Mesmo tendo este palácio o nome de Cenas de Gaja, e a sua Princesa, eu, esteja mais Gaja que nunca, existem pequenos bombons masculinos que merecem umas linhas e, não raras vezes, umas valentes gargalhadas.
Falo daquele momento em que, quando questionados sobre um assunto qualquer que não esperavam, e tendo nós a certeza da clareza das palavras que emitimos, do tom adequado de volume em que a mensagem é passada e de que todos falamos a mesma língua, a resposta do outro lado é: hân?! Que é o sinal universal de «caralho, não contava com isto mas preciso desta manobra de diversão para tentar pensar numa resposta rapidamente.»
Os mais profissionais vão ao ponto de lançar até três hân´s para cima da mesa, ou mesmo um «desculpa, não percebi». Manhosos, esses. Cuidado. Ma non troppo. Na verdade, o jogo de cintura é um atributo que nos encaixa melhor a nós, grelame multitasking. Maneiras que há que perceber estes petit riens, estas minudências de testosterona como peidinhos floridos da personalidade masculina e usá-los como melhor nos aprouver. Mas rindo. Rindo sempre.
Mi like it.
PS. e por falar no universo masculino, fica o meu mais recente guilty pleasure. Enjoy!
Não há nada melhor, quando a canícula nos entra pelo escritório adentro e o corpo pede que nos estiremos na cadeira e pensemos o menos possível, que observar as fotos das vidas dos outros, nesse antro maior de engate e de foda que é o Facebook. Ele é as poses na praia, os amores de Verão e de Inverno, os cães, as amigas e os amigos, «esta foi em Kuala Limpur», «aqui sou eu a divertir-me imenso na noite», «na praia, com o amor da minha vida». Mas as imagens que verdadeiramente me fascinam, as que me fazem endireitar na cadeira, são as que o grelame insiste colocar em poses que intuem uma (bi)sexualidade por apurar. Depois de aturado e demorado estudo, descobri que há uma tendência enorme para o auto-retrato, de língua de fora, com um olhar, meio vazio, mas que diz «sou sexy e sei disso». Não raras vezes, o grelame aparece acoplado a mais grelame, assim com as maminhas encostadas umas às outras e, claro, língua de fora, viradinha para a língua da amiga. Ora bem, nada contra. Algumas são até bem jeitosas, embora o género não me caia especialmente no palato.
No entanto, cogito sobre esta novel ordem, que encaixa pré-adolescentes e balzaquianas na mesma cerca, em que comer pipis se tornou arma de arremesso para o lado de lá de uma barricada, onde existem efebos e pré-andropáusicos, ávidos de uma excitação fora da rotina. Eu entendo a raiz da coisa. É tão fácil chamar a atenção desta forma que até parece mal não o fazer. Afinal de contas, é só juntar os corpos, fingir um beijo mal parido, acrescentar curiosidade natural, tirar uma foto e colocar na moldura do mundo. Já está. Tão fácil quanto juntar água, é igualmente simples receber interesse, venha ele de onde vier.
É claro que sei exactamente do que falo. Como sei que não pode ser bom para as cabeças em formação este innuendo social que nos enfraquece como mulheres, nos ridiculariza e nos deixa exactamente no lugar onde estamos agora: somos mais mulheres quanto mais nos assemelharmos aos homens.
Pergunto-me ainda quantas dessas mulheres auto-retratadas conhece o impacto que pode gerar o momento em que estamos fisicamente com alguém do mesmo sexo? A confusão que, potencialmente, se instala quando um corpo similar se encosta, verdadeiramente ao nosso? Comer pipi alheio pode ser um tudo-nada ou um nada que confunde tudo. E não há preservativos mentais que impeçam esta confusão. A não ser pensar um bocadinho.
Há muito pouco que aqui recomende. A descoberta das coisas que gostamos e que fazem eco em nós é um caminho demasiado valioso para ser entrecortado com o gosto dos outros. Porem, ontem descobri o filme perfeito. Tem tudo, em doses adequadas ao muito que conseguimos sentir em apenas duas horas, sentados no meio de estranhos numa sala que não é a nossa.
O Segredo dos Seus Olhos é um filme de amor, mas também um thriller, uma comédia e tudo o que lhe quisermos ver. Não deve faltar muito para sair das salas. Apressem-se. Ou estarão a passar ao lado de uma beleza sem tamanho.
Enjoy!
Independentemente do recorte com que nascemos, a verdade é que muitos de nós se tornam arquitectos de si mesmos e decidem enganar a Mãe Natureza com pressupostos diferentes. Ou seja, decidimos inventar a roda biológica e fisiológica e ligar e desligar circuitos e caminhos. Tudo isto para vos dizer que, da mesma forma que há quem viva com o intestino grosso ligado ao cérebro, há mulheres que nasceram com o coração no pipi.
