbditas que participaram. Espero que gostem do resultado. Passem a palavra, façam o download, partilhem. É de borla e de coração.

 

Enjoy!

 

PS. o livro não está paginado nem revisto. Por isso, não se armem em parvos com as vírgulas e gralhas que não há cú pra isso.




Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010
A pedido de várias famílias...

...fica a informação que a reportagem do retiro de meditação que fiz sai amanhã, na revista Index do jornal I.

 

«Ah e tal, mas depois ficam a saber o teu nome». Certo. Caguei.

 

Enjoy!




Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
Amores perros

Minhas queridas,

 

que noite, a de ontem. O Universo às vezes é fodido mas sabe sempre o que faz. Claro que isto agora vos soa pior, mais ridículo e idiota que a própria hecatombe que, parece, se abateu sobre as vossas vidas. Ainda me lembro da última vez que o o meu coração se derreteu nas mãos de homem que queria «para a vida». Também tive amigos, quando os pedi, e arrendei o seu colo a cada golfada de ar. Para além de amizade, posso oferecer-vos o que tenho de melhor nestes dias. A minha presença silenciosa. Faz parte. Quando alguém que amamos decide mudar a bússola e não nos coloca em nenhum dos pontos cardeais, resta-nos o silêncio. Não o silêncio digno das bem aventuradas, mas o silêncio sofrido e doído das que, tendo coração, ficaram sem ele. Pelo menos, assim parece.

 

Dizer-vos que vêm aí dias melhores, não ajuda. Há sempre aquele gosto de fim de linha, que se mistura com as perguntas sem resposta, que nos obnubila o pensar e nos deixa apáticas, catatónicas. É sempre assim. Temos grandes planos para os outros. Neste caso, o plano de que a pessoa a quem entregamos o viver amoroso, e às vezes mais que isso, nos ame para sempre, sem percebermos que o «para sempre» só existe nas músicas foleiras de elevador. Nada é para sempre. Nem nós mesmas somos para sempre. Mas enquanto vivemos e alimentamos essa bolha, esquecemo-nos, tantas vezes, de nos alimentar a nós. Foi o vosso caso. Alargaram o vosso limiar de dor numa relação a dois e aceitaram que ele vos fosse transformando, insidiosamente, numa outra pessoa. Indesculpável, para quem partilha paredes connosco e que, paulatinamente, vai deixando de gostar sem nunca manifestar grande coisa a respeito.

 

Porque há homens assim. Mergulhados em culpa cristã e viciados em palavras bonitas que embrulham quotidianos falsos. Mas eles não importam, minhas queridas. O que importa são vocês. Chorem, berrem, gritem, durmam, durmam muito. Morram, nasçam e voltem. Porque quando o fizerem, vão perceber que o mundo vai continuar a girar e nós vamos continuar aqui. A girar convosco também.

 

 




Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010
I have a dream

A vida em comum é qualquer coisa que me atrai e repele com a mesma força. Quanto mais o tempo passa menos vontade tenho de encontrar o cheiro a macho em cada recanto do Palácio. Por outro lado, tenho dias em que o sonho romântico e adolescente me acerta em cheio qual maçã envenenada. O ideal seria enamorar-me pelo meu vizinho de baixo. Ou do lado. Ou da frente. Alguém que estivesse perto mas não demasiadamente perto, e apenas à distância de uns 3 minutos.

 

E nem vou aqui elucubrar sobre como a proximidade dá cabo do romance e do mistério. Até porque se dá cabo de umas coisas, constrói outras e ninguém disse que isto acontecia de forma fácil e sem trabalho. Concentro-me apenas na logística, no dia a dia, no quotidiano que encerra a manta e o sofá mas raramente compreende a casa inteira só para nós e para um desleixo que é útil e saudável. Nem sempre me apetece estar de banhinho tomado ou de cabelo penteado. Tenho dias em que este pele alva e leitosa só vê água antes de Morfeu e isso seria impensável com um macho a viver debaixo do mesmo texto.