E somos muitas. Se isto me parece natural quando as dores de crescimento nos atingem em dias de maior e menor fluxo emocional, a verdade é que, depois das devidas lambadas na tromba que a vida e o Universo graciosamente nos dão, ter o pipi em forma de coração não é mais que um sinal que está altura de parar, baralhar e dar de novo.
Nestes tempos em que ainda sentimos no ar o cheiro a soutiens queimados e nos incham as pernas dos líquidos retidos pela pílula, é importante perceber se o que podemos fazer é o que queremos fazer, se a facilidade do sexo nos convém e se aguentamos saber como nos deitamos e desconhecemos como nos levantamos.
O importante não é não foder. O importante é percebermos o que queremos quando fodemos. É saber se aguentamos o embate de uma foda desencontrada com as nossas expectativas mas completamente sintónica com as hormonas e a programação biológica com que nascemos e nos define como género.
Fodemos? Ou fodemo-nos?
Se há coisa que me deixa fodida é este calor. Fiquem-se com esta musiquinha, que é o que faz esperar o crepúsculo com o mínimo de energia.
Depois de anos de aturada pesquisa antropológica, realizada nos mais variados antros de perdição fodal com o intuito de perceber que caralho passa pela cabeça dos homens face a uma mulher, e eis que toda a safra dos meus neurónios se vê reduzida a uma só palavra: mamas.
Grandes, pequenas, redondas, empinadas, mais cheias, mais comedidas, mais apelativas, mais tímidas, toda a mama é uma boa mama. E não confundindo verbo com nome, e fazendo um pequeno esforço para não reduzir o grelame à sua dimensão peitoral, há por aí muito macho que, perante o recorte de umas glândulas mamárias se torna, subitamente, parecido com um Labrador: senta, rebola e faz de morto.
Sobretudo agora, que a temperatura já pede tecidos mais comedidos em textura e tamanho, o machame tem tendência para, sem qualquer tipo de pudor, pousar os olhos em peitinho alheiro e repousar. E uma vez aí, podemos fazer e pedir tudo que eles fazem. Ao contrário do Homem, que é o Homem e a sua circunstância, a mama, aos olhos machames àvidos do seu vislumbre e manuseio, subsiste por si só. Ou seja, qualquer mulher menos apessoada mas dotada de um bom par, passa de «incomível» e aceitável não num piscar de olhos, mas num entumescer de mamilo.
É verdade que ainda existem os puristas da mama, que renegam o implante face à generosidade da mãe Natureza. Mas a verdade é que para a maioria deles, mamas são mamas e não se fala mais nisso. Venham de lá aos magotes, preencher as estantes do nosso imaginário, emoldurar copas de soutiens sensuais, e, a piéce de résistence, afagar marsápio em belas espanholadas.
É claro que nós, grelame, que já vos topámos há muito tempo, brincamos com isto desde sempre. É divertido. Quem sabe até injusto. Afinal de contas, basta-nos endireitar as costas e pronto: todas lá dentro dos olhos dos queridos. E de tão fácil, perde a piada. Por isso, grandes queridas, se, como eu, têm a sorte de ter aquele tipo de mama que interpela, que pergunta sem aguardar resposta, que chega primeira a todos e a todo o lado, sejam modestas. Não carece a falta de senso. E lembrem-se sempre: basta endireitar as costas...and they will follow...
Não há sentimento mais estúpido e enganador que o ciúme. Mau grado todos já termos provado do seu sabor e cheiro pestilentos, a ciumeira é um bocado como os tomates. Não é porque lá estão que temos que os abocanhar sempre que nos baixamos para fazer um broche. Que é como quem diz, não temos de entrar nesse faux pas só porque ela, aparentemente, faz parte de uma moldura maior a que se chama de relacionamento.
E não há pensamento mais pequenino, mais comezinho, mais desprovido de interesse que aquele que alimenta e acarinha ideia de que quem ama tem ciúme. Se há coisinha que me faz carregar a G3 e preparar caça ao homem é esse dourar de pílula abortiva de afecto. Porque o ciúme só prova duas coisa: que os nosso níveis de segurança estão em baixa e que, apesar dos pesares, ainda achamos que as relações não têm prazo de validade, logo, passamos os anos bons da dita a ansiar que o inexorável não chegue. O que é parvo. É como enfeitar os nossos dias a tentar não morrer.
Logo, tendo isto como premissa, ter ciumes é não conhecer o outro e não se respeitar a si mesmo. É ainda não entender que vão sempre existir mulheres melhores e mais bonitas e boas que nós, e, pasme-se, homens melhores e mais bonitos que os que temos. Porém, se eles lá estão em casa, se nos permitimos partilhar o ar com quem respira na nossa direcção, o melhor mesmo é fazer dele uma colónia doméstica. Fresca sempre que houver tempo e vontade para isso, ou clássica, quando o moderno não tiver lugar.
A ansiedade é uma filha da puta. Come-nos e obriga-nos a ser autofágicos. Vivemos encaixados, acoplados a um medo que, de tão pensado, torna realidade uma profecia que só tem sumo se o quisermos espremer. Aliás, o ciúme é a vuvuzela das relações. O seu barulho ensurdecedor não permite ouvir mais nada. E muito menos festejar os golos da equipa composta por dois.
Onde é que anda o botão do silêncio?
Há algumas funções corporais e biológicas, que apesar de serem por todos praticadas com brio e regularidade, são injustamente mal afamadas. Falo do peido. Esse gás metano que se expele amiúde, mal nomeado e embrulhado em falta de educação, mas cujo uso numa relação a dois pode fazer maravilhas pela sua continuidade de forma concreta e sólida.
Se não, vejamos. Há alguma coisa mais geradora de riso em situações de conhecimento inicial do que o peido? Não, não há. Há alguma bufa mais bem metida do que aquela que se dá quando a relação já navega por mares serenos e suaves? Não, não há. Libertar um peido à frente da pessoa de quem se gosta e a quem, por consequência, se quer impressionar, é uma prova imensa de segurança. O que esse odor, na realidade, traz escrito é «gosto de ti e de mim o suficiente para ultrapassar este momento com a souplesse de um bailarino russo». E pronto. Umas gargalhadas semi-envergonhadas mais tarde já ninguém se lembra, o peido está dado e, se pensarem bem, há uma qualquer barreira invisível que foi abaixo, mau grado o cheiro que ficou.
E a bufa conhecida? Aquele que é verdadeira argamassa de relações de anos. Cujo aroma a flores envelhecidas encerra a mensagem «estou seguro disto o suficiente para me peidar à parva, mas não tanto que evite este pensamento». Umas de nós fingem um amuo, outras amuamos mesmo, mas todos sabemos que uma bufa numa relação significa que a coisa é séria. Ou está para se tornar.
O cheiro que vem das entranhas, ao invés de um presente envenenado, pode perfeitamente ser o perfume de cada relação. Agora cabe-nos decidir de que forma nos ataca as narinas.
Querida Luna,
não nos conhecemos mas faz de conta. Na verdade sigo o teu blog há muito tempo o que me permite esta familiaridade meio bacoca, é certo, porém, assumo-a sem medos.
Escrevo-te porque vi que também tu foste plagiada. E digo também porque, obviamente, também o fui. Redundância allez! No teu caso, copiaram-te pedaços de prosa para colocar no Facebook. No meu, deram-se ao trabalho de fazer um blog inteirinho e colocar, ispis verbis, copy cat, os textos que escrevi.
Fui alertada pelos muy nobres súbditos desta casa e a minha primeira reação foi similar à tua: morte à puta que me usurpou as sinapses, os pensamentos e a trabalheira que isto dá. Pior. Fê-lo para colar o fruto da minha lavra num blog para lá de horrível de feio e a tresandar a Amadora-Sintra. Plagiar, sim senhora, mas ao menos façam-no bem. É um pouco como o encornanço, sabes? Se o quiserem fazer, tudo bem, desde que longe e apenas se valer a pena. Se for para comer uma rameira mais vale estarem quietinhos. Adiante. Dizia-te eu que fiquei a espumar. Ainda lhe enviei um email a espichar-lhe as paredes daquele cortiço de uma merda que só nós princesas conseguimos produzir, e que tem um aroma nobre. Mas depressa me enfadei. Tanto, que, honestamente, sublimei o nome da xafarica - se alguém se lembrar, chegue-se à frente, please.
Até que o Tempo se escarregou de operar um milagre, como só ele sabe fazer, e me dotou de uma clariviência, rara, muito rara, que deu um jeito enorme. Fui ao sítio onde se regista estas coisinhas e registei tudo, de fio a pavio, caralhada por caralhada até à caralhada final.
Ao que parece, a blogosfera não é uma arena protegida. E salvaguardar o trabalho desta forma é o nosso melhor reduto - para usar uma linguagem desportivófuteboleira
Maneiras que, se me estás a ler, plagiadora, e deves estar, até porque é disso que te alimentas, se tentares fazer alguma coisa com os pintelhos que aqui escrevo, sujeitas-te a tratamento «Ivo Canelas no filme Call Girl»: "Estás tão fodida, pá!" - repara como sou fofinha contigo ao ter escolhido um filme que se adequa bem à tua craveira intelectual.
E é isto, Luna. Em vez de te apoquentares, protege-te. A sério. Dá menos rugas.
Beijinhos da Sissi, Princesa do Povo.