 

E de pensamento em pensamento até à teoria final, lembrei-me de uma actividade diária sem a qual os meus nervos sobreviveriam muito pior: masturbação. Onde fica este deleite quando a vida de casal se instala? I have a dream. O sonho de poder masturbar-me quando me apetece sem que o parceiro se incomode, a não ser que se queira dar ao «incómodo» de se juntar. Mas não carece. Na verdade, esta obtenção do prazer autónomo é das coisas mais bonitas que uma mulher pode fazer por si. E disto não abdico. Como dizia, I have a dream. O de encontrar um parceiro que, percebendo a minha vontade de gemido em mono se orgulhe de mim e vá dar uma volta ao bilhar grande durante meia horita. Ou faça o jantar. Ou vá ler o jornal. Ou à bica. O que lhe apetecer. Mas que me deixe estar sossegada e quieta um bocadinho.

 

I have a dream. Still waiting.




Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010
Cena de Gajo

Acabadinha de chegar do retiro, e depois de dez dias em modo espiritual, decidi brindar o meu regresso à vida real com uma actividade que me afasta, uma vez mais, das excelsas representantes do meu género: shopping. Se há coisa que me aborrece e entedia é ter que ir às compras. A minha falta de paciência para entrar e sair de lojas, vê daqui e experimenta dali, não me permite cair nesse estereotipo feminino embora, amiúde, não me reste outra saída se não enfrentar as hordas de gente em modo retail therapy, como se fossem encontrar nos trapos a cura para todas as suas maleitas. Adiante.

 

Estava eu ontem na fila para pagar umas quantas merdas, estrategicamente colocada ao pé dos provadores da loja, quando dou por mim condoída, solidária e quase em estertor com o sofrimento e embaraço de um macho que, por amor à sua musa, se desdobrava em panegíricos e outros elogios que tais. A tal, a menina dos seus olhos, tinha, claramente, peso a mais. Não era cheia, nem gordinha, nem anafada. Era gorda, ponto final. E sempre que vestia uma peça de roupa, muitos números abaixo do que seria visualmente agradável, pedia opinião ao namorado, coitado, que fazia verdadeiros malabarismos de palavras e boas intenções impregnadas do que, julgo, só poder vir de um local de amor profundo.

 

Empatizei com a situação. Que difícil deve ser dizer à pessoa que gostamos, com todas as suas camadas adiposas e detalhes estéticos associados, que apesar de a amarmos para além do seu recorte, aquela camisola verde colada ao corpo é feia demais para a beleza que os olhos dele ditam ver. O que umas calças apertadas e de cintura baixa lhe trituram as carnes e que isso não se compadece com a formosura que ele sabe que ela tem.

 

Porque por mais que o afecto se desenvolva para além do nosso recorte, e que nós, como amadores, amemos a cousa amada independentemente da informação da balança, não é fácil dizermos a quem gostamos que as calças apertadas não a «favorecem porque tens essa barriguinha linda um bocadinho grande» sem parecermos paternalistas e ridículos. Por outro lado, faze-lo é das coisas mais quentinhas e amorosas que já ouvi.

 

Acho que estou a ficar velha.




De volta ao mundo dos vivos

É isto. Estou de volta dos 10 dias mais duros desta minha vida boa de princesa. Não vi a luz nem encontrei o sentido da vida numa folha de oliveira, mas trouxe comigo a certeza de estar no caminho certo. Levantar às quatro da manhã, meditar até às seis e meia e todo um programa de festas espartano como se quer quando o fito somos apenas nós. Foi lindo. Mas a minha vida é melhor. E cá estou eu.

 

O relato completo podem lê-lo numa determinada revista de um determinado jornal no próximo fim de semana, que versará sobre determinadas coisas de determinado retiro.

 

E depois desta eloquência de espantar, vou só ali regularizar horários e venho já. Não saiam daí.

 

 




Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
Retiro

Maneiras que é isto. Vou em Retiro. Durante os próximos dez dias vai ser um fartote de meditação. 8 horas por dia, basicamente. Se depois disto não vir a luz, em todas as cores do Pantone, entrego-me aos prazeres da carne e vou atacar para Miami. Ou não. Também posso ir pra Cannes, que também diz que é bom.

 

De todo o modo, voltarei, provavelmente já com rastas e sem colocar hidratante de manhã e à noite e prontinha para fazer as malas e mudar-me para uma comunidade. Para já, vou estar incontactável e o único mundo que me verá a fronha é o meu, interior.

 

Portem-se bem, por aqui. Não se peguem uns com os outros. Voltarei.

 

Até já.

Deixo-vos com esta dos Jamiroquai, que me acalma e me leva para sítios bonitos na minha cabeça. Enjoy!

 

 

 

 

 




Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010
Maigret de Pato ou de como as relações podem ser um verdadeiro open space

Era apenas mais um jantar. Não fosse estar alapada no melhor sofá da casa e o dito estar rodeado de grelame, teria sido, de facto, apenas mais um jantar. Daqueles que os amigos oferecem com o intuito de reforçar o anglicismo mingle e convidar pessoas que não se conhecem para travar, justamente, conhecimento. Dizia eu que estava com o meus glúteos cada vez melhores colados a um pequeno sofá para dois que açambarquei para mim, quando parte do grelame que se juntava à minha volta, quais acólitas em preparação para a missa, se lembra de iniciar o vómito colectivo e secreto em direcção aos seus mais que tudo, sentados no lado oposto da sala. Ou seja, abrem, literalmente as hostilidades, numa contenda onde só elas marcam presença.

 

Que aqui d'el rey, dizia uma, o tipo só desarrumava, não era capaz de colocar um prato na máquina, que ela já nem pedia mais, um prato, por Zeus, um prato e estaria reposta a harmonia familiar, ou que não, dizia a outra, o dela era muito limpinho mas um frouxo na cama, que, tadinha, não tinha um orgasmo vai para seis meses, altura, mais ou menos, em que ele começou a trabalhar que nem um cão, que, ok, está bem, sabem bem os 3500 euros no final do mês, mas, e ela?, ela também precisa dele, e ele, bandalho, nem um orgasmo para amostra, o pécora, ah, mas vocês têm muita sorte, dizia uma terceira, que o dela está com mais 15 quilos desde o casamento, um desleixado, ainda por cima, ela não se sente ouvida, sente ignorada, a pobre, ele não a apoia em nada, não quer saber. E foi mais de meia hora nisto. Até que perguntei, estupidamente: mas...vocês já falaram sobre isso com...sei lá...os vossos namorados e marido? «Achas? Eles lá nos ouvem!», responde a chefe das carpideiras, claramente a agitadora de massas de grupo.

 

Ora, dado que eu estava, como disse, alapada num sofá confortável e comer um maigret de pato que era uma especialidade, e um tinto, cuja proveniência desconheço, que acompanhava muito bem, estava-me a foder o juízo ter que me levantar para me sentar num sítio onde o ar fosse limpo. Mas assim o fiz.

 

E qual Labrador, fomos para um canto, eu e o meu maigret de pato, ao qual se nos juntou uma sensação de dejá vú. De facto, não é a primeira vez que assisto a este número de circo. E não é que duvide dos queixumes que ouvi, mas esta lavagem de roupa suja em público, este desbotar acompanhado de relações íntimas causa-me um espanto incrível. Porque seja qual for o motivo, não vislumbro uma razão, por mais ténue que seja, de rasgar de alto abaixo a pessoa com quem vivemos, nas suas costas, e depois alegremente voltar a casa e partilhar com ela a mesma cama.

 

Pior, não imagino o que levará alguém a fazê-lo com o objecto de (des)amor no mesmo metro quadrado. Acho de uma falta de respeito e de solidariedade inomináveis. E não interessa se têm razão. A intimidade discute-se no íntimo. Não quero ter que olhar para a cara de pessoas que conheço e ver um homem que é porco e não arruma ou um frouxo que não sabe foder.

 

A sério, grelame bom do meu país. Guardem o que é de guardar. Não transformem  o T2 da vossa relação num open space a céu aberto. Pelo menos não enquanto eu e o meu pato estivermos na sala.




 
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